A revis­ta Blitz anda um boca­do atra­sa­da. Falou na des­co­ber­ta da can­ção mais rela­xan­te do mun­do vári­os anos depois. No con­tex­to do arti­go até podia falar de algum rela­xa­men­to edi­to­ri­al. Mas não é gra­ve, estou na brin­ca­dei­ra, trata-​se ape­nas de uma peque­na dis­tra­ção que pode acon­te­cer a qual­quer pes­soa.

A Blitz anuncia-​a num arti­go publi­ca­do há seis dias, mas a «des­co­ber­ta» foi publi­ca­da a 17 de outu­bro de 2011 na Shorlist Magazine e eu lembro-​me de tê-​la lido nes­sa data.

A can­ção mais rela­xan­te do mun­do, já ago­ra, é «Weightless», dos Marconi Union.

Esta ban­da ingle­sa e um gru­po de tera­peu­tas do som des­co­bri­ram assim a pól­vo­ra nes­se lon­gín­quo ano de 2011. Na ver­da­de, a ideia é pro­du­zir o efei­to con­trá­rio à pól­vo­ra (a não ser que te cha­mes Steven Seagal e o som de uma explo­são te dei­xe par­ti­cu­lar­men­te rela­xa­do).

Os espe­ci­a­lis­tas e os Marconi Union compilaram-​na e tocaram-​na a um gru­po de 40 mulhe­res. A can­ção era «mais efe­ti­va no pro­ces­so de rela­xa­men­to do que Mozart, Enya e Coldplay». Mozart ain­da vá, mas rela­xar ao som de Coldplay? Pessoalmente pre­fe­ria a pól­vo­ra.

A canção mais relaxante do mundo

Esta sen­sa­ção de «leve­za» é con­se­gui­da usan­do «rit­mos, tons, frequên­ci­as e inter­va­los mui­to espe­cí­fi­cos», de for­ma a rela­xar o ouvin­te.

As ses­sen­ta bati­das por minu­to (BPM: Beats Per Minute) fazem com que «as ondas cere­brais e o cora­ção se sin­cro­ni­zem com o rit­mo». É um pro­ces­so conhe­ci­do como «Entrainment» (o Google diz que sig­ni­fi­ca arras­ta­men­to). «Tons gra­ves com uma qua­li­da­de tran­ce» aju­dam assim a trans­por­tar o ouvin­te para um esta­do de pro­fun­do rela­xa­men­to.

Ora bem, os que não conhe­cem podem ouvi-​la e rela­xar, se qui­se­rem, com a pre­ci­o­sa cola­bo­ra­ção das fotos de Bob Sala.

Bob Sala

Funciona com vocês? Se sim, ain­da bem! A can­ção mais rela­xan­te do mun­do a mim dei­xa mais boce­ja­do que rela­xa­do, mas boce­jar tam­bém é bom.

Eu pre­fi­ro outros modos de via­jar ao mun­do da Lua e socorro-​me do velho e sem­pre fiá­vel Brian Eno e da ban­da sono­ra que compôs para um docu­men­tá­rio da NASA sobre as mis­sões Apollo (estão a ver, aque­las que os ame­ri­ca­nos aldra­ba­ram).

Leveza por leveza, tomem lá a minha

Bob Sala

Brian Eno reu­niu o irmão Roger e o músi­co cana­di­a­no Daniel Lanois e escre­veu «Apollo: Atmospheres and Soundtracks». E cri­ou uma peque­na mara­vi­lha do relax, oiçam lá.

Al Reinert, rea­li­za­dor do docu­men­tá­rio, come­çou a entre­vis­tar os astro­nau­tas em 1976 e os homens par­ti­lha­ram recor­da­ções úni­cas da expe­ri­ên­cia. Reinert gra­vou qua­se 80 horas de entre­vis­tas, o que aca­bou por cons­ti­tuir gran­de par­te do docu­men­tá­rio «For All Mankind».

Aos depoi­men­tos dos astro­nau­tas, juntaram-​se cen­te­nas de fil­mes que fize­ram na Lua, todos revis­tos, edi­ta­dos e mon­ta­dos. Já os géni­os con­ven­ci­dos de que a alu­na­gem foi um embus­te fil­ma­do num estú­dio secre­to da NASA pelo Stanley Kubrick, deve­rão pre­fe­rir outras músi­cas para rela­xar.

Marco Santos

­ Marco Santos

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