Estudantes de dou­to­ra­men­to do LHC (Large Hadron Collider) roda­ram, inter­pre­ta­ram, rea­li­za­ram e pro­du­zi­ram um fil­me de ter­ror com zom­bi­es pas­sa­do (e fil­ma­do) nas ins­ta­la­ções do CERN.

O trai­ler já se encon­tra onli­ne. «Decay» estreia no final de novem­bro e será depois dis­tri­buí­do gra­tui­ta­men­te atra­vés de uma licen­ça Creative Commons.

A his­tó­ria de «Decay» não dife­re mui­to da dos típi­cos fil­mes de zom­bi­es, ou seja, pos­sui três fases ini­ci­ais dis­tin­tas: a fase maté­ria negra («O que se pas­sa aqui e por que razão não vejo nada?»); a fase este­lar («Meu Deus, está cheio de zom­bi­es!»); a cha­ma­da fase de desen­vol­vi­men­to pro­gres­si­vo ace­le­ra­do («Fujam, fosga-​se, fujam!»)

(o res­to não se con­ta, para não per­der a gra­ça).

Em «Decay», um peque­no gru­po de físi­cos pas­sa então por um mau boca­do quan­do fun­ci­o­ná­ri­os das equi­pas de manu­ten­ção do mai­or ace­le­ra­dor de par­tí­cu­las do mun­do são expos­tos ao bosão de Higgs, «decain­do» para um esta­do de mortos-​vivos e perseguindo-​os pelos túneis, seden­tos de san­gue e car­nes mal pas­sa­das.

(É pre­ci­so ter em con­ta que o fil­me é fei­to por físi­cos, por isso as pes­so­as não se trans­for­mam em mortos-​vivos, deca­em. Metamorfose é coi­sa de bió­lo­gos e escri­to­res.)

Luke Zombiewalker

Decay Decay

O que raio terá pas­sa­do pela caro­la des­tes estu­dan­tes para se lan­ça­rem numa aven­tu­ra cine­ma­to­grá­fi­ca des­tas? Coisas boas, tenho a cer­te­za abso­lu­ta.

Não digo que se sen­ta­ram nos túneis a fumar bro­cas enquan­to os pro­tões anda­vam a mar­rar uns com os outros, mas algu­ma coi­sa lhes bateu for­te. Talvez tenham enro­la­do cigar­ros com o papel onde as equa­ções do Modelo Padrão foram escri­tas. Isso já seria sufi­ci­en­te para lhes dar uma moca das valen­tes.

Depois de tan­tos anos a penar por resul­ta­dos, tal­vez alguém no CERN tenha pen­sa­do que seria mais pro­vá­vel encon­trar zom­bi­es nos túneis do que des­co­brir o raio do bosão de Higgs. Talvez até fos­se mais diver­ti­do.

Alguém terá obser­va­do aque­les túneis com os olhos do George A. Romero e pen­sa­do «Uau, isto dava um cená­rio bes­ti­al para um fil­me de ter­ror. Imaginem como seria fixe ser per­se­gui­do por uma tri­bo de zom­bi­es aqui».

Com perseverança consegue-​se tudo

Com perseverança consegue-se tudoE foi mes­mo assim que come­çou: como pia­da.

O estu­dan­te da Universidade de Manchester Luke Thompson (escre­veu o argu­men­to e rea­li­zou o fil­me) já anda­va a falar de zom­bi­es nos túneis des­de 2010, mas o que come­çou como mera ane­do­ta entre cole­gas aca­bou por transformar-​se

(per­dão, decair)

... numa ideia a sério. Cheio de ini­ci­a­ti­va e mui­ta per­se­ve­ran­ça, o intré­pi­do Luke Thompson con­se­guiu pou­par duas mil libras para o orça­men­to do fil­me (qua­se 2500 euros) e pro­va­vel­men­te obter uma auto­ri­za­ção faz de con­ta que não sabe­mos de nada do CERN.

Depois jun­tou uma equi­pa de 20 pes­so­as (estu­dan­tes de dou­to­ra­men­to como ele) e meteu mãos à obra. O resul­ta­do é uma lon­ga metra­gem de 75 minu­tos que pode­rá ser vis­ta daqui a pou­co mais de um mês na pági­na ofi­ci­al do fil­me.

Os mari­qui­nhas com medo que o Grande Colisionador de Hadrões venha a dar ori­gem a um bura­co negro que engo­li­rá a Terra e todos os seus fins de mun­do pos­sí­veis, não fazem obvi­a­men­te ideia do ver­da­dei­ro peri­go que cor­re­mos.

Marco Santos

­ Marco Santos

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