E eis que che­ga Moon Parka, a pri­mei­ra apli­ca­ção co­mer­ci­al de uma no­vís­si­ma matéria-prima pro­por­ci­o­na­da pe­la bi­o­tec­no­lo­gia. Esta fi­bra têx­til é fei­ta com uma pro­teí­na pre­sen­te nas tei­as de ara­nha, conferindo-lhes si­mul­ta­ne­a­men­te gran­de fle­xi­bi­li­da­de e resistência.

Roupa te­ci­da com se­da sin­té­ti­ca de ara­nha! Os que a usa­rem car­re­ga­rão aos om­bros não ape­nas um super-casaco, mas o pro­du­to de uma dé­ca­da de investigação.

Seria im­pra­ti­cá­vel e eco­no­mi­ca­men­te in­viá­vel cul­ti­var ara­nhas pa­ra lhes ex­trair a pro­teí­na em quan­ti­da­des su­fi­ci­en­tes pa­ra es­te fim, pe­lo que os ci­en­tis­tas en­vol­vi­dos nes­te pro­tó­ti­po de­sen­vol­vi­do em con­jun­to por du­as em­pre­sas ja­po­ne­sas mo­di­fi­ca­ram ge­ne­ti­ca­men­te mi­cror­ga­nis­mos transformando-os em fá­bri­cas efi­ci­en­tes des­ta pro­teí­na especial.

Este mé­to­do é mui­to mais fá­cil, ba­ra­to e rá­pi­do de pro­du­zir e re­fi­nar pro­teí­nas em gran­des quan­ti­da­des e é, aliás, o pro­ces­so pe­lo qual se fa­bri­ca atu­al­men­te a in­su­li­na hu­ma­na (an­ti­ga­men­te era ex­traí­da do pân­cre­as de por­cos) e ou­tras pro­teí­nas que an­tes eram di­fí­ceis de obter.

Uma das no­tá­veis van­ta­gens des­te ma­te­ri­al re­la­ti­va­men­te ao ny­lon, po­liés­ter e ou­tros po­lí­me­ros é que não re­quer pe­tró­leo no seu fa­bri­co. Substituir es­ses ma­te­ri­ais por es­te con­tri­bui­rá pa­ra a re­du­ção da emis­são de ga­ses de efei­to de estufa.

Felizmente que a bi­o­tec­no­lo­gia tem pro­gre­di­do nes­ta área e na me­di­ci­na sem a opo­si­ção de gru­pos «am­bi­en­ta­lis­tas» que a ata­cam ir­ra­ci­o­nal­men­te quan­do apli­ca­da à agri­cul­tu­ra mo­der­na. Se an­dam dis­traí­dos, ain­da bem. Estou con­fi­an­te que a História os vai chu­tar pa­ra can­to de mansinho.

Hoje um kis­po de teia de ara­nha, ama­nhã uma ba­ta­ta que não pro­duz so­la­ni­na, de­pois uma ma­çã que não oxi­da, mais um sal­mão­zi­nho que che­ga ao pra­to em me­ta­de do tem­po, óle­os ve­ge­tais sem gor­du­ras sa­tu­ra­das, ave­lãs sem aler­gé­ni­cos, tri­go sem glú­ten, ar­roz com vi­ta­mi­nas, ba­na­nas re­sis­ten­tes ao ví­rus que ame­a­ça dizimá-las, co­mi­da mais nu­tri­ti­va, car­ne e quei­jo sem ne­ces­si­da­de de cri­ar ani­mais pa­ra os ob­ter. Uma re­vo­lu­ção eminente.

Carlos Daniel Abrunheiro

Bitaite de Carlos Daniel Abrunheiro

Músico autodidata, Físico não praticante.