O SAPO come­mo­ra 18 anos de exis­tên­cia e tem sido par­te mui­to impor­tan­te da minha há pou­co mais de dois. Deve ser a pri­mei­ra vez na vida que me sin­to real­men­te orgu­lho­so por fazer par­te de um pro­je­to pro­fis­si­o­nal.

Estou inte­gra­do na equi­pa que gere e edi­ta o por­tal do Sapo. Faço-​o a par­tir de casa por tra­ba­lhar numa empre­sa moder­na que colo­ca a tec­no­lo­gia ao ser­vi­ço das pes­so­as.

À pri­mei­ra vis­ta, o tra­ba­lho pare­ce fácil: interage-​se com uma base de dados mui­to intui­ti­va, gere-​se o flu­xo de infor­ma­ção e escolhem-​se as notí­ci­as a des­ta­car.

Canja, cer­to? Longe dis­so.

Tudo o que impli­ca abdi­car do meu pon­to de vis­ta (por­que estou a ser­vir um pro­je­to e não o meu ego) aca­ba por revelar-​se mui­to mais com­pli­ca­do e exi­gir total con­cen­tra­ção. Por mais von­ta­de que tenha de valo­ri­zar uma notí­cia sobre Astronomia ou igno­rar mais uma vitó­ria do FC Porto, a ver­da­de é que, ao con­trá­rio do blo­gue, no por­tal do Sapo o mun­do não gira à vol­ta dos meus gos­tos, inte­res­ses e idi­os­sin­cra­si­as.

Isto pare­ce uma lição bási­ca de pro­fis­si­o­na­lis­mo e sem dúvi­da que é – mas depois de mui­tas horas, dias, sema­nas e meses a gerir infor­ma­ção e as vári­as sen­si­bi­li­da­des de quem as envia, é a apli­ca­ção con­tí­nua des­sas lições bási­cas que te aju­da a man­ter no cami­nho cer­to.

A minha gra­ti­dão para com o Sapo não tem só a ver com o fac­to de me terem con­tra­ta­do quan­do esta­va no desem­pre­go.

Juntamente com os res­tan­tes ele­men­tos da equi­pa, sou res­pon­sá­vel duran­te o meu tur­no por esco­lher a visi­bi­li­da­de das notí­ci­as de um por­tal com mais de um milhão de visi­tan­tes diá­ri­os vin­dos de todos os can­tos do mun­do onde se fala e escre­ve em por­tu­guês.

Excetuando algu­mas ins­tru­ções pon­tu­ais da che­fia, des­de o pri­mei­ro momen­to em que me colo­ca­ram o gigan­tes­co batrá­quio nas mãos sen­ti que esta­vam a con­fi­ar esse «poder» nos meus cri­té­ri­os jor­na­lís­ti­cos e na capa­ci­da­de de ser isen­to.

Ser tra­ta­do como coi­sa dis­pen­sá­vel num sítio e como um pro­fis­si­o­nal dig­no de con­fi­an­ça nou­tro ajudou-​me a acre­di­tar em mim, nas outras pes­so­as e deixou-​me com uma enor­me dívi­da de gra­ti­dão. No Sapo pos­so sentir-​me can­sa­do ao fim de um tur­no, mas é mui­to raro sentir-​me pre­gui­ço­so quan­do o ini­cio.

Às vezes as pes­so­as ficam sur­pre­en­di­das quan­do digo que a melhor coi­sa que me acon­te­ceu na vida nos últi­mos dois anos foi ter sido des­pe­di­do. A razão é sim­ples: foi a melhor coi­sa que me acon­te­ceu por­que ago­ra tra­ba­lho no Sapo.

Marco Santos

­ Marco Santos

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