Se pen­sar­mos nos con­cei­tos de Comunicação, Marketing e Propaganda como pes­so­as, então temos aqui um tri­ân­gu­lo amo­ro­so foto­no­ve­les­co.

A Comunicação é uma rapa­ri­ga sim­pá­ti­ca, boni­ta, ele­gan­te, preocupa-​se com aqui­lo que ves­te mas sem exa­ge­ros. É obser­va­do­ra e gos­ta de con­ver­sar, pois ten­ta sem­pre pas­sar as suas idei­as atra­vés do diá­lo­go, gos­ta de ser com­pre­en­di­da e de com­pre­en­der.

A Comunicação tem um mari­do cha­ma­do Marketing, que é um tipo de aspec­to mui­to agra­dá­vel, sim­pá­ti­co e cui­da­do, menos tími­do e mais sociá­vel. A Comunicação acha que ele é o tipo mais giro que algu­ma vez viu, admira-​lhe o enge­nho e a cri­a­ti­vi­da­de, e vai fechan­do os olhos ao res­to.

Ele é tam­bém um exce­len­te con­ver­sa­dor, embo­ra não se inte­res­se mui­to pelo diá­lo­go em si, ou seja, a con­ver­sa é ape­nas um meio de ten­tar eli­mi­nar ou incen­ti­var as idei­as do inter­lo­cu­tor, con­so­an­te a sua pró­pria con­ve­ni­ên­cia. Quando acor­da mal dis­pos­to, e isso tem sido cada vez mais fre­quen­te, o Marketing põe-​se a pen­sar que adi­vi­nhar os dese­jos e neces­si­da­des das pes­so­as é coi­sa para ama­do­res. O que está a dar, pen­sa ele enquan­to lava os den­tes, é con­ven­cer as pes­so­as que pre­ci­sam daqui­lo que ele tem para ofe­re­cer, mes­mo que na ver­da­de não pre­ci­sem – o iPhone, por exem­plo.

Nos seus sonhos mais febris, o Marketing dese­ja ape­nas ven­der neces­si­da­des e dese­jos que ele pró­prio inven­ta, vendo-​se como um triun­fal ven­de­dor de sonhos de sor­ri­so irre­sis­ti­vel­men­te bran­co. Põe-​se a esco­var os den­tes com mais for­ça e pede que lhe cha­mem Publicidade ou O Artista Anteriormente Conhecido Como Marketing.

Foi essa fra­que­za que o apro­xi­mou da Propaganda.

A Propaganda é uma cabra cheia de cirur­gi­as plás­ti­cas, mas con­ti­nua boni­ta que se far­ta, fez uma nova ope­ra­ção para aumen­tar as mamas e sabe ser mui­to, mui­to per­su­a­si­va. Não olha a mei­os para atin­gir os seus fins e, por isso, foi-​lhe fácil sedu­zir o Marketing e levá-​lo para cama. Embora de vez em quan­do gos­te de dar a cara, pre­fe­re agir à som­bra do aman­te.

A úni­ca dúvi­da exis­ten­ci­al que tem de momen­to – e ela é uma pes­soa que nun­ca tem dúvi­das des­se tipo – é sobre a natu­re­za da sua rela­ção com o Marketing. Não sabe ain­da mui­to bem o que lhe dá mais gozo, se comer o boni­tão do Marketing ou encor­nar aque­la enjo­a­di­nha da Comunicação.

Quanto ao Marketing, terá de deci­dir com quem quer viver.

Pronto, já apa­guei o char­ro.

Marco Santos

­ Marco Santos

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