Palmyra, do ara­mai­co «Tadmor» (pal­mei­ra), outro­ra com a alcu­nha de «noi­va do deser­to», des­can­sa no cen­tro da Síria, num oásis loca­li­za­do 210 km a nor­des­te de Damasco.

Paragem obri­ga­tó­ria para os nóma­das que atra­ves­sa­vam as arei­as daque­le país, é hoje um pon­to for­te para o turis­mo da região.

A cida­de man­tém ruí­nas de tem­plos dedi­ca­dos a divin­da­des de vári­as cul­tu­ras, entre elas a babi­ló­ni­ca, a assí­ria e a meso­po­tâ­mi­ca. É tal a miría­de de influên­ci­as que a UNESCO - que con­si­de­rou Palmyra patri­mó­nio mun­di­al - indi­ca que, já entre os sécu­los I e II da nos­sa era, a catár­ti­ca povo­a­ção jun­ta­va ele­men­tos da cul­tu­ra greco-​romana, locais e per­sas.

Notável a impo­nên­cia e até resi­li­ên­cia daque­las cons­tru­ções, a mai­o­ria eri­gi­da em home­na­gem a uma pro­vá­vel ver­são do deus Baal, deno­mi­na­da Bol, pro­tec­tor dos deu­ses do sol e da lua. Pode dizer-​se que Palmyra era, no seu auge comer­ci­al e civi­li­za­ci­o­nal, um balu­ar­te da cul­tu­ra e arqui­tec­tu­ra mun­di­ais.

Palmyra está em peri­go - o Estado islâ­mi­co aproxima-​se e pode dei­tar tudo a per­der, em nome daa des­trui­ção que já cau­sa­ram em Mosul, por exem­plo, e que pro­cu­ram legi­ti­mar dizen­do que a luta é con­tra a ido­la­tria.

Não me alon­ga­rei quan­to à reli­gião; estou a ler o Corão e terei opor­tu­ni­da­de de escre­ver um arti­go dedi­ca­do ape­nas ao tema e fazer dele um apa­nha­do, quan­do ter­mi­nar.

Posso dizer isto: que­rer des­truir heran­ças des­tas não é reli­gi­o­so, não é espi­ri­tu­al e não é huma­no. Esse dese­jo de caos não é pro­du­ti­vo e ape­nas vai trans­for­man­do nega­ti­va­men­te a memó­ria do Homem, pri­van­do a sua expe­ri­ên­cia de uma magia que já escas­seia sem pre­ci­sar de uma escu­ri­dão deli­be­ra­da.

Vamos ver. Palmyra sobre­vi­veu a uma ten­ta­ti­va inva­so­ra de Marco António em 41 AC e con­se­gui ser redes­co­ber­ta após um ter­ra­mo­to em 1089, que pare­cia ter escon­di­do o que dela res­ta­va. Torçamos para que aguen­te uma (últi­ma?) vez.

Ana Costa

­Ana Costa

Cientista da informação. Escritora. Futura pobre e campista.