24/Maio/2010

Sting cantando Zappa

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Zappa e Sting encontraram-se num hotel antes de um dos concertos da digressão de 1988. Depois de uma conversa cordial e agradável, Zappa convidou-o a subir ao palco e interpretar com a banda uma canção dos Police, «Murder By Numbers». Daqui resultou uma versão jazzística da canção, saída no álbum «Broadway the Hardway». Sting prescindiu dos royalties com a condição de o seu nome não ser usado por Zappa para promover o disco.

Mas Sting também interpretou Zappa. Dias depois do concerto, enviou um telegrama a Zappa pedindo-lhe a pauta de «The Idiot Bastard Son» e rematando com um «vais ver que não te arrependes

A cover de Sting nunca fez parte da sua discografia, mas existem várias gravações não oficiais. Esta é uma delas – a de melhor qualidade sonora que encontrei, retirada de um bootleg chamado «The Art Of The Heart».

«The Art of the Heart» foi gravado a partir da própria soundboard no Wiltern Theatre em Los Angeles, a 27 de Julho de 1988. Sting planeara lançar um disco ao vivo a partir deste concerto, mas por alguma razão esse disco nunca chegou a ser feito; em vez disso, surgiu esta gravação pirata (3 CD’s) em 1992.

Para os fãs de Zappa e Sting, eis a interpretação de «The Idiot Bastard Son»:

Sting: The Idiot Bastard Son
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12/Maio/2010

Rádio Bitaites [17]

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Eis a última emissão dedicada a Frank Zappa. Cada uma destas emissões obteve, em média, uns 2000 downloads. Isto significa que contribuí para que 2000 pessoas no mundo lusófono conhecessem melhor FZ, tal como em emissões anteriores contribuí para se conhecer outros nomes – e assim continuará, enquanto este blogue existir. Um sucesso absoluto para aquilo que eu tanto gosto de fazer: divulgar a música e os músicos que adoro.

Assim Falou Zappathustra, Parte 5

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10/Maio/2010

Rádio Bitaites [16]

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Eis a quarta e penúltima emissão dedicada ao grande compositor Frank Zappa. Não segui qualquer plano consistente para apresentar-vos as músicas, apenas fui passando de uma para outra guiado pelos meus ouvidos, como fez o próprio na série de discos You Can´t Do That On Stage Anymore. Seja como for, juntei várias canções onde televangelistas e outros religiosos são completamente varridos pela crítica ácida e certeira de FZ.

Assim Falou Zappathustra, Parte 4

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5/Maio/2010

Rádio Bitaites [15]

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Esta terceira emissão dedicada a Zappa é muito virada para aqueles que já são fãs – inicia-se com um excerto de Ionisation, de Varèse, a grande influência de FZ, e segue depois com temas bastante difíceis de ouvir – acho-os fantásticos, porque são compostos por estruturas rítmicas muito complicadas, tocadas com uma energia rock. Quando oiço The Black Page, por exemplo, lembro-me sempre do Imperador do filme Amadeus e do seu «too many notes!»
Mas isto é apenas uma parte da emissão. Se não estão para ouvir agora, talvez os zappanóicos do Bitaites queiram assistir ao vídeo Zappa master class with Dave Frank. Valiosa lição.

Assim Falou Zappathustra, Parte 3

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30/Abril/2010

Rádio Bitaites [14]

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Com esta nova emissão – a segunda das que estão a ser dedicadas a Frank Zappa – passo a disponibilizar um ficheiro .cue, o que permitirá que o longo mp3 seja dividido em faixas identificáveis: basta abrir o ficheiro .cue com um player fantástico para Windows como o Foobar e pronto, a magia acontece. Se quiserem gravar um CD a partir daqui, basta também usar esse ficheiro.

Atenção: aproveitei para inserir um ficheiro .cue na primeira emissão de Frank Zappa – mas terão de descarregar o mp3 outra vez, dado que aproveitei e acrescentei-lhe mais temas.

Estou também a reformular as anteriores emissões da Rádio Bitaites, acrescentando-lhes faixas e o ficheiro .cue correspondente. As primeiras cinco já estão, mais tarde actualizarei esses posts.

Assim Falou Zappathustra, Parte 2

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26/Abril/2010

Adivinha lá outra vez

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Bem, começo a achar piada a este jogo de adivinhas musicais. Cá vai mais uma: de quem é esta bonita cançãozinha? Um salgadinho (simbólico) a quem conseguir descobrir…

Bem podes ouvir, pá, esta não vais lá
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25/Abril/2010

Rádio Bitaites [13]

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Esta é a primeira de cinco emissões de rádio dedicadas a Zappa. Escusam de agradecer. Eu faço questão!
Enquanto roem as unhas de ansiedade à espera da próxima, talvez queiram ler um notável livro sobre o mestre: The Negative Dialectics of Poodle Play, de Ben Watson, diligentemente traduzido para português pelo encenador Pedro Marques.

Assim Falou Zappathustra, Parte 1

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22/Abril/2010

Kill Ugly Radio

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Frank Zappa

Ilustração: Giorgio Comolo (1999)

As próximas cinco emissões da Rádio Bitaites serão exclusivamente dedicadas à música de um dos melhores compositores de todos os tempos: Frank Zappa. As primeiras quatro, aproximadamente uma hora e 25 minutos cada, serão uma compilação das músicas do mestre – as 50 melhores, pelos menos. Ficaram centenas de fora.

A quinta emissão será ocupada apenas com covers que outros fizeram e continuam a fazer das suas músicas, desde grupos avant-guard e bandas de jazz, a músicos de diferentes backgrounds que se juntam em concerto para lhe prestar tributo. Zappa previa, com ironia, que dificilmente a sua música seria tocada no futuro, «por ser muito difícil». Ainda bem que estava enganado.

Sim, já sei. Lá está o gajo outra vez com o raio do Zappa. Bem, das doze emissões já feitas dei-vos a conhecer, pelo menos foi essa a intenção, a obra de muitas dezenas de grandes músicos que adoro. Depois destas emissões dedicadas ao mestre, verei se é viável seguir as vossas ideias.

Haverá sempre alguém a contradizer-me neste ponto, mas a minha experiência ao mostrar Zappa a outras pessoas diz-me que é difícil encontrar alguém para quem estas músicas sejam indiferentes: já vi maluquinhos do jazz rejeitando aqueles sons como se estes fossem clisteres aplicados nos ouvidos; já vi maluquinhos do jazz completamente apanhados; já vi amantes de música clássica abrindo a boca de espanto, sobretudo com as composições para os concertos com os Ensemble Modern, editados no disco The Yellow Shark; outros falando dele com gestos de repúdio. Já vi conversões e rejeições instantâneas. Também há quem o recorde como «o tal gajo que comia merda em palco» ou «o tal gajo que cagou nas teclas do piano e depois começou a tocar».


Comer merda em palco

A lenda segundo a qual Zappa comeu merda em palco circula há muito, muito tempo, sempre em diferentes versões e variedades. Se me disserem que 90 por cento dos rappers da MTV come merda em palco, então a única interpretação que poderei dar é que os rappers da MTV acabaram por engolir as suas próprias palavras – finalmente. Zappa é avesso a comportamentos escatológicos, embora as suas entrevistas possam ser verdadeiros tratados acerca dos excrementos musicais que infestam as rádios. Só quem desconhece a obra e personalidade deste compositor poderia acreditar numa história tão mirabolante.

Aliás, a malta que vai a determinados concertos, hoje em dia, consegue comer mais merda do que aquela que este pseudo-Zappa alguma vez conseguiu.

Não sei se ainda valerá a pena mencionar que o próprio mestre se viu forçado a desmentir tais refeições no livro The Real Frank Zappa Book. O venerável guitarrista esclareceu então que o único momento da vida em que sentira ter comido merda tinha sido num local mais plausível: adivinharam, um restaurante.

Por rigor histórico e continuidade conceptual, Zappa não só mencionou o nome do estabelecimento como publicou, na mesma página, um mapa com a sua localização detalhada.

A música de Zappa é demasiado visceral e angular, resultado de uma formidável colagem de muitos estilos musicais diferentes, por vezes numa única composição. Tais colagens não surgem por acaso, mas sempre ao serviço de uma ideia musical ou teatral. Zappa era uma esponja que absorvia todos os sons, de Edgar Varèse e Anton Webern a Johnny Guitar Watson, devolvendo-os depois, já transfigurados e enriquecidos pela sua própria personalidade musical.

Dito isto, qualquer zappanóico vos poderá confirmar que encontrar alguém que deteste Zappa não é necessariamente ofensivo, pois a obra do mestre não foi feita para inspirar sentimentos menores. Não serve para elevadores, não presta como música ambiente, não entra no ouvido como um sucesso de Verão nem é muito boa para meter no iPod enquanto ziguezagueamos pela cidade: é uma música que nos desafia constantemente e exige total atenção.

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4/Fevereiro/2010

E agora, um eco completamente imprevisto

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A. Paulo FerreiraZappa

O senhor A. Paulo Ferreira, 34 anos, blogger dos Ecos Imprevistos (vejam o post sobre o iPad, um dos poucos em Portugal escritos pela própria cabeça do autor) e homem das artes gráficas, encontra-se na excelsa companhia do senhor Frank Zappa, mestre sem idade, músico e compositor.

Estão aqui lado a lado como dois bons compinchas porque, por ocasião do aniversário do blogue, neste comentário, o senhor do lado esquerdo teve um acesso de generosidade e propôs o seguinte:

- Ó Marco, já que temos de gramar com o avatar deste animal com um corte de cabelo à pipi das meias altas, ao menos ajuda-nos a conhecer melhor o personagem e, à laia de comemoração, mete aí um vídeo com umas cenas desse energúmeno que tão parvamente idolatras.

Ele não usou bem estas palavras, mas pronto, são liberdades poéticas destinadas a dar maior ênfase a esta ocasião pela qual a esmagadora maioria de vocês ansiava. Estou certo disto como dois e dois serem 22.

Além disso, já tive pretextos piores para vos enfiar a música do mestre Zappa pelas goelas abaixo.

Para verem como me empenhei a sério, até fui buscar um player para vos poupar à maçada dos downloads ilegais – muito simples, nada daqueles players maricas cheios de brilhantina; é apenas um plugin para WordPress que permite aos milhares de interessados em conhecer melhor a obra do guru carregar no Play e dar início ao programa, à aventura, enfim, à lavagem dessa cera MTV que alguns ainda têm nos ouvidos.

As músicas são todas da digressão de 1988 – a última.

Por ordem de entrada, irão ouvir os seguintes temas, perdão, composições: Zombie Woof (uma cacofonia metálica sobre zombies, intelectualmente irrepreensível), o Bolero de Ravel em versão guedelhuda; Rhymin’ Man (um tema sobre cobóis, rimas de cobóis, democratas e estrume de cavalo), Black Napkins, um blues com pinta de jazzístico; Big Swifty, porque o jazz não morreu, só tem um cheiro esquisito; uma brincadeira zappanóica com Stravinsky e Bartók (o mestre, não sei se já disse, era realmente extraordinário a puxar pelos músicos) e, para terminar, Jesus Thinks You’re a Jerk, canção com elevado potencial comercial destinada a moer o juízo a tele-evangelistas, republicanos e conservadores da direita religiosa americana – tudo gente desempoeirada.

Todas as músicas são tocadas ao vivo – e arrisco dizer que alguns de vós nunca tiveram oportunidade de escutar músicos de excelência como estes a tocar todas estas notas e ritmos esquisitos e difíceis sem a rede dos overdubs em estúdio.

Ora bem,


Frank Zappa - Iniciação ao grande mestre
Publicado por Marco Santos | Categoria: Música | 23 comentários »