9/Janeiro/2010

Russos querem chegar a Marte em 2032

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A Rússia quer enviar uma expedição tripulada a Marte até 2032 mas, primeiro, terá de resolver alguns problemas que a adaptação fisiológica e psicológica dos tripulantes às condições de vida e trabalho poderá causar, assim como a interacção entre a tripulação e o centro de comando, o funcionamento de sistemas vitais e de investigação.

Como saber se um grupo de pessoas a viver durante quase dois anos no espaço pequeno de uma nave espacial aguentará psicologicamente? E como antecipar problemas de forma a encontrar respostas?

A solução tem sido simular essas condições na Terra – a primeira fechou os astronautas durante 105 dias; hoje, peritos do Instituto de Problemas Médico-Biológicos de Moscovo anunciaram ter já seleccionado os integrantes da tripulação internacional que realizará o primeiro simulacro a sério de um voo ao planeta Marte. Os restantes participantes, escolhidos pela Agência Espacial Europeia, são um piloto francês e um engenheiro alemão. Também a China deverá enviar um candidato para se juntar à tripulação.

Em Março, inicia-se a experiência: todos eles passarão 520 dias enfiados numa falsa cápsula, sujeitos às mesmas condições de voo que encontrarão durante a viagem a Marte, incluindo rotinas de trabalho. Esta é a última da série de simulacros da expedição interplanetária que se têm realizado na Terra: o projecto Marte 500.

Pavel Morgunov, porta-voz do Instituto, afirma que «os voos a Marte só serão possíveis depois do homem regressar à Lua. A Agência Espacial Europeia considera mais útil explorar Marte, os Estados Unidos dão prioridade à Lua e a Rússia, hoje, trabalha mais virada para a Lua do que para Marte».

O chefe da Agência Espacial da Rússia, Anatoli Perminov, anunciou também que o seu país irá começar voos pilotados à Lua e Marte depois de 2020, a partir do cosmódromo Vostotchnii, no Extremo Oriente russo.

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18/Novembro/2009

Como ser um cidadão de outro mundo

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Esta é uma imagem do planeta Marte captada pelo telescópio espacial Hubble a 3 de Novembro de 2005. Quatro anos depois, uma parceria entre a NASA e a Microsoft levou à criação de um sítio muito interessante – Be a Martian – através do qual nos transformamos em exploradores do planeta vermelho. O site foi oficialmente lançado ontem.

Podemos preencher o registo como cidadãos marcianos nesta exploração virtual de Marte ou dar uma voltinha como turistas, só para ver a paisagem. De uma forma ou de outra, é mais uma estrelinha para as bookmarks.

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29/Setembro/2009

Mafalda e a vida inteligente

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Mafalda, de Quino

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19/Junho/2009

Um lago em Marte

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Lago marciano

É a descoberta mais importante no longo caminho que os cientistas têm percorrido em busca de provas da existência de vida extraterrestre.

Uma câmara de alta definição (High Resolution Imaging Science Experiment) a bordo da sonda orbital Mars Reconnaissance captou imagens do que se considera ser, «sem qualquer ambiguidade», vestígios de um antigo lago com 200 quilómetros quadrados e 450 metros de profundidade no planeta Marte.

Já não é a primeira vez que descobrimos vestígios de rios e mares, há anos que temos quase a certeza de que existiu água em estado líquido em Marte, mas algumas das formações que interpretámos como antigas margens podiam também ser atribuídas a terrenos secos.

Desta vez, garante Geatano Di Achille, responsável pelo estudo dos cientistas planetários da Universidade do Colorado, «é a primeira evidência, sem qualquer ambiguidade», da existência de linhas de margem pertencentes a um lago que outrora existiu na superfície do planeta. Se existiu ali um lago desta dimensão, o próximo passo é procurarmos fósseis de eventuais seres extraterrestres.

Mas esta não é a única questão que se levanta em relação a esta descoberta, como poderão ver no artigo da Reuters (mais simples) e do sítio do Discovery News (mais rico em detalhes), ambos em inglês.

A imagem reproduzida é uma representação em Photoshop Terragen do que teria sido este lago em termos de tamanho e profundidade, mas a paisagem adjacente é retirada de imagens de dados reais da zona onde ele existiu.

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3/Janeiro/2009

Spirit e Opportunity

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A nossa marca em Marte

Deviam ter durado três meses, mas há cinco anos que continuam a passear por Marte e a transmitir dados para a Terra.
Os robôs geológicos Spirit e Opportunity, lançados a 10 de Junho e 7 de Julho de 2003, chegaram a lados opostos do planeta a 3 e 24 de Janeiro de 2004. Estas missões ocorreram depois do falhanço da sonda Beagle, europeia, que foi para Marte à procura de sinais de vida e por causa de um erro de cálculo dos cientistas acabou por arder quando entrou na atmosfera.
Ao todo, Spirit e Opportunity enviaram mais de cem mil imagens de alta resolução da paisagem marciana e imagens microscópicas das rochas e do terreno, fundamentais para podermos traçar o perfil químico e mineralógico destes materiais. Os dados recolhidos pelos instrumentos a bordo permitiram-nos saber mais sobre o passado líquido da água no planeta e as condições ambientais que aí ocorreram há milhões de anos. Os objectivos da missão Phoenix, mais recente e igualmente triunfante, foram delineados em face do que nos fora sendo ensinado por estes pequenos (e muito lentos) robôs exploratórios.
O site da NASA é um dos mais ricos que conheço. Milhares de imagens em alta resolução de Marte (e outros planetas) podem ser livremente descarregadas. Milhares de páginas contém informação científica actualizada sobre todas as missões da agência, passadas e presentes, descrevendo os objectivos iniciais e as descobertas entretanto feitas. Futuros planos de exploração também podem ser consultados no site: a NASA planeia enviar pequenos aviões e balões, veículos explorados do subsolo marciano e sondas que possam aterrar em Marte, recolher amostras do terreno e regressar à Terra.

Final de tarde em Marte

19 de Maio de 2006. O Spirit – pequeno veículo-robô de exploração geológica – fotografa o pôr-do-Sol marciano a partir da cratera Gusev. Com 145 quilómetros de diâmetro, a cratera terá sido formada há três ou quatro mil milhões de anos pelo impacto de um asteróide. Julga-se que, em tempos muito remotos, os canais (naturais) que circundam Gusev terão transportado água líquida, ou água e gelo, para o interior da cratera.

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20/Novembro/2008

Desculpem, não queria assustar-vos

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Thriller em Marte

Não fujam, não fujam! Queria falar-vos primeiro da missão Phoenix – não sei se estão a ver, aquela sonda minúscula que esteve em Marte a recolher dados de enorme importância para o nosso conhecimento do planeta e das possibilidades de vida extraterrestre? Bem, a nave foi à vida – nada de catastrófico, já estava previsto que iria ser assim. O Inverno marciano chegou e já não há Sol que chegue para alimentar os painéis solares e sem os painéis solares não há energia para os instrumentos a bordo. Há quem diga que talvez a nave possa ressuscitar se os painéis solares sobreviverem às intempéries marcianas… Mas é uma esperança um bocado louca, na verdade.

O que os responsáveis da missão Phoenix não vos contaram é que das fotografias tiradas pela sonda nem todas foram mostradas ao público. A descoberta de que não nos contaram tudo sobre Marte  partiu do sítio Gizmodo (agora que a blogosfera morreu, o Gizmodo deixou de ser um blogue e passou a estar em estado de sítio, digamos assim).

Apostado em revelar a marosca ao Mundo, os responsáveis (e não bloggers) do Gizmodo publicaram um post intitulado 30 Mars Phoenix Discoveries NASA Will Never Show the World. Há quem diga que aquilo é um concurso para descobrir quem faz as brincadeiras mais engraçadas em Photoshop a propósito do espólio fotográfico da Missão Phoenix, mas não se fiem nisso. Eles também disseram que a missão Apollo esteve na Lua e veio a saber-se que afinal não esteve nada, foi tudo treta.

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30/Setembro/2008

Se lá nevasse fazia-se lá ski

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Zona de aterragem da sonda

Região onde a Phoenix aterrou. Foto: NASA/JPL-Caltech/University of Arizona/MSSS

A sonda Phoenix detectou neve caindo das nuvens marcianas. Experiências conduzidas pela nave no solo já haviam proporcionado provas de uma interacção passada entre minerais e água líquida em Marte, um processo que também ocorre na Terra.

O instrumento laser concebido para ajudar a conhecer a forma como a atmosfera e a superfície marcianas interagem detectou neve em nuvens quatro quilómetros acima da zona de aterragem. Os dados recolhidos mostram que a neve se evapora antes de chegar ao solo.

É um testemunho extraordinário o que a pequena nave enviou agora para a Terra. Poderemos ver e saber mais? Jim Whiteway, da Universidade de Toronto, cientista-chefe da estação meteorológica canadense a bordo do Phoenix, afirma que a equipa «procurará sinais de que a neve eventualmente conseguirá chegar ao solo». (Este post é uma tradução dos três primeiros parágrafos do comunicado de imprensa da NASA. Ler mais)


Existem várias formas de acompanhar as novidades da missão: via Twitter, com uma série de actualizações muito concisas com hiperligações a sites de interesse; um screensaver que recebe as últimas actualizações quando se activa; através da página oficial da missão (Phoenix Mars Mission) e pelos diversos blogues mantidos pelos membros da equipa.

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30/Junho/2008

Quem quer provar espargo marciano?

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Faça favor de entrar, caro terráqueoLembram-se da missão Phoenix e da recolha de amostras de solo marciano para sabermos se ele é, de certa forma, comestível do ponto de vista de uma bactéria? Há novidades!

Os cientistas ainda não conseguiram responder à questão mais importante de todas, isto é, se em algum momento da história do planeta existiram condições para o surgimento da vida. Mas já estivemos mais longe de saber. E os primeiros indícios são animadores quanto às possibilidades de a vida não ser um «milagre» exclusivo deste minúsculo e insignificante planeta arrumado na periferia de uma galáxia vulgar.

As primeiras análises recolhidas pela sonda nas regiões polares de Marte mostram um tipo de solo com uma «sujidade» comparável à que podemos encontrar nas traseiras dos quintais da Terra (excepto cocó de cão, naturalmente). O químico Samuel Kounaves, entusiasmado, descreveu o tipo de solo nos termos mais terrestres possíveis: «Seria possível fazer crescer feijões, espargos e nabos neste tipo de solo, vocês sabem, esse tipo de coisas. Morangos já me parece mais difícil».

Estas conclusões não têm em conta a composição química da atmosfera e a ausência de água em estado líquido, mas servem para termos uma ideia de como o solo de Marte (pelo menos nas regiões polares) afinal não é demasiado ácido ou salgado, como se pensava, na verdade é bastante alcalino. «Um tipo de solo muito semelhante ao que se pode encontrar nos vales mais secos da Antártida», afirma Glen Nagle, responsável da NASA pela estação de rastreamento em Camberra, Austrália – «sítios onde existe água, onde a superfície tem vários tipos de minerais, cloreto, potássio, magnésio e outras coisas que podemos encontrar em solo terrestre».

A ideia de enviar uns quantos nabos e deixá-los florescer em Marte é tentadora. Eu ofereço-me já para fazer uma lista de uns quantos que não me importava de despachar. Infelizmente, existe um pequeno pormenor que impede a concretização desses planos: a realidade. Não obstante os nossos sonhos quanto ao passado de Marte, as condições actuais não favorecem os nabos ou qualquer outro tipo de vegetais: «Não existe água em estado líquido, é demasiado frio e portanto, acentua Glen Nagle, «se você tentasse comer um espargo marciano seria a pior dentada da sua vida».

«Um solo ácido e salgado pode ser muito interessante do ponto de vista mineralógico», diz Jon Clarke, da Mars Society Australia, «mas do ponto de vista de um organismo não é um solo muito hospitaleiro. E também não é bom para futuras missões tripuladas».

Portanto estamos melhor do que estávamos.

Dado que a sonda Phoenix descobriu uma camada de gelo poucos centímetros abaixo da superfície marciana, o próximo passo é analisar esse gelo. Objectivo: encontrar «pistas» que nos permitam dizer que a vida em Marte poderá ter realmente existido. Uma descoberta sensacional seria encontrarmos no gelo vestígios de moléculas orgânicas complexas. Agora é esperar que os instrumentos da sonda prossigam o seu trabalho sem problemas.

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5/Junho/2008

Gelo, sais ou um material mais exótico?

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Notícias de Marte! Fizeram-se duas escavações preliminares para ganhar prática e confiança quanto à operacionalidade do braço robótico, mas as fotos enviadas pela Phoenix revelam já o primeiro mistério: de que material será feito a zona esbranquiçada no pequeno buraco escavado? É a parte superior de uma camada de gelo? Sais? Se for este o caso, Marte terá tido realmente um clima mais húmido num passado distante. Tratar-se-á de algo ainda mais exótico? Enquanto não for analisado pelos sensores, ninguém pode dizer ao certo.

Primeiras escavações em Marte

Escavações «a sério», incluindo a recolha de material para análise, poderão começar ainda hoje ou amanhã. A Phoenix depende de duas sondas em órbita para transmitir dados e receber instruções da Terra: a Mars Reconnaissance Orbiter e a Mars Odissey. Esta última, contudo, entrou em Modo de Segurança (Safe Mode) e a equipa de cientistas está ainda a tentar perceber porquê. Em Modo de Segurança, a nave desliga todas as operações não-essenciais e fica à espera de instruções da Terra. Enquanto este problema não se resolve, a Phoenix irá dar seguimento a um conjunto de comandos pré-programados de forma a poder completar uma foto panorâmica de 360 graus a cores e em alta resolução.
Existem várias formas de acompanhar as novidades da missão: via Twitter, com uma série de actualizações muito concisas com hiperligações a sites de interesse; um screensaver que recebe as últimas actualizações quando se activa; através da página oficial da missão (Phoenix Mars Mission) e pelos diversos blogues mantidos pelos membros da equipa.

Adenda: novas análises efectuadas à rocha marciana recolhida pelo rover Opportunity sugerem que, caso tenha de facto existido, a água era demasiado salgada para suportar a vida tal como a conhecemos. As análises foram feitas na Universidade de Harvard e na Universidade de Stony Brook. Os investigadores admitem que o sal possa eventualmente ter estado mais diluído na água num passado distante ou noutras áreas do planeta, mas os dados coligidos indicam que a zona explorada pelo rover deverá ter sido uma das mais húmidas e hospitaleira do antigo Marte. A notícia (em inglês) aqui.

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