Senhor que estás no Alto,
Sabes bem que nunca te pedi nada. Sou como o Nick Cave, não acredito num Deus interventivo (não sei se, na tua omnisciência, já ouviste o álbum «The Boatman’s Call», mas se não, aconselho-te uma escuta – ele canta um verso sobre essa questão).
Aliás, o Deus em que creio é a matéria gasosa original de que nascem as estrelas e de que fala o Marco neste post, de que também me permito recomendar-te a leitura…
(as minhas desculpas, mal comecei esta oração e já me estou a desviar do assunto que me traz)
Mesmo desconfiando que o meu apelo não resulte, atrevo-me pela primeira vez a fazer-te um pedido. O de que dês saúde ao John Lurie, um músico muito cá da minha predileção.
Com certeza que sabes quem é. Pelo menos cresci a ouvir dizer que conheces pessoalmente todas as tuas criaturas. Pois o John sofre de uma doença neurológica que o impede de tocar o seu saxofone. Em consequência, uma das minhas bandas de jazz preferidas deixou de existir: Lounge Lizards.
O exemplar que tenho do último CD que publicou, «Queen of All Ears», de 1998 D.C., já está com soluços digitais de tanto ser usado. Gostaria muitíssimo que saíssem outros da forja.
Eu sei que estou a incorrer no pecado do egoísmo, mas peço que compreendas. Viver sem os Lounge Lizards é como… sei lá… viver longe do mar, ou num país onde o sol aparece poucas vezes.
Por favor, conserta lá o homem e faz um grande favor à parte da humanidade que gosta de música da boa e a mim que gosto ainda mais do que todos os outros. Permite que os Lounge Lizards voltem a dar concertos e a gravar discos.
Olha, deixo-te aqui um vídeo do grupo para ajuizares por ti mesmo da necessidade desta reparação. O John é aquele tipo com aspeto de lagartixa que está a soprar no sax.
Cura-o, está bem? Ámen e obrigado. O quê? Devo fazer uma promessa? Pronto, prometo que nunca mais ouço o Cave…



































