Arquivos da(s) tag(s): Humor
→ 30/03/2012 @17:42

Post nº 3644

→ 23/02/2012 @18:45

Ding Dong, Ding Dong


(Obrigado, Sérgio Paulino)

→ 26/01/2012 @19:29

Erro de sistema (*)

(*) José Cid também quer ser pago por cada cópia que fizermos das nossas fotos.

→ 21/01/2012 @15:09

Sem o Citador não sei o que seria deste post XXIX

Por vezes a curiosidade abre novos horizontes, quando não, acende a chama do entusiasmo para procurá-los.

- Rabi Yaacov ben Shimon

→ 20/12/2011 @17:13

Se até lá não nos virmos, feliz Natal

What Santa Does the Rest of the Year, 2006 (Foto: Martin Velasquez)

→ 15/12/2011 @9:29

E se o meu cérebro fosse um amigo imaginário?

→ 13/12/2011 @9:21

Vaginas: muitas muitas muitas

Não era para recuperar o texto que se segue, mas recebi um email do co-autor deste blogue, Rui ‘Foobar’ Paes, sugerindo que eu devia escrever qualquer coisa sobre esta lista.

A lista foi elaborada no BuzzFeed e consiste numa galeria de fotos – estão aqui duas – mostrando as melhores e piores tatuagens vaginais de sempre.

«Este post tem a tua cara», escreveu o engraçadinho do REP.

Mas sobre esse delicado e importante assunto das vaginas já eu escrevi no blogue, caso o engraçadinho não saiba; pelo que em vez de estar a escrever larachas sobre vaginas tatuadas, que nem são propriamente muito sexys, prefiro recuperar um texto que escrevi sobre patarecas – estas, sim, merecedoras de destaque.

 

Importante reflexão existencial sobre a patareca

Há muitas formas populares de designar o órgão sexual feminino: cona, pipi, pito, pirona, rata, vagina, ninho, parreco, racha, febra, entrefolhos, mexilhão, ostra, greta, pachacha, patareca, crica e aranha são algumas das mais conhecidas.

A minha preferida, em termos de sonoridade, é patareca. Ó minha linda patareca. Dava uma bela cantiga de amor ou um fado de Coimbra. Experimentem dizê-la em voz alta: nunca mais querem outra coisa.

Patareca está para vagina como sarapitola está para masturbação. Têm o mesmo significado que os seus equivalentes politicamente corretos, mas o calão é mais profundo e reúne, numa única palavra, intimidade e sentido de humor – duas forças extremamente poderosas, sobretudo quando colocadas frente a frente, de forma descomplexada, sem tentarem eliminar-se uma à outra. Saber rir da nossa própria intimidade, diante do outro, parece-me um sublime ato de entrega.

Tenham em atenção, contudo, pois patareca é uma palavra especial que designa algo de sagrado e portanto não deve ser usada em vão. Podem pensar que é engraçado batizar a vossa cadelinha de Patareca só porque é uma palavra simpática que vos soa bem; compreendo que seja tentador que a Patareca venha a correr na vossa direção, abanando-se toda contente e saltitante, sempre que a chamarem, e se vá embora, já disposta a perdoar-vos, quando dela não precisem. Mas só as vaginas se comportam assim.

Não, não fumei nenhuma substância proibida – além das patarecas, também gosto de palavras. Como dizia o grande George Carlin, as palavras podem dizer-nos muito mais do que o seu significado mais restrito. Por exemplo, de acordo com o dicionário da Priberam entrefolhos são indigestões crónicas no folhoso dos ruminantes; contudo, tenho a certeza absoluta de que o génio que inventou a expressão entrefolhos do cu não estava a pensar em perturbações digestivas.

Há palavras que não ofendem os bons costumes, mas pura e simplesmente não prestam justiça ao ato. Masturbação, por exemplo. Nenhum tipo saudável se masturba; masturbação é ato solitário, deprimente, triste, desesperado, egocêntrico; masturbação é, na melhor das hipóteses, palavra para consultório médico ou salões pudicos.

Um tipo mentalmente são esgalha o pessegueiro, bate uma sarapitola porque, para esse, a punheta envolve sempre a presença de alguém. Para conseguir imaginar alguém quando na verdade esse alguém não se encontra fisicamente presente, é necessário atingir a simbiose perfeita entre intimidade e sentido de humor para que a sarapitola não se transforme em masturbação.

O mesmo princípio se aplica à crica dos nossos sonhos. Conseguem imaginar uma vagina aos saltos? Eu não. Vagina é estática, fria, seca, estendida para ser observada através das lentes de um microscópio até mirrar de desconforto. A vagina não se ama, disseca-se; só uma patareca se pode pôr aos saltos de alegria, desejo e emoção, e manter a independência e personalidade que a tornam única. Uma vagina até se cumprimenta com respeito e deferência; uma patareca é para se beijar calorosamente.