Um dia ain­da vamos ver a IURD — Igreja Universal do Reino de Deus — a mon­tar o cir­co nas urgên­ci­as e a rece­ber das taxas mode­ra­do­ras, gra­ças ao sec­tor char­la­tão do Bloco de Esquerda.

Não, nada temam, pois a IURD só tem cli­en­te­la pobre e o negó­cio do BE afi­nal é só mes­mo o cavi­ar.

Ao menos o negó­cio da água engar­ra­fa­da — tão dia­bo­li­za­do pela esquer­da — não enga­na o cli­en­te: toda a gen­te sabe que é ape­nas água; já a home­o­pa­tia ven­de água da tor­nei­ra com mui­tís­si­mo mais lucro e é-​lhe per­mi­ti­do chamar-​lhe medi­ca­men­to, luxo a que nem a Igreja Católica Apostólica Romana se pode dar com a água ben­ta.

Não é jus­to, pelas leis de mer­ca­do, que o BE este­ja a favo­re­cer o car­tel da char­la­ta­ni­ce bur­gue­sa em detri­men­to da char­la­ta­ni­ce das mas­sas.

A reli­gião é o ópio do povo, mas a char­la­ta­ni­ce pós-​modernista, boa-​onda, das mer­di­ci­nas de alter­ne e das die­tas de auto­es­ti­ma são a reli­gião do urba­noi­de for­ça­do a viver abai­xo das suas qua­li­fi­ca­ções pro­fis­si­o­nais e aspi­ra­ções de vida.

Nem o Marx quis com aque­la expres­são ata­car a reli­gião ou dimi­nuir o povo, nem eu com isto que­ro impe­dir nin­guém de seguir e pra­ti­car as suas cren­ças irra­ci­o­nais.

O que está aqui em jogo é ter a noção de que aque­les que tão fre­quen­te­men­te acu­sam os demais de esta­rem ali­e­na­dos e serem car­nei­ros, urgindo-​os a acor­dar, são aque­les que sob a ver­gas­ta do capi­ta­lis­mo (na for­ma do desem­pre­go e da injus­ti­ça soci­al) se entre­gam ao seu pró­prio cir­co de esti­ma­ção e o minis­tram às mas­sas como par­te da solu­ção.

Da pró­xi­ma vez que ouvir um des­ses esquer­dis­tas escar­ne­cer das alu­ci­na­ções de Fátima — ou pior ain­da: dos pere­gri­nos na ber­ma ine­xis­ten­te das estra­das naci­o­nais —, pergunte-​lhe quan­do foi pela últi­ma vez ao home­o­pa­ta. Ria com ele, cho­re por den­tro.

Carlos Daniel Abrunheiro

­Carlos Daniel Abrunheiro

Músico autodidata, Físico não praticante.