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→ 16/07/2011 @19:32

Sexo é corpo a corpo, mas nunca se sabe (repost)

(Imagem: autor desconhecido - aceitam-se sugestões)

 

(Do arquivo – 09/12/2010) – Peço desculpa aos estimados visitantes do Bitaites por esta interrupção no fluxo normal de posts.

Tem a ver com sexo.

Ia escrevendo fluxo vaginal de posts, portanto estão a ver que é um assunto muito sério. Porque também mete o Natal. E eu juro que não queria usar o verbo «meter» no contexto deste post, mas saiu-me cá para fora de uma forma incontrolável.

Nada a fazer. Sexo. Natal. Época de boa-vontade. Compras. E o spam a dar-me lições de vida.

Ainda estou chocado. A queca atingiu níveis de sofisticação inimagináveis para a mente de um labrego sexual como eu.

Eu ainda sou da geração Gina.

A velha Gina era uma revista inaceitável para a condição feminina e o papel não era muito resistente, ao fim de três ou quatro idas à casa-de-banho já não se conseguia ler as legendas.

Sim, a Gina tinha as suas limitações filosóficas, mas pelo menos permitia-nos esgalhar o pessegueiro com um profundo sentido de independência e afirmação pessoal. Bastava-nos a Gina. A Gina era a nossa vizinha do lado. A Gina ensinava-nos a fechar os olhos. A Gina era barata e fácil de usar por toda a gente. A Gina éramos nós.

Não tínhamos edições da Playboy em 3D: éramos realmente labregos. E ainda somos. Eu sou.

Choca-me pensar que o futuro é um puto a brincar aos elevadores no meio das pernas, equipado com um daqueles óculos 3D que se vendem nas bilheteiras do cinema para ver o Harry Potter e a subir do rés-do-chão ao primeiro andar do pirilau como uma porteira histérica. Um dia destes irá trazer as pipocas e a civilização chegará ao fim.

Quero acreditar que isto é apenas exagero mas, lá está, o spam encarregou-se de me tirar as esperanças.

É uma loja do sexo qualquer que me caiu hoje na caixa do correio. A loja não vende sexo, mas vende os talheres.

Como estava sem nada para fazer e o sexo é sempre clicável, com ou sem link, fui ver quais os produtos que aconselhavam para tornar «o natal mais sexy».

 

E agora, a grande revelação

Plug anal

Este aqui constituiu uma revelação para mim. É espantoso, vejam só. Chama-se Plug Diamond Love e custa quase 60 euros. Terá também um rádio-despertador?

Segundo a loja, é um «plug anal em aço cirúrgico cuidadosamente polido com uma função decorativa e estimuladora em simultâneo». E está disponível para entrega imediata «em cristal Swaroviski ou cor vermelha».

O Plug Diamond Love enfia-se no cu mas depois pode ser guardado em cima da mesa. É um objeto prático e multi-disciplinar. Talvez permita um bonito arranjo de flores para alegrar a sala de jantar e receber as visitas. Talvez sirva para pendurar na árvore de Natal, escondido atrás das fitinhas e das bolinhas para não ser visto do presépio – as possibilidades devem ser muitas, mas percebo pouco de decoração e ainda menos de sexualidade natalícia.

Usar um aparelho destes é agradável e estimulante para quem gosta, mas pode ser um bocadinho intimidativo devido à sofisticação e dupla funcionalidade.

Imagino um pobre diabo a pegar no plug anal cristalizado e balbuciar, cheio de expectativas saltitantes, «Então, querida, queres…?»

A senhora, dona de casa boazona e muito competente

«Nem pensar, que tu ainda me estragas isso»

tira-lhe bruscamente o plug anal, observa o precioso dispositivo com ar preocupado, examina-o com ar de quem já está à espera do que vai encontrar, zangada e sem reconciliação possível, dispara

«Olha o que tu fizeste ao meu Swaroviski, tens as mãos todas suadas e agora está baço! Vai já buscar um pano!»

 

Nã nã nã. Faça-você-mesmo, é o meu lema.

→ 11/07/2011 @23:31

65 anos de biquíni (ou talvez não)

O mundo comemora os 65 anos do biquíni como se a esplêndida e maravilhosa ideia de libertar o corpo oprimido das donzelas e, deste modo, tornar o mundo mais bonito e apetecível, só tivesse ocorrido há apenas 65 anos.

Os antigos podiam ser tecnologicamente primitivos, mas não eram parvos. A palavra fellatio, por exemplo, é uma derivação inglesa do latim fellatus – garante a Wikipédia, e eu acredito, que tanto a derivação anglo-saxónica como a palavra original possuem exatamente o mesmo significado.

 

Sabedoria romana

Temos muito a aprender com os antigos. O biquíni, tal e qual o conhecemos hoje, já era utilizado pelos romanos. Esta ilustração é um mosaico do século IV de uma villa romana – Del Casale, na Sicília – e nela podemos observar duas jovens romanas a recriarem-se com a bola, tal como fazem as mulheres nas nossas praias atuais.

Se quisermos recuar mais uns séculos, encontraremos pinturas de mulheres gregas que usavam «biquínis» quando praticavam desporto.

 

O topless egípcio

E se desejarem mesmo glorificar a sabedoria dos Antigos, poderão recuar mais 4000 anos, levantar esses rabos da cadeira e fazer uma profunda vénia de respeito e consideração à grande civilização que dominou culturalmente o Mediterrâneo durante milhares de anos: a egípcia.

Foram os egípcios os primeiros a inventar a piscina – os banhos públicos, por vezes sexualmente segregados, outras vezes não; e foram também os egípcios os primeiros a inventar o topless, com as mulheres em posição de poder (sacerdotisas e esposas do faraó) a apresentarem-se perante os deuses de mamas ao léu.

Estão a ver? A sexualidade e nudez femininas ligadas ao sagrado e não a mecanismos psicológicos de repressão. Não usavam gadgets da Apple, mas eram muito evoluídos.

Seria de pensar que estas pessoas, por serem tão tecnologicamente atrasadas, seriam igualmente castradoras no sentido fundamentalista islâmico do termo. Não parece ter sido o caso.

É preciso ter em conta – falando também dos nossos pecados ocidentais – que o profeta ainda não tinha nascido e o domínio da mentalidade judaico-cristã sobre a Europa ainda não existia, pelo que a nudez e o sexo não eram considerados sujos e a sexualidade da mulher não era ainda vista como uma espécie de poder demoníaco que corrompia as almas puras.

Claro que proibir o fruto é meio-caminho andado para o desejarmos ainda mais, como a alegoria do Jardim do Éden demonstrou. (Mas o meu problema com essa história é outro, ou seja, a noção de que comer do fruto do conhecimento é uma coisa má – outras conversas, outros posts).

 

Rigorosas medidas de segurança

Tanto exagero em relação à moral e aos bons costumes só podia conduzir os homens a fazer figuras parvas, como nos pretende demonstrar esta fotografia humorística tirada em 1890 (a da esquerda).

As mulheres usavam pesos para impedir que o vento levantasse o fato de banho e, de forma inadvertida, revelassem as pernas aos veraneantes do sexo masculino. Havia rigorosas medidas de segurança à entrada das praias, como se pode ver na foto à direita, tirada em 1935.

(A propósito, sabiam que na era vitoriana as pernas dos pianos eram cobertas com um pano só porque um grupo de puristas idiotas achava que os seus contornos lembravam perigosamente os das pernas de uma mulher?)

A nossa sorte é que elas foram biologicamente programadas para nos achar queridos e apetecíveis e amorosos quando fazemos figuras de urso – desde que as façamos por causa delas, claro. Caso contrário, não perdoam.

 
Adenda: sabias mesmo isto tudo ou gamaste da Net? Gamei da Net! Consultem a reportagem fotográfica da Times (The History of the Bikini), mais este artigo com muitas fotografias, também da Times (The Evolution of the Bikini); finalmente, se quiserem ler um bocadinho, vejam também esta página.

→ 05/07/2011 @0:24

Mulheres nuas

Foto: Karla Read

Este texto de introdução serve apenas para desencorajar os cavalheiros mais endiabrados que o malandro do Google enviará para aqui por causa do título do post.

O parágrafo que se segue é só para esses.

Camaradas da palhinha, tenho todo o respeito e compreensão pela justeza da vossa atividade e desejo-vos as maiores felicidades nessa demanda em que todos nós já embarcámos. Infelizmente, este post não não foi feito com o objetivo de vos ajudar a esgalhar o pessegueiro à luz das velas. Obrigado pela vossa compreensão!

 

Ora bem, onde é que ia? Ah, queria escrever um post

Foto: Nancy Reyes

A troca de comentários que se deu aqui sobre o trabalho da fotógrafa Sisilia Piring acabou por inspirar-me a fazer este post.

Algumas visitantes do sexo feminino – a propósito das reações à nudez da fotógrafa – não gostaram de ver o trabalho de Sisilia Piring visto sob um prisma exclusivamente sexual.

Talvez tenham ficado com a impressão de que os homens não sabem distinguir pornografia de erotismo; embora sendo capazes de reconhecer a existência de duas cabeças a funcionar permanentemente no corpo, talvez elas achem que nem sempre estamos preparados para reconhecer que aquela que o Criador colocou entre os ombros raramente costuma ser a primeira a reagir.

A mulher bem pode tirar a roupa e, ao tirá-la, querer dizer: olha para mim: isto sou eu – uma das frases mais importantes que se pode dizer a alguém. Existe um mecanismo biológico qualquer que nos faz pensar, antes de pensar, «pois és, e não és nada má.»

Não somos nem parvos nem brutos insensíveis – precisamos é de mais tempo. São imperativos biológicos que nos ficaram da época em que andávamos à caça e era necessário ser rápido e confiar no instinto. Talvez a dicotomia cabeça/cabecinha sirva para estabelecer uma fronteira nítida entre erotismo e pornografia: o erotismo excita a de cima, a pornografia vai diretamente para a de baixo sem passar pela casa de partida.

A pornografia pode dar jeito, mas os seus encantos não resistem ao olhar da cabeça que se encontra entre os ombros – aquela para a qual interessa falar, por agora.

Foto: Diane Arbus

Digo isto precisamente por causa da forma como a nudez da mulher se apresenta.

Se há algo que nos pode revelar uma fotografia como a de Sisilia Piring (ou outras ainda melhores) é que a nudez é extremamente dramática. Pode ser bela, triste, desesperada ou cativante, até mesmo erótica, e é sempre verdadeira. Mas até a nudez pode ser vestida e é isso que se passa com a pornografia: existem vários graus de nudez, mas a pornografia transmite e glorifica apenas o grau zero, o puramente carnal e masturbatório, uma nudez vestida com carne de mulher.

Ao contrário do que acontece com o erotismo, observar a pornografia com o cérebro é suficiente para tirar a tesão a qualquer um: as princesas do porno têm olhos tão inexpressivos como Barbies mecânicas. São clichés masculinos que abrem as pernas e gemem e têm orgasmos ao ritmo da nossa sexualidade. Tudo o que é feito a pensar exclusivamente nas nossas necessidades não é sexual, é simples machismo.

E se observarmos outras atrizes – menos plásticas, loiras ou americanas – conseguimos mesmo adivinhar uma história de vida deprimente e nada excitante. Outro tipo de nudez. Nudez trágica, talvez. Cansaço escavado sob os olhos, marcas no rosto, joelhos, mãos, unhas, nódoas negras nas pernas e nos braços. Marcas de uma segunda-feira num sábado à noite.

O erotismo procurá-la-ia nessas segundas feiras e tentaria levá-la a dizer: isto sou eu, a minha nudez imperfeita, a minha nudez onde o sofrimento é visível, e mesmo assim quero ser desejada; a pornografia só se interessa pelos sábados à noite.

→ 28/06/2011 @17:36

As nádegas de Manuela

Uma das «manuelas» de Milo Manara

Que pena eu tenho de o trio MANUELA (com Carlos “Zíngaro”, Hans Reichel e Rudiger Carl) não ter vingado. Determinante para isso foi o facto de o guitarrista, e inventor de um curioso instrumento, o daxofone, se ter decidido pela sua outra actividade, a de designer tipográfico, com a qual tem rendimentos que não conseguiria com a música.

Mas não foi só esta circunstância que explicou o desaparecimento do projeto – o mercado da música improvisada é o que é. Pouca coisa…

No que a alusões ao belo sexo diz respeito, não foi apenas neste grupo que o português “Zíngaro” participou. Se numa foto da década de 1970 os seus Plexus foram fixados para a posteridade numa cama onde se veem algumas mulheres em roupa interior, o violinista pertenceu a um ensemble, de nome Periferia, cujo CD homónimo tinha uma curiosa frase em destaque no booklet: «Periferia tem uma vertente erótica e esta refere-se, obviamente, às nádegas femininas.»

A afirmação, escrita pelo pianista grego Sakis Papadimitriou e muito contestada então pelas improvisadoras feministas, fora retirada das liner notes do disco, no qual o conceito de periferia é apresentado como a impossibilidade de ocupar o centro – tendo Papadimitriou esquecido que, na verdade, os glúteos são como que o portal de entrada para um escondido núcleo, e isso tanto freudiana quanto literalmente (isto é, fisicamente…).

Já Bataille, afinal, confundia o ânus com o Sol.

Inferia-se nesse texto que percorrer as margens (as nalgas, por supuesto) é um destino natural para a improvisação na música. Um destino, aliás, não muito viril, pois demite-se de furar na côncava região a meio.

A designação surgiu à mesa de um restaurante grego em Frankfurt, e se não aponta o corpo, ou partes deste especialmente investidos (fetichizados), de uma mulher, mas toda uma persona, tem algo de exotismo e uma difusa carga libidinosa – pelo menos para os europeus que não vivem em Portugal, sendo que Reichel e Carl são alemães.

Se para nós MANUELA é um nome trivial, para todos os demais sugere uma esplendorosa Vénus que se desnuda da vulgaridade. Sendo as nádegas de uma mulher o que existe de mais objetual, uma ultramaterialização da realidade (pelo menos quando surgem no enquadramento da nossa visão, digo eu), este MANUELA não visava uma mulher em particular. Pretendia-se simplesmente denominar um género sexual e, quiçá, personalizar o eterno feminino.

Acontece, porém, que um dos primeiros concertos dos MANUELA, e o único realizado entre nós, se verificou numa exposição internacional de banda desenhada. Neste cenário, o ouvinte “criativo” (às vezes demais) que eu sou não pôde deixar de imaginar que se chamavam MANUELA as personagens do autor italiano Milo Manara.

Estas são sempre figuras esguias, como serpentes, e lânguidas, como gatos, não estando a linearidade das coxas em contradição com as esferas redondas dos seios e dos empinados traseiros.

 

Bater, lamber, morder

Além disso, sabia que o colaborador ocasional de Hugo Pratt publicara uma estória inspirada no Divino Marquês, «L’art de la fessée», na qual lemos esta sugestiva passagem, magistralmente ilustrada:

«As nádegas de Gina (podiam ser as de MANUELA) eram dois mapamundi cheios e suaves, como uma soberba e tenra carne, pudins firmes e saborosos ou peras sumarentas e rebeldes. As nádegas de Gina eram um convite para a palmada e o beliscão. Apetecia bater nelas, lambê-las, mordê-las, chicoteá-las. As nádegas de Gina eram desejos, devaneios, loucuras. Sonhos que se tocavam, se sustentavam e apertavam. Fantasmas de nádegas.»

Sabia também eu que, numa sua polémica obra, o compositor catalão Carles Santos incluíra orgulhosos rabos ibéricos como instrumentos de percussão. Sade gostaria de ter visto e ouvido…

Era isto o que Carlos “Zíngaro”, Hans Reichel e Rudiger Carl nos concediam musicalmente: encontrar a nossa MANUELA na ideia de mulher que nos transmitiam, ainda que esta fosse totalmente virtual, tal como num desenho de Manara. A música improvisada não tem necessariamente de ser periférica ou, para ser boçal, não tem de ser o cu da arte sonora dos nossos dias.

O que lhes ouvíamos era uma música muitas vezes tonal e melódica, uma música idiomática sem que tal significasse um retorno ao jazz matricial, ao contrário do que habitualmente ocorre. De resto, nenhum dos idiomas musicais, ou aspetos seus, que podiam emergir aparecia com contornos claros, à semelhança da mulher que era aludida – as referências do cabaré, da canção da Broadway, dos velhos blues, do classicismo câmerístico desapareciam no exato momento em que julgávamos poder identificá-las.

Havia muito de representação, de teatro, nas estratégias de composição imediata do trio. Lembro-me, por exemplo, de Carl a dançar com o seu clarinete numa postura semelhante à de um guerreiro africano empunhando a lança em pleno ritual.

Em suma, a música dos MANUELA era horny de um modo que há muito tempo a improvisação dita livre se esquecera de ser… Foi isto que se perdeu.

→ 30/05/2011 @4:02

A artista anteriormente conhecida por virgem

É um feito jornalístico ao alcance de poucos.

Atentem no título do suplemento Vidas do Correio da Manhã: «Margarida perde virgindade aos 28 anos (com fotogaleria e vídeos)».

Ao lado do título, um ponto cheio de exclamação.

Com fotogaleria e vídeos? Isto teria sido suficiente para deixar alguém a esfregar as mãos de contente, se não tivesse pelo menos uma já demasiado ocupada.

De prevenção.

Margarida entregou as chaves do seu castelo e alguém lhe abriu a fechadura da patareca.

A patareca mais vigiada do país.

Não conhecem a artista anteriormente conhecida por virgem?

Permitam-me que vos apresente: ela tornou-se famosa há pouco mais de um ano, quando criou um Clube das Virgens e deu entrevistas na televisão assumindo, aos 27 anos, a sua virgindade. Falou então do sexo por fazer, do príncipe encantado por encontrar, de amor, romance, sonhos, esperanças, nuvens de algodão doce, chuvadas peganhentas, caralhos trovejantes e pipis imaculadamente perfeitos, como nos livros da Anita.

A Margarida chegou a escrever um livro, «Sim, sou virgem, e então?». Diz-se que o livro tinha páginas, e que ela conseguiu preenchê-las.

Leitores do Bitaites, esta é a Margarida.

Margarida, os leitores do Bitaites.

Não sei se um «muito prazer» será uma saudação adequada porque, infelizmente para os visitantes do Correio da Manhã, o título da peça é ao estilo publicidade enganosa: a fotogaleria mostra-nos os momentos em que a ex-virgem Guida concretiza outro sonho, aumentar o tamanho das guidinhas: temos fotos da consulta, da medição dos peitos, da própria operação – mas nada de sexo.

O vídeo, dividido em duas partes, é igual: na primeira, uma entrevista à virgem-vedeta – vê-se bem sem som; na segunda, a mesma sequência que as fotos já tinham mostrado: consulta, medição dos peitos e operação.

O vídeo não é aconselhável a quem gosta de sexo. Ou de mulheres.

Há qualquer coisa de fundamentalmente errado na criatura: é como alguém que se diz muito religioso só porque sonha apalpar o cu à freira. É como ser pudico em relação ao sexo e devasso no que respeita à intimidade.

Completamente chanfrada.

Galacticamente idiota.

Perfeita para o Correio da Manhã.

(Sobre o mesmo assunto: Hímen, the final frontier)

→ 28/05/2011 @16:17

Sem o Citador não sei o que seria deste post XXII

Há muitas coisas na vida mais importantes que o dinheiro.
Mas custam um dinheirão!

- Groucho Marx

→ 16/05/2011 @16:36

Em Portugal, o senhor Dominique safou-se

Dominique Strauss-Kahn (Foto: Ian Langsdon/EPA)

 

O senhor Dominique Strauss-Kahn, 62 anos, diretor-geral do FMI, putativo candidato socialista à presidência de França, foi detido em Nova Iorque na sequência de uma queixa de agressão sexual.

A queixosa é uma mulher de 32 anos, empregada do hotel de luxo onde o diretor-geral do FMI estava hospedado. Strauss-Kahn, que sempre teve fama de mulherengo, entrou completamente nu na casa de banho, agarrou a empregada, lançou-a sobre a cama e forçou-a, segundo as notícias nos jornais, «à prática de sexo oral».

A empregada conseguiu escapar-lhe e fugiu do quarto; Strauss-Kahn vestiu-se, e parece que o fez à pressa, abandonou o hotel e apanhou o primeiro avião para Paris. Foi detido dez minutos antes de embarcar.

O senhor Dominique Strauss-Kahn tentou fazer à empregada do hotel aquilo que o FMI fez a Portugal, apenas com uma significativa diferença: a mulher resistiu, lutou, conseguiu fugir e, muito corajosa, apresentou queixa; Portugal, perdoem-me os egrégios avós (*) a imagem grosseira, machista e pornográfica que vou utilizar, limitou-se a perguntar se era para engolir ou deitar fora.

Embora tenha havido muitos momentos em que me arrependi de não ter prestado mais atenção às aulas de Economia, não é necessário ser um génio para perceber que existem pelo menos duas semelhanças entre a empregada e Portugal: partilhamos o mesmo estatuto, somos também prestadores de serviços e, de certa forma, somos ambos vítimas de predadores. A diferença está realmente na forma como reagimos: a empregada lutou, nós estamos prestes a eleger pelo menos um dos dois representantes dos únicos partidos responsáveis pela atual devassa económica.

E esta amargura sinto-a na pele, pois votei PS nas últimas eleições por ter considerado que não havia melhor do que Sócrates e por não querer Manuela Ferreira Leite como primeiro-ministro e Cavaco como presidente, ou seja, outro Cavaquistão. Tal como muitos portugueses, também cometi o erro de restringir as minhas opções ao centrão. Talvez alguns de vós não concordem comigo; talvez alguns concordem e vejam nestas eleições uma forma de corrigir o lapso.


Dominique, tiveste azar, pá

É clara a associação entre Strauss-Kahn e o nosso adorável e abandonado país, mas existe ainda outro pormenor. Não sou advogado, juiz nem estudei Direito, mas mais uma vez começo a pensar que o senhor do FMI haveria de se safar incólume da acusação de violação, se o recurso ao seu caso fosse analisado pelos meritíssimos Eduarda Maria de Pinto e Lobo, e José Manuel da Silva Castela Rio.

Analisando o recurso apresentado por um psiquiatra do Porto, condenado em 1ª instância a cinco anos de cadeia por ter violado uma paciente no seu consultório (uma mulher grávida de oito meses, com problemas de depressão), os meritíssimos acabaram por absolver o médico.

No acórdão citado pelo Diário de Notícias, «os actos sexuais dados como provados no julgamento da primeira instância não foram suficientemente violentos. Agarrar a cabeça (ou os cabelos) de uma mulher, obrigando-a a fazer sexo oral e empurrá-la contra um sofá não constituíram actos susceptíveis de serem enquadrados como violentos».

Para os juízes-desembargadores, só pode ser considerado violação um ato suficientemente violento para não dar hipóteses à mulher de oferecer resistência. O facto de a vítima estar grávida de oito meses e sentir-se deprimida, mais preocupada em proteger o seu bebé do que atrair mais violência, sem resistência psicológica, quanto mais física, são pormenores completamente irrelevantes.

Se os factos ocorridos em Nova Iorque forem verdadeiros, Dominique bem poderá lamentar ter perdido a sua carreira política por violar uma mulher em Nova Iorque; se tivesse atacado num hotel em Portugal, seria absolvido por estes juízes sem sensatez e sensibilidade.

 

(*) Gamado ao poeta Jorge de Sousa Braga