A Dark Song, do estre­an­te Liam Gavin, tem sido um meni­no boni­to da crí­ti­ca des­de que saiu e é apon­ta­do como um dos melho­res fil­mes de ter­ror lan­ça­dos este ano.

Estive a vê-​lo. Não sei se será um dos melho­res, mas gos­tei bas­tan­te. E como não exis­ti­am legen­das em Português de Portugal, resol­vi pre­en­cher a lacu­na e traduzi-​o eu. As legen­das andam por aí nos síti­os da espe­ci­a­li­da­de, bas­ta pro­cu­rar por elas e evi­tar as bra­si­lei­ras, tra­du­zi­das pelo Google.

O fã do fil­me de ter­ror con­ven­ci­o­nal, com mais ação e menos con­ver­sa, pode não achar nada de espe­ci­al nes­te fil­me. Talvez por isso tenha no IMDb uma clas­si­fi­ca­ção infe­ri­or ao que mere­ce. Mas as opi­niões dos fre­quen­ta­do­res do IMDb são tão impor­tan­tes para deter­mi­nar a qua­li­da­de de um fil­me como as de Donald Trump sobre tudo o que o rodeia.

Terror a dois

Catherine Walker e Steve Oram

Catherine Walker e Steve Oram

Aviso já: é para­do. Muito para­do. Tem duas per­so­na­gens prin­ci­pais encer­ra­das em casa duran­te gran­de par­te do fil­me. Ela é uma mulher boni­ta de clas­se média-​alta que pro­cu­ra con­tac­tar alguém que mor­reu. Ele é um ocul­tis­ta gor­du­cho de tem­pe­ra­men­to rís­pi­do e com pro­ble­mas de soci­a­li­za­ção.

A ação está toda nos diá­lo­gos. Na inte­ra­ção entre estes dois per­so­na­gens inter­pre­ta­dos por Catherine Walker e Steve Oram. Na ten­são que se vai acu­mu­lan­do len­ta­men­te, como na tec­tó­ni­ca de pla­cas. No fac­to de não saber­mos se o que esta­mos a ver é resul­ta­do de for­ças sobre­na­tu­rais ou de pura lou­cu­ra claus­tro­fó­bi­ca. Por nos por­mos a adi­vi­nhar se as moti­va­ções des­ses dois per­so­na­gens serão mes­mo aque­las.

Mas é um fil­me para­do. Muito para­do. De ges­ta­ção len­ta. E está lon­ge do cir­cui­to de Hollywood. É de bai­xo orça­men­to. É irlan­dês. Foi fil­ma­do em 20 dias. Não tem mons­tros assus­ta­do­res nem efei­tos visu­ais des­lum­bran­tes. Tudo assen­ta nos ombros dos ato­res, na bele­za da foto­gra­fia, na mon­ta­gem enge­nho­sa e na ten­são que a músi­ca evo­ca.

Eu gos­to mais des­te géne­ro de ter­ror, mais psi­co­ló­gi­co que físi­co, mais con­tem­pla­ti­vo que tre­pi­dan­te, embo­ra nem sequer ache que isto seja um fil­me de ter­ror. É antes um dra­ma sobre­na­tu­ral.

Muitos dos fil­mes de ter­ror de mai­or suces­so aborrecem-​me. Não cos­tu­mam ter gran­de his­tó­ria ou per­so­na­gens, só um con­jun­to de pre­tex­tos para nos con­du­zir ao pró­xi­mo caga­ço ou à pró­xi­ma deci­são estú­pi­da que pro­vo­ca­rá o caga­ço. Eu se qui­ser apa­nhar caga­ços vou andar na montanha-​russa.

Portanto considerem-​se avi­sa­dos. Se, por exem­plo, não gos­ta­ram do fil­me The Witch, se calhar não vale­rá a pena per­der tem­po com este. Mas se gos­ta­ram... Vejam-​no.

Marco Santos

­ Marco Santos

Editor @Sapo. Blogger @Bitaites. Legendas @LegDivx. Pai em todo o lado. Queres contactar-me?