Acabou-se o Thriller
Publicado por Marco Santos [26/Junho] | Categoria: Música | 190 comentários »
Marcadores: Michael Jackson, Zappa
Sobre a morte de Michael Jackson, o Rei da Pop que sucumbiu hoje a um ataque cardíaco, chamou-me a atenção o Twitter do Nuno F. e o seu respeitável avatar do Frank Zappa. Em primeiro lugar, porque o que há de comum neste momento entre Zappa e Jackson é que ambos se encontram na condição de mortos – tecnicamente, pelo menos, porque a música de Zappa continua viva e a de Jackson, para mim, nunca chegou a nascer.
Em segundo lugar, porque Zappa satirizou Jackson e as suas idiossincrasias sexuais na canção Why Don’t You Like Me?, lançada no disco de 1988 Broadway the Hard Way.
Em terceiro, porque se continuar a ouvir os disparates da CNN e não mudar para um canal de música a sério – o Mezzo, que nunca passará uma única canção de Jackson –, vou realmente começar a bocejar como no avatar do Nuno F.
As expressões elogiosas sucedem-se a um ritmo vertiginoso e este é um ritmo que conheço bem – daí o bocejo. Chamem-lhe um jornalístico bocejo, se quiserem. O pedófilo de ontem transformou-se no génio musical, no humanitário de hoje e dos próximos dias. Perante a morte do Rei do Pop, dizem os entrevistados, o melhor é esquecer as controvérsias do passado e recordá-lo como um ícone da cena musical – ó bocejo meu, haverá aborrecimento maior do que o meu? Onde é que deixei o raio do comando?
Aceito que Rei do Pop seja um título que lhe assenta bem, desde que não me peçam para acreditar que pop se refere a um estilo de música. Népia. Pop, no caso dele e de outros notáveis medíocres idolatrados por massas com orelhas mas sem ouvidos, significa simplesmente o som das rolhas de champanhe a saltar nos gabinetes dos mafiosos da Recording Industry Association of America (RIAA). Esse Pop é a celebração do lucro, não da arte. É o reinado do dinheiro, não da cultura. Génio da música? Onde é que deixei o raio do comando?
Vejo-o como um Peter Pan coberto de operações plásticas que o faziam parecer um Pinóquio grotesco esforçando-se por enganar a passagem do tempo. As plásticas tê-lo-ão ajudado a mentir a si próprio, e os modernos Gepetos que o operaram certificaram-se de que o seu nariz de Pinóquio encolheria em vez de aumentar. Assim o recordo e assim o esquecerei.
Com tantas pessoas a sofrer e morrer neste mundo, é quase imoral que o mundo fique nos próximos dias obcecado com o sofrimento e a morte de uma só. Passo.

Conheci a música de Eric Dolphy através das referências de Frank Zappa. É uma bela forma de conhecer música nova, explorar os caminhos trilhados pelos que já conhecemos e são os nossos preferidos.
Admito que aborreci muita gente. Talvez tenha contribuído para um aumento do número de bocejos ou depressões psicóticas na área onde vivo. Mas deixemos as estatísticas para as máquinas. É de música que estamos a falar!
Para os «hardcore fanatics» de Frank Zappa, o baterista Jimmy Carl Black é um nome memorável por ter pertencido ao primeiro line-up dos Mothers of Invention, o grupo que Zappa criou a partir dos Soul Giants e que haveria de ser a sua banda de suporte nos anos que se seguiram – no caso do sempre perfeccionista e complexo compositor, fazer parte da sua banda de suporte não era uma tarefa ao alcance de todos.


























