A Warner Brothers quer fil­mar a pre­que­la de The Shining, o pro­ver­bi­al fil­me de ter­ror do mes­tre Kubrick. Quem vai escre­ver o argu­men­to, aca­bei de con­fir­mar, é Glen Mazzara, argu­men­tis­ta e pro­du­tor exe­cu­ti­vo da ter­cei­ra tem­po­ra­da da série The Walking Dead.

The Shining é um dos meus fil­mes de cabe­cei­ra, foi rea­li­za­do por um dos meus pre­fe­ri­dos, Stanley Kubrick, por­tan­to a ideia de uma pre­que­la made in Hollywood é mais assus­ta­do­ra do que a apa­ri­ção das irmãs géme­as do fil­me ori­gi­nal.

O que vai desen­can­tar o res­pon­sá­vel pela ter­cei­ra tem­po­ra­da da série de zom­bi­es de mai­or suces­so na his­tó­ria da tele­vi­são? Não se sabe. Farto de tan­ta espe­cu­la­ção na Web sobre a pos­si­bi­li­da­de de o pro­je­to ir ou não para a fren­te, apro­vei­tei as van­ta­gens do Twitter e envi­ei uma men­sa­gem ao pró­prio Mazzara.

«All work and no play makes Glen Mazzara a dull boy. Is it true or just a rumour?» – perguntei-​lhe, a armar-​me em engra­ça­di­nho a ver se pega­va. E de fac­to ele respondeu-​me pou­cas horas depois: «Sim. Estou a tra­ba­lhar nis­so nes­te momen­to».

E pron­to. Vai mes­mo contar-​se uma his­tó­ria do que acon­te­ceu antes de Jack Torrance e famí­lia terem che­ga­do ao Hotel Overlook.

Que his­tó­ria? Por enquan­to só dá para espe­cu­lar. Kubrick base­ou o argu­men­to no livro de Stephen King, publi­ca­do em 1977. O rea­li­za­dor pas­sou à fren­te do pró­lo­go, Before the Play, onde se con­ta o pas­sa­do do hotel e algu­mas his­tó­ri­as arre­pi­an­tes – o pró­prio escri­tor che­gou a admi­tir que só esse pre­lú­dio podia dar um fil­me inte­res­san­te, mas é pos­sí­vel que Mazzara este­ja a escre­ver mate­ri­al total­men­te ori­gi­nal.

King, que nun­ca escon­deu ter detes­ta­do a adap­ta­ção de Kubrick, não pare­ce estar mui­to ansi­o­so que se use o pró­lo­go como pon­to de par­ti­da para uma pre­que­la. Em pri­mei­ro lugar, por uma ques­tão de direi­tos: «O livro é tão anti­go que não sei se os direi­tos já não terão vol­ta­do para mim, é uma coi­sa a ver», afir­mou o escri­tor numa entre­vis­ta publi­ca­da em feve­rei­ro des­te ano pela Entertainment Weekly. – «Se estou ansi­o­so para que essa pre­que­la acon­te­ça? Não, não estou.»

«Não digo que farei parar o pro­je­to, por­que eu até sou um tipo por­rei­ro», res­sal­vou King. – «Quando era miú­do, a minha mãe disse-​me: ‘Stephen, se fos­ses uma rapa­ri­ga esta­ri­as sem­pre grá­vi­da’. Tendo a per­mi­tir que as pes­so­as desen­vol­vam as coi­sas, até por­que fico sem­pre curi­o­so em ver o que acon­te­ce. Mas se não acon­te­cer, fico feliz à mes­ma.»

Uma curi­o­si­da­de: Mazzara subs­ti­tuiu Frank Darabont no leme de The Walking Dead a par­tir da segun­da meta­de da segun­da tem­po­ra­da. Darabont – cuja saí­da da série se deveu a «dife­ren­ças cri­a­ti­vas» – já adap­tou vári­as obras de King e é mes­mo o pre­fe­ri­do do escri­tor.

Stephen King tam­bém anda a revi­si­tar a his­tó­ria que deu ori­gem ao fil­me de Kubrick, mas em sen­ti­do con­trá­rio ao de Glen Mazzara: está a escre­ver a seque­la de The Shining – a con­ti­nu­a­ção da his­tó­ria chamar-​se-​á Doctor Sleep. Haverá tam­bém uma seque­la do fil­me?

Marco Santos

­ Marco Santos

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