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→ 30/03/2012 @14:50

A minha coleção de aviões na 2ª Circular

O momento «Quando fores grandes queres ser o quê?» acontece normalmente nos encontros de família: por não ter nada para dizer, há sempre alguém que faz a pergunta.

Eu respondia com um encolher de ombros e um «sei lá». Com o tempo, passei a responder com algumas das sugestões que me faziam quando eu encolhia os ombros: bombeiro, polícia, médico e, muitas vezes, pasteleiro.

Um dia, fui ver os aviões com o meu avô, sentei-me no banco e passei a saber responder.
















→ 27/03/2012 @16:03

Mauzões na reforma

O fotógrafo italiano Federico Chiesa, nascido em Roma, «da classe de 1979», concebeu um projeto chamado Horror Vacui. Com a colaboração da maquilhadora Carolina Trotta, este fotógrafo do mundo da publicidade procura responder à pergunta «E se os personagens mais assustadores dos filmes da década de 80 estivessem vivos hoje?»

Eu fui apanhado pelo projeto por causa da fotografia das gémeas envelhecidas, a dupla fantasmagórica de Shining, do mestre Kubrick. E nem sequer me importei muito com o absurdo da pergunta de Chiesa, porque as gémeas do filme eram espíritos, já estavam mortas, portanto nunca poderiam envelhecer.

Já o Vader, de mantinha nas pseudo-pernas e comando na pseudo-mão, continua a divertir-se com o lado negro da Força. Link

→ 24/03/2012 @20:52

O que me aconteceu

Fotos: Isabel Santiago Henriques/Lightshot

Esta manifestação começou calma, muito calma.

Gente a conversar, juntar cartazes, pessoal de bicicletas, amigos sentados no chão no Saldanha. Arranca não arranca, quase uma hora depois começaram a andar. Do Saldanha seguiram em direção à Avenida Almirante Reis e, mais tarde, ao Rossio. O único ponto mais «quente» foi em frente ao Banco de Portugal, onde a polícia teve que fazer um cordão por causa dos ovos que estavam a ser arremessados, mas nada de especial.

Durante duas horas, eu e a Patrícia de Melo Moreira (da Agência France Presse) seguimos a manifestação até chegar ao Rossio, onde outras plataformas se juntaram ao protesto.

 

A cara do polícia que me bateu era de raiva, até a língua estava a morder. Repeti não sei quantas vezes que era jornalista, em pânico, e nem assim ele parou, ainda deu com mais força.

 

Ao vermos que iriam dar mais uma volta lenta à Praça, sentámo-nos os dois num café a tentar editar umas fotografias (estas que aqui vêm, à exceção da última) para depois os apanharmos a caminho da Assembleia da República onde pensámos que possivelmente poderia haver alguma situação mais «quente». Acabou por não dar tempo para editar.

Começámos a subir a Rua do Carmo, depois a Rua Garret, onde começámos a ver o movimento anormal de carrinhas da Polícia de Intervenção. Corremos até ao local para onde se dirigiam.

Perdi-me da Patrícia e fui direito ao rapaz que aparece em todos vídeos a tirar o sangue da testa e atirar para cima da Polícia e apenas tirei uma fotografia (a penúltima aqui). Não tive tempo para me aperceber do que realmente estava a acontecer ali.

Quando me virei para trás, tirei esta última que aqui está e vi que estavam a começar a avançar e iriam varrer tudo o que estava à frente. Por mais absurdo que possa ser o comunicado da PSP que refere que nós, jornalistas, devemos estar atrás da linha policial (provavelmente para apanhar a cara de quem leva e não a de quem bate, como diz o Francisco Paraíso hoje no CM), foi exatamente isso que eu tentei fazer porque me vi numa situação em que iria ser apanhado no meio da confusão, sem sítio para escapar.

Liberdades de Expressão, de André Carrilho

 

A falta de inteligência daqueles animais não alcança que para cada câmara que tentam que não fotografe ou filme a sua brutalidade, há dezenas de outras a captar o que está acontecer?

 

Andei na direção deles a dizer que era jornalista, em voz alta, e fiz sinal para que me deixassem passar para trás da linha que estavam a fazer e foi aí que me bateram pela primeira vez na cabeça e caí ao chão.

O resto, as imagens mostram como foi, sendo o resultado dois cortes na cabeça, seis pontos, ombro, costas e joelhos amassados mas, acima de tudo, uma sensação de medo e impotência perante tudo o que estava a acontecer.

A cara do polícia que me bateu era de raiva, até a língua estava a morder. Repeti não sei quantas vezes que era jornalista, em pânico, e nem assim ele parou, ainda deu com mais força. Nunca pensei que aquilo pudesse acontecer no meu país.

Ainda mais revolta causa ver as imagens da Patrícia a ser agredida daquela maneira! Como é possível?! Desde quando uma mulher com uma câmara fotográfica é ameaça para alguém? Não sei se foi premeditado ou não, mas a falta de inteligência daqueles animais não alcança que para cada câmara que tentam que não fotografe ou filme a sua brutalidade, há dezenas de outras a captar o que está acontecer?

O resultado está à vista. As imagens daquelas duas senhoras já mais velhas, uma a levar uma joelhada no peito e outra a ser atirada ao chão… Também não há palavras para descrever. Parabéns a quem captou tudo isto para que se possa ver e rever. A única coisa boa que se tira disto é exatamente a atenção que o assunto está a ter, para que não se repita. Ler mais »

→ 23/03/2012 @2:35

Ao talento de um fotógrafo que levou porrada

Foto: José Sena Goulão

Poderia escrever palavras de solidariedade e afeto ao José Sena Goulão, o meu fotojornalista português preferido e convidado especial no Bitaites, mas achei preferível mostrar, com uma simples foto, o tremendo fotógrafo que ele é.

→ 16/03/2012 @1:36

A beleza da confrontação

Foto: EPA/Lindsey Parnaby

Dificilmente esquecerei o último momento do jogo entre Manchester City e Sporting, muito bem captado nesta foto de Peter Powell.

Desesperada por dar a volta à eliminatória, a equipa do City lança-se toda ao ataque à procura do golo redentor. O Sporting cerra fileiras cá atrás.

Nos últimos segundos do período de compensação o guarda-redes dos ingleses, Joe Hart, ganha uma bola nas alturas ao Carriço, salvo erro, e cabeceia para o golo…

A bola vai entrar e todo o esforço dos jogadores do Sporting se desmoronará pela combatividade de um guarda-redes. Mas é outro guarda-redes, o Rui Patrício, a conseguir defendê-la com a ponta dos dedos, negando ao colega de baliza o que teria sido o maior momento de glória da sua carreira.

Toda esta história se desenrola em dois, três segundos. Segundos de grande Futebol.

→ 15/03/2012 @16:14

Post nº 3621

→ 24/02/2012 @21:22

Porque o Jazz é só barulho (6)

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(Bernardo Sassetti Trio: Reflexos – Movimento Circular; Fotos de Paris: Guillaume Braunstein)