De certa forma, todos poderemos ser astronautas se o projeto for concretizado.
O objetivo é «colocar-nos» a bordo da Estação Espacial Internacional (International Space Station, ISS), observando o nosso planeta como se de facto estivéssemos lá. A ideia é de uma empresa, a UrtheCast, que pretende montar o primeiro streaming HD com várias câmaras de alta definição na ISS. Nos dez anos subsequentes, 24 horas por dia e 7 dias por semana, bastará uma ligação à Internet para que qualquer um de nós possa observar o nosso planeta visto do Espaço.
Depois basta fumar um charro para simular um ambiente sem gravidade et voilá, concretizamos um sonho de infância.
As câmaras serão montadas na ISS no final deste ano. Uma animação pode ser vista no YouTube, exemplificando melhor a ideia. O sítio da empresa também contém mais informações.
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Através do Manel Rosa Martins, conheci um vídeo – este aqui em cima – que compila clips referentes aos quatro sucessos mais relevantes da missão Kepler registados desde o ano passado: a descoberta dos planetas Kepler 10-b, 16-b, 20-e e 20-f, e 22-b.
Os planetas do vídeo
O Kepler 10-b – cuja existência foi anunciada ao mundo a 10 de Janeiro de 2011 – foi o primeiro planeta rochoso a ser descoberto. Encontra-se a cerca de 560 anos-luz. Tem 1,4 vezes o tamanho da Terra, mas está 20 vezes mais perto da sua estrela (Kepler-10, semelhante à nossa), do que Mercúrio do Sol. É um corpo muito quente: mais de 1300 graus Celsius à superfície.
Elementos da missão Kepler batizaram-no de «Vulcano», o nome do planeta-natal de Spock, da série de FC Star Trek. Nem Spock sobreviveria naquele forno…
A descoberta de Kepler 16-b, a 15 de Setembro do ano passado, foi uma das mais faladas na imprensa por ter sido a primeira vez que a missão Kepler identificou um planeta orbitando um sistema solar de dois sóis, como Tatoine, planeta-natal de Anakin Skywalker, o futuro Darth Vader de Star Wars.
Kepler 16b está a 200 anos-luz de distância. Ao contrário do planeta fictício Tatooine, não é um mundo deserto mas um gigante gasoso com o mesmo tamanho de Saturno.
Os astrónomos consideram como muito provável a existência de planetas rochosos naquele sistema e mesmo luas do tipo Europa ou Titã deslizando à volta deste Tatooine gasoso, mas ainda não foi possível detetá-los ali.
Um «alinhamento» planetário: da esquerda para a direita, Kepler 20-e, Vénus, Terra e Kepler 20-f
O Kepler 20-e ganhou fama porque, até então, nunca havia sido descoberto um planeta rochoso menor do que a Terra orbitando uma estrela semelhante ao Sol. Este é demasiado quente para sustentar água em estado líquido, condição que consideramos essencial para a existência de vida.
O planeta 20-f é outra descoberta extraordinária: um planeta também muito quente – mais de 400 graus Celsius à superfície – mas pouco maior do que a Terra.
O Kepler 22-b, a 600 anos-luz, é a cereja no topo deste bolo: pela primeira vez na história da Humanidade, descobrimos um exoplaneta orbitando uma estrela na chamada «zona habitável».
Julgou-se que o planeta – 2,4 vezes maior do que o nosso – pudesse conter um oceano e, nesse oceano, a «vida extraterrestre» que tanto desejamos descobrir.
Tudo o que se possa afirmar é especulativo: ainda não fomos capazes de determinar a sua massa; não sabemos ainda se é planeta rochoso, líquido ou gasoso; tanto pode existir nele o tal oceano como vir a ser um super-Vénus, tão infernal como o original.
À beira-mar
Eu acredito na existência de vida extraterrestre – claro que o Universo poderá um dia desmentir a minha crença, mas até lá escolho acreditar.
O grande Carl Sagan iniciou a sua mítica série «Cosmos» com uma analogia entre o oceano e o Universo – mar tão imenso, misterioso e inexplorado para os primeiros navegadores como o é este «oceano cósmico» para os seus equivalentes da era moderna, os astrónomos.
Lembro-me sempre dessa analogia quando vejo os miúdos na praia, à beira-mar, explorando o mar e enchendo os seus baldes de água salgada.
É isso que somos, ainda: putos a encher baldes de «água salgada» à beira do «oceano cósmico» de que falou Sagan. Dificilmente encontraremos «peixes» nesses baldes tão pequenos e de curto alcance, mas é muito possível que eles possam existir, lá longe, para além da linha do horizonte ou até no próprio balde, para além das nossas capacidades de observação.
O projeto Bandex faz lembrar o Symphony of Science, no qual a voz de cientistas de renome como Carl Sagan (e a musicalidade inerente em qualquer voz humana) é aproveitada para criar umas harmonias muito jeitosas.
O Bandex é português e não procura a exaltação da Ciência como nas «sinfonias» americanas, tem propósitos sarcásticos e humorísticos, e goza sobretudo com os políticos que nos «governam», colocando-os a «cantar».
Destino é o nome de uma curta de animação, resultado da improvável junção de dois nomes: Walt Disney e Salvador Dali.
Dali e um artista da Disney, John Hench, trabalharam na storyboard durante oito meses, entre 1945 e 1946. As dificuldades financeiras que os estúdios da Disney atravessavam nesse período provocaram o cancelamento do projeto. Hench ainda completou 17 segundos de animação, na tentativa de recuperar o interesse da Disney – sem sucesso.
Em 1999, Roy E. Disney, sobrinho do fundador Walt, decidiu recuperar o projeto, informa-nos a Wikipédia. O francês Dominique Monfréy ficou encarregue da realização. Uma equipa de 25 animadores da Disney atirou-se à tarefa de decifrar as «crípticas storyboards» deixadas por Dali e Hench.
O pintor espanhol morrera em 1989, mas a equipa usou o diário de Gala, viúva de Dali, e as indicações de Hench, para completar a produção desta animação de seis minutos. Hench ainda viveu para ver a estreia, a 2 de junho de 2003. Morreu oito meses depois, com 95 anos.
E chegamos assim ao vídeo: um músico e utilizador do YouTube, Alan Robinson, decidiu incluir na animação o tema Time, do álbum «The Dark Side of the Moon», dos Pink Floyd.
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O mítico The Dark Side of the Moon já foi utilizado como banda sonora alternativa de um clássico do cinema: toda a gente conhece, ou ouviu falar, da versão de O Feiticeiro de Oz ao som desse disco – The Dark Side of the Rainbow ou The Dark Side of the Oz é um milagre de sincronização muito mais impressionante que este.