Arquivos da(s) tag(s): Fotografia
→ 12/07/2009 @0:58

Tu estás na capa do teu disco preferido

Sleeveface

Já tinha mostrado no blogue alguns exemplos dispersos que fui encontrando, mas graças à minha filhota descobri um sítio completamente dedicado à técnica de fotografar a capa do disco e dar a ilusão de que esta se encontra inserida no meio físico envolvente. Músico e fã fundem-se numa única imagem: é bonito. A de John Coltrane (de João Oliveira e Pedro Oliveira, serão irmãos e portugueses?) é simplesmente espectacular: adoro o músico, o jazz, o álbum, a capa, esta montagem.

O sítio chama-se Sleeveface e mostra-nos como esta ideia é muito popular. Um livro com mais de 200 imagens já se encontra à venda online; um vídeo explica como fazer estas fotos; as actualizações podem ser acompanhadas via Twitter; os discos e os artistas são muitos, para todos os gostos. E fãs cheios de jeitinho e paciência contribuem regularmente. Link

→ 07/05/2009 @2:41

Tásse bem, dona Maria Joana

Manifestação a favor da Marijuana

Foto: Luis Benavides

→ 20/04/2009 @17:23

15 grandes fotos da Segunda Guerra Mundial

O sítio WWII in Color é uma impressionante colecção de fotos captadas durante os combates travados na II Guerra Mundial. Muitas das imagens foram tiradas pelos próprios soldados e não por jornalistas, embora algumas das mais conhecidas imagens dos repórteres de guerra também se encontrem presentes na colecção.

A mais recente entrada do WWII in Color diz respeito a uma impressionante selecção de 15 grandes fotos de guerra, todas retiradas dos arquivos do NARA (National Archives and Records Administration). Dado que o NARA se assume como o «guardião da memória dos Estados Unidos», as imagens seleccionadas mostram-nos apenas a máquina de guerra norte-americana em acção.

Grandes fotos da Segunda Guerra MundialGrandes fotos da Segunda Guerra MundialGrandes fotos da Segunda Guerra MundialGrandes fotos da Segunda Guerra Mundial

O WWII in Color depende das contribuições de pessoas de todo o mundo, pelo que podemos encontrar fotos de praticamente todas as nacionalidades envolvidas na grande carnificina: alemães, russos, franceses, japoneses, ingleses, italianos, mas também o testemunho fotográficos dos horrores passados por soldados do Canadá, México, Brasil ou Finlândia.

A página principal contém marcadores mostrando a nacionalidade das forças fotografadas e inclui também uma secção de «Dramatic Photos» onde são arquivadas as mais sangrentas: esta secção inclui, por exemplo, um grande plano dos cadáveres do ditador italiano Benito Mussolini e da companheira, Clara Petacci, fotografados numa morgue de Milão: uma foto quase comovente, pois o casal foi fuzilado ao mesmo tempo e morreu de braço dado. Não é uma secção muito agradável de se ver.

Praticamente todas as fotos são acompanhadas de um curto texto informativo, suficiente para se ter uma ideia do que estamos a ver mas que não conta nem um décimo da história – esta, se estivermos interessados, terá de ser pesquisada no Google ou nas bibliotecas.

→ 02/02/2009 @23:38

Pixel com três ‘X’

JeanYves Lemoigne

Uma vez – já não me lembro onde e quando – li uma entrevista do grande realizador Federico Fellini. Falava-se de vários colegas de profissão até que se chegou ao nome de Stanley Kubrick. Fellini disse então que gostava bastante do cinema dele, sobretudo de 2001: Odisseia no Espaço, porque neste filme se mostrava como «os efeitos especiais podiam estar ao serviço das ideias e não as ideias ao serviço dos efeitos especiais».

Lembro-me sempre destas palavras de Fellini quando se fala na «pureza» da fotografia à maneira de um Henri Cartier-Bresson e do Photoshop como um elemento estranho a essa «pureza» de métodos. Com manipulação digital ou não, a verdade é que Cartier-Bresson, que nos últimos anos de vida abandonara a fotografia profissional para se dedicar à pintura, não gostava nada de encenações ou artes conceptuais. «Fotografar é colocar, na mesma linha de mira, a cabeça, o olho e o coração», costumava dizer. Por isso não gostava de fotos retocadas e cenários artificiais. «Se um artista conceptual me convida para jantar, servirá apenas as espinhas do peixe! Eu prefiro a carne do peixe.»

Se notamos que o Photoshop é usado para embelezar uma fotografia vulgar, é fácil concordar com Cartier-Bresson e evocarmos essa «pureza» primordial que atravessa máquina, fotógrafo e realidade; tal como com os efeitos especiais de Kubrick vistos por Fellini, contudo, o Photoshop também pode ser usado ao serviço de uma concepção artística ou editorial, abstracta ou não.

JeanYves LemoigneJeanYves Lemoigne

É este o caso do fotógrafo JeanYves Lemoigne, um nome conceituado no mundo da fotografia e da publicidade, responsável também por vários trabalhos editoriais para uma série de revistas. O destas imagens é um daqueles em que a manipulação digital existe em nome de uma ideia: a série chama-se Pixxxel e foi encomendada pela Amusement Magazine.

No sítio de JeanYves Lemoigne (infelizmente com carradas de flash) há muitos outros trabalhos para ver. O uso da cor e as escolhas na concepção das fotos reflectem o trabalho de Philip-Lorca diCorcia – o que é perfeitamente trivial, pois diCorcia influenciou meio mundo da fotografia publicitária. Este fotógrafo americano concebe as fotos até ao mais ínfimo pormenor ainda antes de pegar numa máquina, à maneira de um Hitchcock, que tinha o filme todo dentro da cabeça antes de filmar; numa célebre e longa entrevista a François Truffaut,  considerava mesmo a sua presença no set quase desnecessária, uma coisa «burocrática». Sobre diCorcia escreverei um post um dia destes, mas é impossível ver algumas das suas fotos sem o imaginar a passar muitas horas diante dos quadros de Edward Hopper.

→ 08/01/2009 @0:45

O fotógrafo oficial de Barack Obama

Barack Obama já escolheu o fotógrafo oficial da Casa Branca, o homem que terá um acesso privilegiado ao presidente e «testemunhará a história» com a sua Canon 5D: chama-se Pete Souza, tem 53 anos, é professor assistente de Foto-jornalismo na Universidade de Ohio e neto de emigrantes açorianos.

Há três anos que Pete Souza acompanhava Obama. Registou os grandes momentos da carreira do futuro presidente americano desde a estreia como jovem senador no Capitólio até à vitória final nas Presidenciais. Reuniu as melhores fotografias num livro que se tornou um êxito de vendas na América, A Ascenção de Barack Obama. Foi também um dos primeiros a fazer a cobertura fotográfica da guerra no Afeganistão, para onde viajou poucas semanas após o 11 de Setembro.

Senador Obama

Afirma que a partir do momento em que foi destacado pelo Chicago Tribune para fazer a cobertura dos primeiros dias de Obama enquanto senador e ao longo dos meses que se seguiram foi formando a convicção de que «possuía todos os atributos necessários a um futuro presidente dos Estados Unidos», por causa da sua «notável» história de vida, os dotes de «poderoso orador» e «a forma como se relaciona com as pessoas e como estas lhe respondem».

Apoiantes de Obama

Não é a primeira vez que Souza é destacado como fotógrafo oficial da Casa Branca: há mais de 20 anos tinha sido escolhido pelo republicano Ronald Reagan.

Dos cinco anos que passou então na Casa Branca publicou dois livros de fotografias: «Momentos não guardados: Fotografias de bastidores do Presidente Reagan», em 1992, e «Imagens de grandeza: Um olhar íntimo sobre a presidência de Ronald Reagan», em 2004. Quando terminou o trabalho na Casa Branca regressou ao jornalismo e foi bem recebido, «algo de muito raro neste meio, sobretudo quando se trata de alguém que trabalhou com republicanos», como afirmou no seu blogue o excelente fotógrafo da Reuters Kenneth Jarecke.

O trabalho de Souza foi tão apreciado na Casa Branca que foi ele o escolhido pela família de Reagan para as fotografias oficiais do funeral do ex-presidente.

As diferenças políticas entre os dois presidentes, Obama e Reagan, são demasiado evidentes, mas Pete Souza, que tantos acontecimentos públicos e privados testemunhou, não revela as suas preferências. Entrevistado pela Agência Lusa semanas antes de ser nomeado, não obstante os enormes elogios ao carácter de Obama, recusou sempre revelar qual tinha sido seu sentido de voto.

Souza tem como principais referências mestres como Sebastião Salgado e o mítico Henri Cartier-Bresson, considerado o pai do foto-jornalismo, portanto não admira que prefira salientar sempre o seu papel como um «documentalista» da História. Mesmo quando confessa a sua enorme admiração pelo músico Bruce Springsteen, diz que só o gostaria de fotografar de «forma documental».

As suas origens açorianas e portuguesas foram faladas nessa mesma entrevista à Agência Lusa, quando revelou o desejo de um dia regressar aos Açores e registar em imagens a vida no arquipélago.

«Em 1988, acompanhei o meu tio numa visita à ilha onde nasceram os meus avós. É um lugar maravilhoso. Espero regressar. Em Portugal Continental estive uma vez com o Presidente Reagan nos anos 80. Nessa altura os meus colegas na Casa Branca diziam-me que toda a gente se parecia comigo».

O sítio de Pete Souza contém muitas fotos para ver.

→ 02/01/2009 @16:11

As melhores fotos do mundo

James Dean em Times SquareO tornado e o arco-íris

James Dean em Times Square, 1955 (Dennis Stock) e Tornado Vs. Arco-íris (autor desconhecido)

Se uma imagem vale mil palavras, então estas fotos valem mil palavras mais uma. Eis o mote de uma página que reúne o melhor da fotografia sob os mais variados temas. Muitas são recolhidas pelo próprio site, mas podemos seleccionar uma foto que consideramos de grande qualidade e submetê-la preenchendo os campos necessários que incluem, obviamente, o autor da fotografia e o máximo de informação que conseguirmos reunir (o que nem sempre é respeitado).

As fotos são muito variadas: estão lá praticamente todas as grandes imagens do fotojornalismo, mas também de autores desconhecidos. Existe um sistema de avaliação para votarmos e uma zona de comentários. As imagens estão organizadas por marcadores, uma lista com as mais bem avaliadas, mais vistas e mais recentes. É um bom recurso para quem procura ou quer descobrir novas fotos.

→ 21/12/2008 @3:43

Espantosa astrofotografia

O céu de Los Angeles

A 30 de Novembro o céu revelou as suas maravilhas ao engenheiro mecânico e astrónomo amador Dave Jurasevich. O brilhante Vénus e o distante Júpiter, à sua direita, estavam visíveis a olho nu; a Lua em quarto crescente, mais em baixo, aproximava-se dos dois corpos celestes. A foto foi tirada depois do por-do-Sol no Observatório Monte Wilson. As luzes da cidade de Los Angeles lembram vagamente um terreno incandescente pela lava. A cidade está coberta de uma fina neblina de poluição. Os arranha-céus, vistos aqui do lado esquerdo da foto, parecem tão pequenos como na realidade são: nada é mais grandioso do que um céu que nos deixa espreitar a imensidão do Universo. Em alta resolução

A nebulosa NGC 281

Foi catalogada como NGC 281. Ao observar a sua espantosa beleza, não haveria um nome mais apropriado a dar-lhe? Esta nebulosa também é conhecida por Pacman por causa do formato observado em imagens de campo mais aberto. A NGC 281, na constelação de Cassiopeia, a 10 mil anos/luz da Terra, é um berço de estrelas: milhões de novos e gigantescos sóis irradiam energia jovem para o Universo. A belíssima foto do astrónomo amador Ken Crawford mostra-nos as emissões dos átomos de hidrogénio, enxofre e oxigénio da nebulosa em tonalidades de verde, vermelho e azul. De uma ponta à outra, a foto abrange 80 mil anos/luz. A nossa nave espacial mais rápida, a Voyager I, demoraria cerca de 3,2 biliões de anos a percorrer a distância captada nesta imagem. Em alta resolução

A galáxia elíptica NGC 1132

As galáxias são canibais: comem-se umas às outras. E esta, a NGC 1132, uma estrutura elíptica situada a 318 milhões anos/luz de distância da Terra, é o resultado final de uma fusão de galáxias. Não é a única hipótese, pois a NGC poderia ter sido um «lobo solitário» no Universo. Captada pela câmara do Hubble, a NGC 1132 contém uma enorme concentração da chamada matéria negra. Os cientistas ainda não sabem muito bem o que é de facto a matéria negra – como intuir algo que não podemos ver, seja qual for a banda do espectro em que observemos, muito menos tocar ou sentir? No entanto, dizem os cientistas, essa matéria é real e constitui entre 80 e 90 por cento da matéria de todo o Universo. Como sabemos que ela existe? Pela sua influência gravitacional sobre a matéria que os nossos instrumentos conseguem observar e porque fornece a quantidade de gravidade necessária para manter o Universo unido. Em alta resolução