Em boas companhias
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CLÁSSICOS
O meu Windows só fala em Latim
02/06/2008 @9:29Devoção multibanco
08/10/2009 @17:09Importante reflexão existencial sobre a patareca
08/10/2009 @17:05A Arte de Blogar
18/03/2007 @14:20Luz e escuridão, muita
26/05/2011 @17:37Peidinhos abertos de Richard Stallman
06/06/2008 @16:07Já não se fazem Corleones como antigamente
12/12/2010 @22:13Conto blasfemo
02/06/2008 @9:33Uma Aventura no Centro de Desemprego
08/11/2010 @12:32A homofobia é um trambolho
21/11/2009 @11:03Virgens suicidas
02/06/2008 @9:46Windows vs Linux
23/02/2007 @12:15
Arquivos da(s) tag(s): Fotografia
José Sena Goulão
→ 11/05/2012 @0:01
Espelho retrovisor
Marco Santos
→ 10/05/2012 @9:37
A quinta foto
Observem com atenção esta foto e tentem descobrir o elemento que identifica o local do acontecimento, o acontecimento e a data em que ocorreu.
O autor, o repórter fotográfico Terril Jones, ficou ainda mais um mês no país até finalmente regressar a Tóquio. Foi só então que notou que também ele capturara um momento da história, mas de um ângulo completamente diferente.
As fotos icónicas tiradas pelos jornalistas a partir da varanda de um hotel já tinham sido publicadas e corriam o mundo, pelo que Jones decidiu manter a sua imagem guardada ‘na gaveta’ por considerar que era já tarde de mais para a usar.
Manteve-a na sua coleção durante vinte anos, até que um artigo no New York Times com depoimentos dos quatro fotógrafos o levou a divulgá-la ao mundo: a quinta foto dos protestos da Praça da Paz Celestial mostra-nos um homem esperando a chegada dos tanques, uma atitude de resistência e rebeldia premeditada desde o início. Toda esta história, que eu desconhecia, pode ser lida aqui.
Marco Santos
→ 03/05/2012 @0:38
Entretanto, a 2 de maio
É sempre reconfortante constatar que toda esta confusão à volta de um tuga nada tem a ver com promoções do Pingo Doce.
Rui Eduardo Paes
→ 30/04/2012 @13:58
Matt Blum: fantasia e realidade
O fotógrafo norte-americano Matt Blum propôs-se fazer algo com o seu The Nu Project que tem a bem-vinda particularidade de contrastar com as presentes práticas de representação do nu feminino.
Em vez de escolher como mote um certo ideal de beleza e como «linguagem» o erotismo, seguindo os padrões da fotografia de moda e da fotografia artística, preferiu ter como modelos mulheres reais, mulheres de seios descaídos e pregas no ventre devido à maternidade, a regimes alimentares descuidados e a histórias de vida semelhantes às de milhões de pessoas – difíceis.
As mulheres de Blum não têm a beleza de Vénus nem a sensualidade de uma pin-up, mas são lindas. Foram por ele fotografadas sem encenações, sem truques de iluminação e maquilhagem, sem melhoramentos das suas características físicas.
Consegui-lo é bem mais difícil do que se possa imaginar. O nu fotográfico segue normalmente outros parâmetros e outros objetivos, como se pode verificar lendo os depoimentos que se seguem, de uma modelo em estreia absoluta, uma mulher não muito diferente das de Blum, e de um fotógrafo com experiência no género.
Pois compare-se o que dizem ambos com as fotos aqui reproduzidas… Ler mais
Marco Santos
→ 20/04/2012 @19:01
Manipulações deliberadamente artísticas
Sempre que alguém vê uma foto e escreve o habitual libelo acusatório «Photoshop» – sugerindo manipulação ou qualquer outra ação menos honesta da parte do fotógrafo – lembro-me de uma página bastante informativa, A Very Brief History of Photographic Manipulation: explica, com exemplos, que a manipulação não começou com o Photoshop, sempre fez parte da história da Fotografia.
Considerem um exemplo caricato, mostrado no sítio que acabei de referir: cartões postais publicados entre 1922 e 1960.
Diferentes cenários, o mesmo céu! Os primeiros quatro estão assinados pela mesma pessoa, um tal Alexander G. Anderson. A versão 1.0 do Photoshop só sairia 40 anos depois, em exclusivo para os Macintosh. A ausência de computadores pessoais nunca impediu nada…
Mas usar Photoshop não é necessariamente sinónimo de falsificação.
Ninguém espera que um repórter fotográfico altere a informação de uma foto, deturpando a realidade, mas é perfeitamente legítimo usar o Photoshop para corrigir pequenas imperfeições ou realçar algum pormenor. É a sua visão dos acontecimentos, não um retrato-robô, e o Photoshop é a ferramenta que o ajuda a partilhá-la, da mesma forma que um jornalista faz uso de uma ferramenta chamada escrita – e com as mesmas capacidades manipuladoras.
Depois temos artistas como o fotógrafo sueco Fredrik Ödman, que usa o Photoshop para manipular deliberadamente aquilo que vê, usando o software como um pintor usaria o pincel. O trabalho de Ödman é tremendo e muito imaginativo, ora vejam:
E isto não é nada. O sítio de Fredrik Ödman tem muitas criações para conhecer.
Marco Santos
→ 20/04/2012 @1:24
A foto que Hossaini nunca mais quis ver
6 de dezembro de 2011: uma nova explosão na cidade. Tarana Akbari, então com 10 anos, sobrevive a um ataque suicida que mata mais de 70 pessoas que celebravam um feriado religioso num templo em Cabul, Afeganistão.
É uma imagem violenta, tão violenta que o próprio fotógrafo, o afegão Massoud Hossaini, se recusa voltar a vê-la.
«A fotografia mais difícil que tirei na vida», como afirmou recentemente numa entrevista à BBC, é também a fotografia que lhe dá fama: vence o Prémio Pulitzer 2012, categoria Breaking News, notícias de última hora. Por isso revê-a, repetidamente, mesmo tendo tomado a decisão de não voltar a olhar.
Hossaini estava tão perto do local da explosão que ficou ferido no braço esquerdo, mas o instinto profissional fê-lo correr na direção do amontoado colorido de pessoas mortas ou em sofrimento. O atentado mais grave em Cabul daquele ano.
A criança rodeada de familiares ensanguentados chama-lhe imediatamente a atenção: foca-se nela, no seu choro, e regista mais um momento em que a desumanidade triunfou. «Espero que não falem do fotógrafo», diz Hossaini a propósito da notoriedade, «mas do sofrimento do povo afegão».
Há quem questione dar-se o prémio a uma foto tão cruel.
Eu acho que deve ser mostrada, embora nunca seja fácil mostrá-la. Demasiadas vezes ouvimos discursos muito bem elaborados onde são usadas palavras como Democracia, Liberdade, Justiça ou Deus para justificar ações como esta. Na boca dos líderes políticos ou religiosos que as pronunciam são soníferos que acalmam a nossa consciência e ajudam a não querer abrir os olhos ao que nenhum daqueles deseja mostrar.
Por mais elaborada, eloquente ou erudita que seja a justificação de políticos e religiosos e militares ao serviço de ambos, o resultado das ações do fanatismo religioso ou ideológico é sempre este: um destroço verde-esperança flutuando num mar de sangue. A escravidão dos inocentes.
Mas ela aí está, a explosão: desfez seres humanos, mortos e sobreviventes, mas através de uma máquina fotográfica tem também o poder de pulverizar palavras falsificadas. Diz-nos o que está errado – e não deveria ser preciso acrescentar mais nada.













































