Sempre que pen­so em oti­mi­zar o blo­gue lembro-​me de um senhor com quem cos­tu­ma­va gozar na infân­cia. E do fute­bol.

As coi­sas nos meus tem­pos de puto eram cha­tas por­que ado­rá­va­mos jogar à bola e, por fal­ta de con­di­ções, não havia outro remé­dio senão fazer­mos do pátio prin­ci­pal do bair­ro o nos­so cam­po de fute­bol.

As lições que apren­di nes­sas tar­des de joga­ta­na são ines­que­cí­veis: os meus pri­mei­ros tra­ba­lhos de gru­po não foram fei­tos na esco­la, mas naque­le pátio cin­zen­to cober­to de pó e pedras rolan­tes.

No pátio apren­di a desenrascar-​me em situ­a­ções afli­ti­vas. Uma vez esfo­lei o joe­lho numa que­da desam­pa­ra­da e con­se­gui resol­ver o pro­ble­ma sozi­nho: em pri­mei­ro lugar, por­que foi penál­ti indis­cu­tí­vel (san­grei e tudo, por­ra!); depois, por­que apli­quei um pen­so na feri­da sem o conhe­ci­men­to dos meus zelo­sos, mas ata­re­fa­dos, pro­te­to­res – a minha avó era bem capaz de me dar uma galhe­ta se eu me mago­as­se!

Não havia nada de mais ofen­si­vo do que os adul­tos pelin­tras que cons­pur­ca­vam o sagra­do espa­ço de joga­ta­na quan­do esta­ci­o­na­vam o car­ro baru­lhen­to e mal chei­ro­so.

Alguns – por sen­si­bi­li­da­de ou medo da bola­da – esta­ci­o­na­vam lon­ge das bali­zas ima­gi­ná­ri­as; outros nem sequer repa­ra­vam na nos­sa exis­tên­cia físi­ca, quan­to mais na nos­sa ima­gi­na­ção, e enfi­a­vam o car­ro na zona de juris­di­ção do guarda-​redes.

Um deles evitava-​nos como se fos­se­mos dia­bi­nhos.

O tipo lem­bra­va o senhor Hulot dos fil­mes do Jacques Tati. Apimentado, mui­to magro, usa­va sem­pre um cha­péu de palha e anda­va aos sal­ti­nhos como se tives­se poças de água debai­xo das solas. Até hoje nun­ca vi nin­guém tão embe­ve­ci­do com um car­ro. Há pes­so­as que lhe vene­ram a velo­ci­da­de, mas este gos­ta­va de o ver ali, sos­se­ga­di­nho, imó­vel, para poder andar à vol­ta dele a fazer-​lhe fes­ti­nhas com um len­ci­nho ena­mo­ra­do. Meia hora de lim­pe­zas depois, vol­ta­va para casa como um astro­nau­ta a cami­nhar na lua. Muitas vezes fazia meia-​volta para lim­par uma man­cha que só ele era capaz de ver.

E lembrei-​me dele por­que a oti­mi­zar o WordPress sou igual ao velho­te do Volkswagen cor de guar­da­na­po ima­cu­la­do.

Passando ao que interessa

Desempenho do Bitaites

Fiz como os outros e tirei estes scre­ens para me armar ao pin­ga­re­lho.

O que se segue é uma lis­ta do que dei­xei de fazer e do que pas­sei a fazer. Fui apren­den­do com os meus dis­pa­ra­tes e os dis­pa­ra­tes alhei­os. Adapta-​se ao blo­gue que tenho, mas não a todos os outros blo­gues. É o meu méto­do. A minha solu­ção. Serve-​me bem. Não sei se ser­vi­rá a vocês.

Desde que escre­vi o post sobre o WordPress tenho rece­bi­do alguns emails de pes­so­as a perguntar-​me por dicas de oti­mi­za­ção. O Google está cheio des­sas dicas e foi atra­vés dele que as fui bus­car. Estou lon­ge de ter des­co­ber­to a pól­vo­ra, mas não me impor­to de par­ti­lhar a expe­ri­ên­cia (e as mani­as).

1 Lista de posts mais populares. Para quê?

Fora! Por mai­or qua­li­da­de que tenha – e o WordPress Popular Posts é o melhor que conhe­ço – esse tipo de plu­gins aca­ba sem­pre por car­re­gar a base de dados e atra­sar o blo­gue com pedi­dos e moni­to­ri­za­ções des­ne­ces­sá­ri­as. E é menos um script a cor­rer quan­do se abre a pági­na.

Compreendo como são giras as lis­tas de posts mais popu­la­res – tam­bém as tive e per­di mui­to tem­po a personalizar-​lhes o CSS. Os resul­ta­dos nun­ca me agra­da­ram.

Dado que escre­ver um arti­go não é pro­pri­a­men­te o mes­mo que par­ti­ci­par num con­cur­so de Miss Mundo, os posts mais popu­la­res cos­tu­mam ser os que são menos impor­tan­tes para mim. E os que eu mais gos­to são frus­tran­te­men­te igno­ra­dos. Mostrar uma lis­ta de mais popu­la­res ins­ti­ga o visi­tan­te a seguir a liga­ção, tornando-​os ain­da mais popu­la­res e vici­an­do o «con­cur­so». Prefiro mos­trar post espe­ci­ais para mim, esco­lhi­dos manu­al­men­te e apre­sen­ta­dos ale­a­to­ri­a­men­te.

2 Google Analytics, vai pela sombra

Fora! Sim, estou a falar a sério.

Eu sei, 99 por cen­to não con­cor­da em ver-​se livre do Google Analytics – e por boas razões. Para mui­tos auto­res pre­o­cu­pa­dos em ren­ta­bi­li­zar os blo­gues, a fer­ra­men­ta da Google é essen­ci­al para per­ce­ber quais os posts que resul­tam, quais os que fun­ci­o­nam ao lon­go do tem­po, keywords, taxas de rejei­ção, per­fil do visi­tan­te, refe­rên­ci­as, cli­ques, por aí fora. Eu não que­ro saber dis­so para nada por­que não tenho publi­ci­da­de nem o tipo de pers­pi­cá­cia neces­sá­ria para ren­ta­bi­li­zar um blo­gue.

Ver-​me livre do Google Analytics deixou-​me logo o car­re­ga­men­to das pági­nas mais rápi­do. É menos um script a cor­rer quan­do se abre a pági­na.

3 Caixinha de fãs do Facebook, fora

Mona Lisa

Mona Joana

Não que­ro saber! Já pas­sei a fase de que­rer medir a minha pila blo­gos­fé­ri­ca com as pili­nhas blo­gos­fé­ri­cas dos outros. Quem ain­da pre­ci­sar de ver o seu tra­ba­lho vali­da­do pelo núme­ro de likes que a pági­na do Facebook anga­ri­ou, for­ça: dei­xe lá ficar a cai­xi­nha para a mal­ta ir acres­cen­tan­do mais uns cen­tí­me­tros. A medi­da do suces­so des­te blo­gue depen­de ape­nas da minha satis­fa­ção com o que aqui está - e eu sou mui­to mais exi­gen­te.

Mantenho a pági­na Facebook do Bitaites e íco­nes para a mal­ta par­ti­lhar arti­gos nas redes soci­ais por uma ques­tão de cor­te­sia, mas tirar aque­le códi­go do hea­der – neces­sá­rio à cai­xi­nha dos likes – dimi­nuiu, e mui­to, o tem­po que a pági­na demo­ra a car­re­gar.

Ver-​me livre do da cai­xi­nha de likes - mes­mo cor­ren­do com Javascript Assíncrono, eu tam­bém pes­qui­sei essas mer­das - deixou-​me logo o car­re­ga­men­to das pági­nas mais rápi­do. É menos um script a cor­rer quan­do se abre a pági­na.

4 Cache. W3 Total Cache.

É um plu­gin essen­ci­al. E pou­co me inte­res­sam as com­pa­ra­ções com outros. Que são mais fáceis. Que dão menos pro­ble­mas. Que são mais efi­ci­en­tes. Experimentei-​os a todos e este é o melhor – de lon­ge.

Demorei algum tem­po até acer­tar na con­fi­gu­ra­ção cer­ta, cla­ro. Dá tra­ba­lho, mas com­pen­sa. A que fun­ci­o­na bem para mim é esta. Vejam os scre­ens no fichei­ro zip, está lá tudo. O res­to são as con­fi­gu­ra­ções «de fábri­ca». Se não pude­rem usar o méto­do MemCached, subs­ti­tu­am por Disk ou, melhor ain­da, Disk Enhanced.

5 CDN. CDNlion

CDN – acró­ni­mo de Content Delivery Network, Rede de Distribuição de Conteúdo – é um sis­te­ma de ser­vi­do­res rápi­dos que dis­tri­bui con­teú­do de um outro sítio – o Bitaites, nes­te caso –, não só ali­vi­an­do a car­ga do ser­vi­dor ori­gi­nal como entregando-​o de for­ma mais rápi­da.

Se veri­fi­ca­rem o ende­re­ço de cada ima­gem no blo­gue, verão que con­tém cdn1.bitaites.org, cdn2.bitaites.org, cdn3.bitaites.org ou cdn4.bitaites.org. As fotos estão a ser ser­vi­das pelo CDN. Os cdn.bitaites.org são regis­tos CNAME que se adi­ci­o­nam no cPanel e apon­tam para o IP do ser­vi­dor do CDN. Se não sabem de que raio estou eu a falar, peçam aju­da ao vos­so host ou assis­tên­cia téc­ni­ca ao CDN que qui­se­rem usar.

Por que razão esco­lhi o CDNlion? Muito sim­ples: por ser o mais bara­to que encon­trei e por duran­te os sete dias de tes­tes gra­tui­tos que a empre­sa ofe­re­ce não ter sen­ti­do um desem­pe­nho infe­ri­or a outros mais caros. 700GB de trá­fe­go cus­tam pou­co mais de 32 euros e isso dá para mui­to tem­po na mai­o­ria dos casos. Se usa­rem um CDN em con­jun­to com o proxy da Cloudflare, ain­da pou­pam mais.

6 Nas nuvens. Cloudflare

Cloud Maker

Cloud Maker @DeviantArt

O Cloudflare é gra­tui­to e fun­ci­o­na de for­ma dife­ren­te de um CDN, mas o seu obje­ti­vo é seme­lhan­te: ace­le­rar os web­si­tes. Uso-​o por­que atu­al­men­te fun­ci­o­na bem, é um com­ple­men­to que aju­da a pou­par nas con­tas do CDN e fun­ci­o­na como uma bar­rei­ra con­tra spam­mers tão efi­caz que me fez dis­pen­sar um plu­gin anti-​spam.

Eis um tru­que para esmi­frar o Cloudflare ao máxi­mo, sobre­tu­do se não pude­rem usar CDN. Requer a cri­a­ção de Page Rules e a ins­ta­la­ção de um plu­gin. Primeiro as regras, que devem ser cri­a­das pela ordem que são apre­sen­ta­das aqui e com a mes­ma con­fi­gu­ra­ção. Só têm de adap­tar ao domínio/​endereço do vos­so blo­gue (óbvio!).

As duas pri­mei­ras impe­dem que o Cloudflare faça o cache do blo­gue ao nível do vos­so ambi­en­te de tra­ba­lho – Dashboard e a pos­si­bi­li­da­de de ante­ver os posts antes de publi­car. A ter­cei­ra é óbvia. Todo o domí­nio é colo­ca­do em cache, exce­to a par­te «admi­nis­tra­ti­va».

Esta con­fi­gu­ra­ção dá ori­gem a um pro­ble­ma: posts novos ou comen­tá­ri­os não apa­re­cem ime­di­a­ta­men­te. E é aqui que entra em ação um plu­gin cha­ma­do Sunny (Connecting CloudFlare and WordPress) que faz essen­ci­al­men­te duas coi­sas: lim­pa a cache do Cloudflare quan­do há alte­ra­ções no blo­gue – resol­ven­do o pro­ble­ma men­ci­o­na­do – e envia para a lis­ta negra do Cloudflare o IP que ten­tar for­çar o login no blo­gue como admi­nis­tra­dor – esses bots manho­sos são em mai­or núme­ro do que jul­ga­va.

7 O raio dos plugins. Afinal quantos?

Não faço ideia. Duvido que alguém sai­ba. E se dis­se­rem que sabem, estão a men­tir ou con­ven­ci­dos de que o tipo a quem copi­a­ram a infor­ma­ção tem razão. Vinte exce­len­tes plu­gins não cau­sam pro­ble­mas de ins­ta­bi­li­da­de, cin­co maus podem dar cha­ti­ce. Tão sim­ples como isto.

Se o desem­pe­nho do blo­gue é cru­ci­al, evi­tem plu­gins de esta­tís­ti­cas. Plugins para embe­le­zar sem qual­quer fun­ci­o­na­li­da­de impor­tan­te. Se não sabem quais os plu­gins que estão atra­van­car o blo­gue, ins­ta­lem o P3 (Plugin Performance Profiler) para saber quais. E depois de o faze­rem, tomem nota dos plu­gins mal com­por­ta­dos e desativem-​no por­que – ai a iro­nia – o P3 come recur­sos que se far­ta.

Eu uso dez: o W3 Total Cache, o Sunny, já men­ci­o­na­dos...

Wordpress SEO

o WordPress SEO (ajuda-​me a refi­nar a visi­bi­li­da­de dos posts para o tipo de lei­to­res que me inte­res­sa)

Contact Form 7

Contact Form 7 (for­mu­lá­rio de con­tac­to)

Mail Poet

MailPoet Newsletters (para quem segue o blo­gue via email - é sim­ples, che­ga para o Bitaites)

Video Embed & Thumbnail Generator (por­que quan­do se tra­ta de impingir-​vos a músi­ca do mes­tre Frank Zappa faço ques­tão de usar sem­pre o melhor - e dis­pen­sar a por­ca­ria do Flash)

W4 Post List

W4 Post List (permite-​me cri­ar todo o tipo de lis­tas, como as que se encon­tram nas bar­ras late­rais)

WP- User Avatar

WP User Avatar (per­mi­te esco­lher o ava­tar de cada autor sem estar depen­den­te de ser­vi­ços exter­nos como o Gravatar)

Meks

Meks Smart Social Widget (a úni­ca con­ces­são às redes soci­ais)

e o Meks Flexible Shortcodes (por­que dá jei­to a tipos pre­gui­ço­sos como eu).

Um déci­mo pri­mei­ro, WP-​Optimize, só está ati­vo quan­do que­ro lim­par tra­lha do WordPress (revi­sões de post que ficam pen­du­ra­das a ocu­par espa­ço, por exem­plo) e oti­mi­zar a base de dados sem pre­ci­sar de ir ao cPanel dire­ta­men­te.

8 O tema.

Vocês não fazem ideia. Passei duas noi­tes e incon­tá­veis horas com o nariz cola­do ao ecrã à pro­cu­ra de um tema simul­ta­ne­a­men­te boni­to, sofis­ti­ca­do, sim­ples e leve – mui­to impor­tan­te para o desem­pe­nho glo­bal do blo­gue.

Poucos pre­en­chi­am estes requi­si­tos e esta­va a ficar far­to quan­do encon­trei este – Throne – no sítio onde menos espe­ra­va: Theme Forest, um hiper­mer­ca­do conhe­ci­do por estar reple­to de temas chei­os de lan­te­jou­las, com fun­ci­o­na­li­da­des de que não pre­ci­so, códi­go mar­te­la­do pelo Thor e pesa­dões que se far­tam.

Um tema é como uma apa­re­lha­gem: quan­to mais luzi­nhas, pior. Os sis­te­mas de som podem ser mui­to boni­ti­nhos, mas por expe­ri­ên­cia pró­pria já sei que ten­tam com­pen­sar no design aqui­lo que lhes fal­ta em qua­li­da­de de som – que é o que me impor­ta.

Da mes­ma for­ma, um tema que se apoia dema­si­a­do em sli­ders mui­to vis­to­sos e gran­des fotos, está a dis­far­çar a pobre­za do design. Evitem temas assim, gra­tui­tos ou pagos. Simplicidade. Sobriedade. Sempre.

9 Imagens. Descascadas mas sem perder o sumo

Sabiam que uma ima­gem pode pas­sar de 340KB para 96KB sem que a per­da de qua­li­da­de seja per­ce­tí­vel aos nos­sos olhos? Vejam:

RIOT Plugin

Uso um pro­gra­ma gra­tui­to cha­ma­do RIOT – acró­ni­mo de Radical Image Optimization Tool – para fazer a com­pres­são das fotos antes de as colo­car no blo­gue. O RIOT tan­to pode ser usa­do como plu­gin – uso-​o com o Gimp – como pode ser des­car­re­ga­do como uma apli­ca­ção. Usem-​no e ao fim de algu­mas fotos já terão pou­pa­do umas cen­te­nas de KB. Utilizadores de Mac podem usar o ImageOptim (tam­bém gra­tui­to). Malta do Linux é usar o Trimage. Para ima­gens em for­ma­to PNG - como a do cabe­ça­lho do blo­gue - uso uma fer­ra­men­ta onli­ne, o Kraken.

E pron­to. Muitas mais coi­sas podem aju­dar – CSS spri­tes, por exem­plo, ou qual­quer outro méto­do que tenham a ama­bi­li­da­de de men­ci­o­nar nos comen­tá­ri­os – mas geral­men­te dão mes­mo mui­to tra­ba­lho e há um limi­te para o que as minhas pan­ca­das me obri­gam a fazer - afi­nal tal­vez não seja como o tal velho­te do Volkswagen...

Para já, estou con­ten­te com os resul­ta­dos. Longe de ser per­fei­to, cla­ro, pois não sou um web­mas­ter e tenho a cer­te­za de que há ques­tões de usa­bi­li­da­de que estão mal resol­vi­das (e outras que nem me ocor­rem), mas em ter­mos de desem­pe­nho já bate, de lon­ge, os míni­mos olím­pi­cos. Era isso que que­ria. Espero que algu­ma das solu­ções vos dê jei­to.

E ago­ra adeus, vou beber um cafe­zi­nho!

Marco Santos

­ Marco Santos

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