12/Novembro/2009

Nus por Geyse Arruda

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Manifestação em Brasília

Manifestação em Brasília

Manifestação em Brasília

Geyse Arruda pode (ou não) aceitar um eventual convite da Playboy para tirar finalmente a saia curta que tanto oprimiu a consciência moral dos estudantes da Uniban, mas o seu caso já deu origem a uma das mais originais manifestações de estudantes de que tenho memória.

Quase 100 alunos da Universidade de Brasília ficaram hoje nus (ou seminus) durante uma manifestação de apoio a Geyse. Alguns cartazes de apoio, segundo o sítio G1, diziam: «Pela liberdade de expressão e o fim da opressão machista».

Publicado por Marco Santos | Categoria: Instantes | 22 comentários »
8/Novembro/2009

Não há segundas oportunidades para as «putas»

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Geyse Arruda

O caso Geyse Arruda – a aluna de 20 anos forçada a abandonar a Universidade escoltada pela polícia por usar saia curta – teve um novo desenvolvimento: a Universidade Bandeirante decidiu expulsar a aluna.

A Universidade tomou a decisão após uma «sindicância interna constatar que a aluna teve uma postura incompatível com o ambiente da universidade, frequentando as dependências da unidade em trajes inadequados». Segundo o comunicado da Uniban, Geisy «provocou» os colegas ao fazer «um percurso maior que o habitual, desrespeitando princípios éticos, a dignidade académica e a moralidade».

Geyse tem 20 anos e cometeu um erro: usar aquele vestido na Universidade. Não sabemos a história toda. Geyse podia até não ser muito popular entre os colegas. Talvez fosse até uma convencida insuportável. Não sabemos.

Geyse cometeu um erro de avaliação e a Universidade não lhe deu oportunidade de aprender com o erro. A Universidade podia ter visto no caso uma oportunidade de transmitir aos alunos (e a Geyse) algumas lições sobre bom senso, sexualidade, postura e respeito.

Em vez disso, juntou-se à multidão velhaca e preconceituosa que a cercou aos gritos de «vagabunda» e «puta». Apoiou o apedrejamento moral de uma aluna de 20 anos porque considera que a exibição da sexualidade por parte de uma mulher – ainda que insensata e imatura, por ser na Universidade – só pode ter como objectivo «provocar» os colegas. A vagabunda. A puta. E os alunos, coitados, só defenderam o bom ambiente da Universidade.

Este caso não é apenas brasileiro, é uma vergonha universal. Envergonha e revolta todos aqueles que acreditam que o grande mal deste mundo é existir demasiada informação para tão pouca formação. No fim, como escreve Marcos Guterman, foi castigada a vítima.


Faculdade preconceito

Inscrição num dos muros da Universidade Bandeirante: 10 alunos foram suspensos, mas é a expulsão de Geyse Arruda que divide neste momento os universitários: segundo uma reportagem do G1, alguns concordam com a decisão da Faculdade, outros consideram-na ridícula. [Foto: Juliana Cardilli/G1]

Sobre este caso, ler: O caso da agressão a Geyse Arruda na Uniban, e a hipocrisia conservadora [Valorização do Professor] | Inacreditável: Uniban expulsa aluna [Escreva, Lola, Escreva] | Unitaliban: o total fracasso da Educação [Desemburrecendo] | Uniban expulsa Geyse! [Apoiadores da Loira da Uniban] | Ecos da expulsão que inaugurou uma ‘época despida’ [Josias de Souza] | Mais uma aluna é hostilizada em Universidade [Fiapo de Jaca]


Actualização: a Universidade já não vai expulsar a aluna (Escreva Lola Escreva)


Adenda: esta «notícia» do Diário de BarrelasGeyse Arruda negoceia sessão fotográfica com a Playboy – já enganou algumas pessoas, mas é falsa: o jornal Diário de Barrelas é um projecto online com notícias deliberadamente mentirosas, humorísticas, como no caso do americano The Onion. Os boatos de que tanto oiço falar devem ter nascido aqui.

Um pequeno exercício especulativo: vamos supor que a Playboy morde o isco e acena à jovem uma fortuna para posar nua. Se ela for insensata a ponto de aceitar fazer o ensaio, todos aqueles que a consideraram vagabunda irão pensar: Eu bem dizia. Na verdade, não se limitarão a pensar – vão gritar novamente.

Convém não esquecer que este caso não depende de uma pessoa chamada Geyse e dos erros que poderá vir a cometer ou dos defeitos que lhe apontarem. O que está em causa é um princípio que transcende nacionalidades ou julgamentos de carácter: não aceitar linchamentos públicos, muito menos quando são baseados no preconceito, intolerância, sexismo, inveja, hipocrisia ou estupidez. Tão simples como isto.

Publicado por Marco Santos | Categoria: Instantes | 60 comentários »