Os bono­bos são uns que­ri­dos fodi­lhões. Palavra de hon­ra que não encon­tro melhor expres­são para des­cre­ver estes chim­pan­zés. Podia ter expe­ri­men­ta­do «fodi­lhões fofi­nhos», «bichi­nhos fodi­lhões» ou qual­quer outra seme­lhan­te – lá está, des­de que man­ti­ves­se a pala­vra «fodi­lhões», tudo con­ti­nu­a­ria a fazer sen­ti­do.

E se o meu caro faz par­te da mino­ria de visi­tan­tes des­te blo­gue que se inco­mo­da em ler tan­tas asnei­ras, fique des­de já a saber que aqui se defen­de a teo­ria segun­do a qual uma pala­vra asnei­ren­ta só é ordi­ná­ria se o con­tex­to da fra­se for ordi­ná­rio.

Ora, acon­te­ce que os bono­bos não são gros­sei­ros nem ordi­ná­ri­os – são puros e, ao mes­mo tem­po, fodem por tudo e por nada. Que pode um pobre mor­tal fazer para resol­ver esta con­tra­di­ção tão cris­tã entre sexo e pure­za, exce­to sus­pi­rar pelos lon­gín­quos tem­pos em que tínha­mos deu­ses para a vinha­ça e o baca­nal, e nenhum para a ver­go­nha?

E sai­bam tam­bém que estes mag­ní­fi­cos espé­ci­mes (e não a nos­sa páli­da imi­ta­ção expe­ri­men­ta­da nas déca­das de 60 e 70) são os ver­da­dei­ros per­cur­so­res do céle­bre «Make Love, Not War».

Com estes chim­pan­zés «hip­pi­es» a bada­lho­qui­ce está garan­ti­da, mas a paz do Senhor tam­bém.

Andam à pino­ca­da para resol­ver con­fli­tos, adqui­rir sta­tus, con­quis­tar afe­to e até redu­zir o stress. Na ver­da­de, toda a estru­tu­ra soci­al do bono­bo assen­ta no sexo. Macho com fêmea, macho com macho, fêmea com fêmea, jovens adul­tos com velhos, velhos com jovens adul­tos – é tudo mal­ta mui­to sociá­vel.

E não se tra­ta daque­le sexo à can­za­na tão típi­co dos mamí­fe­ros menos sofis­ti­ca­dos nes­tas artes, como os leões, os cães e os ski­nhe­ads, é sexo saí­do das pró­pri­as pági­nas do Kama Sutra: os bono­bos expe­ri­men­tam vári­as posi­ções com dedi­ca­ção de bibli­o­te­cá­rio, beijam-​se como um casal de pom­bi­nhos e conhe­cem o sig­ni­fi­ca­do das pala­vras cun­ni­lin­gus e fel­la­tio como qual­quer pro­fes­sor de Latim.

Juntamente com os chim­pan­zés comuns – mais agres­si­vos e menos fodi­lhões, por sinal – par­ti­lham uns 98, 3 por cen­to dos nos­sos genes.

Talvez estes dois chim­pan­zés de per­so­na­li­da­des tão dife­ren­tes nos aju­dem a per­ce­ber melhor os con­fli­tos da Humanidade, divi­di­da entre a heran­ça do bono­bo baca­no e a do chim­pan­zé comum.

Marco Santos

­Marco Santos

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