10/Novembro/2008

Uma Foto e uma Música [95]

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Trail, de Devon Willson

Foto: Devon Willson (Trail) | Música: Barry Adamson (Vermillion Kisses)

Era uma vez um Príncipe (muito) Giro que caminhava pelo trilho do homem morto. (1) A manhã acabara de romper e as asas de pequenas aves que se faziam aos seus prazeres atravessavam os raios do sol recortando sombras esguias. O Príncipe Giro preparava-se para se deleitar com este esplendor quando reparou, de repente, numa bela e bastante voluptuosa donzela que se dirigia para ele em câmara lenta.
«Ó meu Deus do céu», pensou o Príncipe Giro na sua vergonhosa excitação, «Ela é incrível e tão… excitante.» Quando a Bela Donzela se aproximou ele convocou todas as suas capacidades, encheu-se de coragem e dedicou-lhe uma das suas vénias especiais, de maneira a que lhe pudesse dar alguma hipótese, quando se apercebeu que ela ia chorosa, se não mesmo completamente destroçada.
O Príncipe Giro engoliu uma golfada de culpa enquanto a Bela Donzela, agora, se colocava francamente diante dele e soluçava profundamente. Percebendo que algo estava verdadeiramente mal o Príncipe Giro ignorou todas as hesitações e perguntou «Por que estais tão irremediavelmente triste, se é que posso ter o nervo de perguntar?».
A Bela Donzela soltou um grande suspiro, que pareceu durar toda uma vida, enquanto o Príncipe Giro se sentou na beira do seu banco metafórico, preparando-se para ouvir a resposta. Ela confessou, «Estive agora mesmo com o meu Terapeuta. Ele está convencido que eu tenho perturbações de uma personalidade limite com traços de narcisismo, o que quer dizer que serei infeliz toda a vida porque ninguém conseguirá igualar os altos padrões que não consigo deixar de impor aos outros.»
O coração do Príncipe Giro explodiu de alegria, porque se apaixonara completa e estranhamente neste momento. «Mas o quê, isso é uma infâmia, quem é esse Dr. da Desgraça?». A Bela Donzela sorrira com o mais ínfimo dos sorrisos e, ao ver que tinha o Príncipe Giro bem agarrado, começou a urdir uma pequena teia mágica aqui e outra pequena teia mágica ali «Eu nunca conheci ninguém como tu. Não tens apenas compaixão como também és giro. Perdi a minha carteira e as chaves da barraca e parece que vem aí uma tempestade e estava aqui a pensar…»
O Príncipe Giro agitou-se pateticamente e ejaculou «És tão linda que se não te convidar para ires ao meu castelo que fica no fim deste trilho, morro».
«Gostavas de me beijar meu Príncipe Giro?» Os joelhos dele começaram a chocalhar à medida que se inclinava na direcção da voluptuosa donzela que implicitamente esperava. Quando se beijaram, o Príncipe Giro sentiu uma onda de náusea e dor no peito à medida que o sangue escorria dele e as pequenas aves mergulhavam à luz da manhã e diziam «Adeus» ao Príncipe Giro, que se retorcia como um molho de roupa no Trilho do Homem Morto. E a Bela Donzela exclamava, todos os minutos nasce um igual. (1) Dead Man’s Trail – referência a um Western de 1952.

A letra de Vermillian Kisses foi traduzida pelo Pedro Marques. Obrigado, amigo :wink:

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