Lembro-​me de uma web antes do Facebook e do Twitter. Era um lugar cons­truí­do para que as pes­so­as pudes­sem falar entre si, par­ti­lhar e cola­bo­rar na cons­tru­ção de coi­sas que con­tri­buís­sem para o bem comum.

Sim, tam­bém se publi­ca­vam fotos de gati­nhos e nos gabá­va­mos da fes­ta da noi­te ante­ri­or. Mesmo assim, havia uma for­ma dife­ren­te de se fazer as coi­sas que eu não sei expli­car bem. Havia menos ego e mais comu­ni­da­de.

Eu ain­da ado­ro a web e acre­di­to que vive­mos nes­ta rea­li­da­de, mes­mo que pos­sa pare­cer uma pers­pec­ti­va líri­ca da minha par­te.

Às vezes até per­co a fé nes­ta Web, mas aca­ba por sur­gir sem­pre algo fan­tás­ti­co e mara­vi­lho­so. Encontro um novo pro­jec­to Open Source no Github, um novo subred­dit ou um blog post que reú­ne pes­so­as e recur­sos para algo ver­da­dei­ra­men­te impor­tan­te.

Cidadania 2.0

Upload Lisboa

Foto: Bruno Amaral

A últi­ma coi­sa fan­tás­ti­ca que me devol­veu a fé na web foi o Cidadania 2.0.

É uma con­fe­rên­cia dedi­ca­da a mos­trar como se pode usar a web e fer­ra­men­tas soci­ais, fóruns e outros canais para pra­ti­car cida­da­nia e gover­na­ção de for­ma mais efi­caz e efi­ci­en­te.

Este ano o pro­gra­ma esta­va reple­to de pro­jec­tos novos, blogs e pla­ta­for­mas para aju­dar a com­pre­en­der o que se pas­sa na nos­sa rua ou o que pode­mos fazer para melho­rar o sis­te­ma de edu­ca­ção.

O Cidadania é tam­bém um pro­jec­to cons­truí­do pelo amor e dedi­ca­ção de três pes­so­as. Ana Neves, Ana Silva e Vitor Silva for­mam a equi­pa que todos os anos se esfor­ça para tra­zer a todos um even­to gra­tui­to de dia e meio. Um dia de apre­sen­ta­ções e uma manhã para conhe­cer pro­jec­tos recen­tes e ter a opor­tu­ni­da­de de falar cara a cara com as pes­so­as envol­vi­das.

Já vos dis­se que a entra­da é livre? Eu paga­ria de bom gra­do 50 euros ou mais para par­ti­ci­par e conhe­cer tan­tas pes­so­as inte­res­san­tes. Ainda assim, a equi­pa insis­te num even­to gra­tui­to. Compreende-​se a razão. Querem que seja aces­sí­vel a todos.

Podíamos ima­gi­nar que as ins­ti­tui­ções públi­cas e empre­sas do sec­tor esta­ri­am a lutar entre si para poder apoi­ar um even­to des­te géne­ro.

Infelizmente não me pare­ce que seja isso que está a acon­te­cer. Pelo menos não vi mui­tas orga­ni­za­ções na lis­ta de patro­cí­ni­os. E o con­teú­do da con­fe­rên­cia é inte­res­san­te para eles. A mai­o­ria dos pro­jec­tos desa­fia o sta­tus quo e pro­põe novos mode­los de gover­na­ção e toma­da de deci­são. Na minha pers­pec­ti­va, todas as câma­ras muni­ci­pais devem estar enver­go­nha­das por não estar pre­sen­tes no Cidadania 2.0 e na lis­ta de patro­ci­na­do­res.

As pessoas

Todas as boas his­tó­ri­as pre­ci­sam de um herói. Certo?

O meu ami­go Basílio deci­diu usar a Web e os canais de soci­al media para pres­si­o­nar ins­ti­tui­ções públi­cas a fazer o seu tra­ba­lho de tor­nar uma rua mais segu­ra para os cida­dãos. Foram pre­ci­sos dois anos para os con­ven­cer a fazer o tra­ba­lho que já é supos­to esta­rem a fazer. Pensem nis­to: tive­ram de ser pres­si­o­na­dos a fazer o tra­ba­lho que lhes com­pe­te.

Contei esta his­tó­ria na BledCom, e podem encon­trar os sli­des aqui.

Upload Lisboa

Upload Lisboa

Um encon­tro entre pes­so­as: os ava­tars fica­ram em casa.

Isto é mais sobre o futu­ro. No sába­do pas­sa­do, 4 de Outubro, a comu­ni­da­de de mar­ke­ting digi­tal e soci­al media em Portugal este­ve pre­sen­te no Upload Lisboa. Falou-​se do Facebook, do Twitter, de estu­dos de caso e das melho­res prá­ti­cas, como era de espe­rar. Falou-​se do que é novo e exci­tan­te por­que é de fac­to novo e exci­tan­te e mos­tra um poten­ci­al enor­me.

E fiquei con­ten­te por­que se falou um boca­di­nho des­ta Web de que eu gos­to tan­to. A Molly falou de cri­ar con­teú­do que seja de fac­to útil e rele­van­te para as pes­so­as. O Stephen falou-​nos de como as empre­sas devem rea­gir a ques­tões de cri­se. E nos dois casos o pon­to cha­ve era a cri­a­ção de rela­ções entre as pes­so­as.

A gran­de con­clu­são que eu tirei foi a de que o pai­nel do Upload Lisboa pro­vou que o Facebook per­deu o bri­lho. Os case stu­di­es apre­sen­ta­dos já não se focam tan­to no site azul escu­ro; as cri­ses onli­ne mos­tra­das come­ça­ram nos moto­res de bus­ca, no Twitter e nos blogs; os bons exem­plos vie­ram de mar­cas que ten­tam comu­ni­car de for­ma dire­ta e em tem­po real.

E sim, falou-​se de blogs. Durante o even­to cri­ei um peque­no live blog, com­pos­to pelo stre­am de Instagram e de Twitter para #uplx2014 e onde se viam twe­ets selec­ci­o­na­das para cada momen­to do pro­gra­ma. 150 pes­so­as che­ga­ram ao live­blog e foram usan­do para seguir o que se dizia entre a pla­teia.

Não foi no Facebook que se deu a con­ver­sa e se cri­a­ram rela­ções de ami­za­de.

Bruno Amaral

­ Bruno Amaral

Estratégia Digital. Ciclismo urbano. Empenhado cafeínista.