Todos usa­mos espe­lhos. Sempre os usá­mos. Os de casa e, para os mais vai­do­sos, os que des­co­bría­mos nas ruas. A era digi­tal forneceu-​nos mais. Estes são os tem­pos dos likes e das par­ti­lhas, dos ava­ta­res e dos comen­tá­ri­os nas redes soci­ais.

Black Mirror obriga-​nos a mirar esses espe­lhos até se par­ti­rem. É a série que des­pe­da­ça, com humor e aci­dez, mor­da­ci­da­de e inte­li­gên­cia, o espe­lho digi­tal atra­vés do qual mui­tos obser­vam as suas vidas como se estas fos­sem reais. Uma série que retra­ta um futu­ro, mas um futu­ro tão pró­xi­mo de nós que já se encon­tra à vis­ta.

A série de Charlie Brooker estre­ou em 2011 no Channel 4 e a 21 de outu­bro a Netflix irá apre­sen­tar ao mun­do a sua ter­cei­ra tem­po­ra­da. Aconselho viva­men­te aos inte­res­sa­dos verem as duas pri­mei­ras, mas como cada epi­só­dio é uma his­tó­ria inde­pen­den­te podem até come­çar por esta. Na ver­da­de, é irre­le­van­te. O que impor­ta é dar-​lhe uma opor­tu­ni­da­de.

Todos os epi­só­di­os têm em comum a ori­gi­na­li­da­de das metá­fo­ras e das situ­a­ções, a «fric­ção» cien­tí­fi­ca, o ter­ror, a comé­dia, o dra­ma, a mis­tu­ra dis­to tudo, a aná­li­se impla­cá­vel ao nos­so mun­do e o gos­to pelo absur­do como for­ma de trans­mi­tir umas quan­tas ver­da­des sobre os víci­os tec­no­ló­gi­cos.

Black Mirror

Por falar em futu­ros pró­xi­mos: 21 de outu­bro. Estreia. Netflix. Poucas horas depois, nos canais do demo e com legen­das em por­tu­guês, pro­va­vel­men­te ripa­das da pró­pria Netflix — ain­da bem, por­que esta série não mere­ce as assus­ta­do­ras tra­du­ções bra­si­lei­ras das duas pri­mei­ras tem­po­ra­das (des­cul­pem, amgos bra­si­lei­ros que visi­tam este blo­gue, mas é ver­da­de).

Seja como for, não per­cam uma série ver­da­dei­ra­men­te moder­na e ori­gi­nal.

Marco Santos

­Marco Santos

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