Levantem esse rabo da cadei­ra e come­mo­rem, ó bar­ri­gas de cer­ve­ja. O sema­ná­rio Sol aca­bou de des­co­brir que os homens com uma gran­de pan­ça são melho­res par­cei­ros sexu­ais do que aque­les que a têm lisa.

Daqui em dian­te, sem­pre que uma mulher se cru­zar com um homem a trans­por­tar a bar­ri­ga num car­ri­nho de mão, irá olhá-​lo como uma opor­tu­ni­da­de de pra­zer. Ela pode­rá até dizer, para­fra­se­an­do o gran­de poe­ta e dra­ma­tur­go fran­cês Alfred de Musset: «Eis uma bela noi­te que ali vai!»

Sol

O sema­ná­rio Sol cita um estu­do da Universidade de Kayseri, na Turquia. Desocupado como sou, dei-​me ao tra­ba­lho de des­car­re­gar o PDF e ler aqui­lo. Surpresa: em nenhum momen­to é men­ci­o­na­da a qua­li­da­de da rela­ção sexu­al. Só quan­do se refe­re que a obe­si­da­de não é sau­dá­vel e pode cau­sar dis­fun­ção eréc­til.

Mas pen­so que por esta altu­ra toda a gen­te já esta­rá fami­li­a­ri­za­da com o fenó­me­no do click­bait, não é?

O estu­do esta­be­le­ce uma cor­re­la­ção entre o índi­ce de mas­sa cor­po­ral e a eja­cu­la­ção pre­co­ce. Partindo de uma amos­tra de 200 homens, os inves­ti­ga­do­res tur­cos obser­va­ram que aque­les que pos­suíam um índi­ce de mas­sa cor­po­ral mai­or dura­vam, em média, 7.3 minu­tos na cama. Já os homens com menor índi­ce de mas­sa cor­po­ral aguentavam-​se, em média, menos dois minu­tos.

Segundo os inves­ti­ga­do­res, a pro­vá­vel res­pon­sá­vel para o com­por­ta­men­to meri­tó­rio do bar­ri­gu­do na nobre arte de afo­gar o gan­so é a pre­sen­ça, na zona do abdó­men, de uma hor­mo­na sexu­al femi­ni­na cha­ma­da estra­di­ol. Mais do que ima­gi­nar o Donald Trump ou os car­ta­zes autár­qui­cos do CDS, essa hor­mo­na ini­be o orgas­mo nos homens e adia o ine­vi­tá­vel.

O amor não escolhe barrigas

O amor não escolhe barrigas

Mas mes­mo que as con­clu­sões do estu­do jus­ti­fi­cas­sem o títu­lo e a peça do Sol, estes con­ti­nu­a­ri­am a ser enga­na­do­res. Eu não sou nenhum espe­ci­a­lis­ta no assun­to, mas nun­ca ouvi uma mulher dizer que a dura­ção do ato é sem­pre sinó­ni­mo de qua­li­da­de. Uma rapi­di­nha pode ser mais exci­tan­te para ela do que uma lon­ga e peno­sa ses­são de jog­ging hori­zon­tal.

O Semanário Sol está con­ven­ci­do que exis­te uma rela­ção inque­brá­vel entre dura­ção e qua­li­da­de. Até pode ser o caso, pon­tu­al­men­te, mas tam­bém é fácil ima­gi­nar uma pobre mulher escar­ra­pa­cha­da entre as molas da cama e as banhas do par­cei­ro, con­sul­tan­do o reló­gio men­tal só para cal­cu­lar a que horas é que aqui­lo esta­rá des­pa­cha­do.

O arti­go do Sol deve ter sido escri­to por um tipo. Não tenho a cer­te­za, cla­ro, mas apos­to que sim. E é com­pre­en­sí­vel. Os tem­pos são difí­ceis para nós. A con­ver­sa que os homens cos­tu­ma­vam ter nas caver­nas da men­te com a pró­pria pila sem­pre foi mui­to sim­ples e fron­tal.

«Queres?» «Bora!» «Correu bem?» «Sim, dis­se tudo o que tinha a dizer duran­te o tem­po em que pre­ci­sei de o dizer. Sabes que nun­ca fui de gran­des dis­cur­sos, gos­to de ser sucin­to.» «Boa, esta­mos satis­fei­tos então, até à pró­xi­ma.» «O quê, não vamos sair para beber uma cer­ve­ji­nha?»

Pilinhas milenares

As pilas do sécu­lo XXI já não podem ser como anti­ga­men­te. Querem-​se mais civi­li­za­das. Têm de se calar e saber ouvir por­que — e isto foi uma gran­de sur­pre­sa — as par­cei­ras tam­bém que­rem dizer mui­ta coi­sa duran­te o tem­po em que pre­ci­sam de o dizer. E fala­rem os dois ao mes­mo tem­po sem dei­xa­rem de se ouvir, requer algu­ma prá­ti­ca.

Não só temos de con­si­de­rar ques­tões de tama­nho e con­sis­tên­cia, como tam­bém algu­mas noções de eti­que­ta sexu­al. Ter boas manei­ras à mesa, por assim dizer. Não admi­ra que algu­mas bar­ri­gas cres­çam. É capaz de ser uma for­ma de rebel­dia. E depois, para pio­rar, os bar­ri­gu­dos come­çam a falar sozi­nhos com mais frequên­cia do que dese­ja­ri­am.

Mas não deses­pe­res, meu caro ami­go civi­li­za­do com um bor­da­lo a con­di­zer. Nada como rela­ti­vi­zar as coi­sas. Ter uma pers­pe­ti­va mais abran­gen­te do mun­do que te rodeia e da tua impor­tân­cia no pla­ne­ta.

Por exem­plo, até podes vangloriar-​te que a tua pila é tão gran­de que pre­ci­sas de dobrá-​la quan­do te sen­tas, mas have­rá sem­pre um ele­fan­te que se ri de ti por teres uma trom­bi­nha peque­ni­na. Sim, vi esta pia­da num car­to­on. É de uma enor­me sapi­ên­cia.

O melhor é dar-​lhe com tudo — mas não no sen­ti­do mar­te­lo pneu­má­ti­co da expres­são, por favor, não sejas como o tipo que escre­veu aque­la notí­cia. A pro­pó­si­to: não ligues aos títu­los do Semanário Sol e tem mas é cui­da­do com a bar­ri­gui­nha. Não a dei­xes cres­cer em dema­sia. Há pilas sorum­bá­ti­cas, pilas galho­fei­ras, pilas pre­ci­pi­ta­das, mas nada é mais lamen­tá­vel do que uma pila invi­sí­vel.

Marco Santos

­Marco Santos

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