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→ 25/01/2008 @18:30

Em Marte a malta também é obrigada a fumar lá fora

Está desvendado o mistério que abalou as mentes dos maluquinhos dos OVNIs nos últimos dias: os marcianos também são obrigados a fumar um cigarrinho ao ar livre. O problema é que a atmosfera marciana consegue ser mais venenosa que o cigarro. Talvez pudéssemos enviar para lá as cigarrilhas do director da ASAE. Talvez seja o próprio director da ASAE na foto, à procura de um casino mais discreto.

Não sei se vocês souberam da história. Em vez de se maravilhar com a magnífica paisagem marciana recolhida pela sonda Spirit no princípio deste ano, um japonês ainda não identificado (link) achou que ficava muito melhor se colocasse lá um marciano.

Uma das ferramentas mais utilizadas para demonstrar a existência de vida inteligente extraterrestre não é o telescópio, mas o Photoshop. O Photoshop não só tem tido mais sucesso entre os crentes dos OVNIs, como é muito mais rápido e eficiente a descobrir homenzinhos verdes. E se querem verdades absolutas, tomem mais uma: já é mais fácil encontrar um marciano em Marte do que uma agulha num palheiro.

Esta imagem tem um toque especial porque se adapta ao vasto catálogo de mistérios da treta por desvendar. Já ouviram falar do Big Foot? Uma ampliação do marciano revela uma silhueta muito parecida com a da célebre criatura do filme de Patterson-Gimlin.

Não sabem quem são os tipos e que filme é esse?

Então ficam já a saber! Em Outubro de 1967, Roger Patterson e Robert Gimlin, investigadores do fenómeno Big Foot, conseguiram filmar o bicho – ou qualquer outra criatura mais original como, por exemplo, um homem disfarçado de primata gigante. O filme, até à data, é o mais conhecido de todos os que se fizeram sobre a criatura, avistada pela primeira vez na manhã de 27 de Agosto de 1958 na Califórnia.

Quanto à foto: dá a ideia (ainda não se sabe ao certo) que algum engraçadinho se inspirou no Big Foot da Califórnia para o colocar no deserto marciano. Esta foto prova que a imaginação e o engenho humanos percorrem grandes distâncias a velocidades infinitamente superiores a qualquer nave espacial – infelizmente, não demonstra a existência de marcianos propriamente ditos.

Isso também já sabíamos há muito tempo, desde que as primeiras sondas revelaram que os canais de Marte de Giovanni Schiaparelli e Percival Lowell (ver post Marte, Marcianos e Pânico na América) eram resultado da Geologia e não da Engenharia, e que Marte era demasiado seco, demasiado frio, demasiado desértico, demasiado em tudo aquilo que não nos convém, pobres e frágeis criaturas de carbono.

Mas a malta quando quer ver marcianos não recua perante nada. Durante muito tempo julgámos ver, numa foto tirada em 1976 pela sonda Viking, uma esfinge marciana, um rosto, a chamada Face de Cydonia. As fotos em alta resolução tiradas 20 anos depois pela Mars Global Surveyor revelaram que o rosto era apenas uma formação montanhosa e que a ilusão resultava de dois factores: luz certa captada no ângulo certo e um fenómeno psicológico conhecido como Pareidolia.

A Pareidolia é uma ilusão que consiste em reconhecer pessoas ou objectos em estímulos vagos ou caóticos. Quem olhar para as nuvens imaginando formas familiares estará a experimentar um fenómeno típico de Pareidolia.

Só na Internet uma brincadeirinha destas pode ser levada tão a sério e suscitar reacções crédulas e calorosas. Que fartote. Vários sites mostraram a criatura na foto referindo a descoberta de marcianos e sugerindo misteriosas e obscuras conspirações – enfim, argumentos habituais desde que uma suposta nave ET se espatifou em Roswell (outros tempos, outros lugares, outros ETs, mas as patranhas inconclusivas do costume).

E em relação a esta foto existem dois pormenores que poderão, enfim, aleluia, lançar algumas dúvidas mesmo entre os maluquinhos dos discos voadores: primeiro, o tempo de exposição da foto original da NASA foi de três dias – isto significa que o ET esteve imóvel durante todo esse tempo. Nem um deputado da Assembleia da República seria capaz de tal proeza. Segundo, como afirma o mais-que-citado e sempre fiável Ceticismo Aberto, meras questões de proporção fazem com que a criatura da foto tenha uns seis centímetros de altura. Os homens não se medem aos palmos, é verdade, mas e os ETs? Uma interessante questão filosófica que os adoradores de OVNIs poderão debater.

«Estas imagens são espectaculares. Não conseguia acreditar nos meus olhos quando olhei e vi o que parece ser um extraterrestre nu correndo na superfície de Marte.», escreveu um internauta citado na reportagem do DN Online. Outro internauta, gozão, chama a atenção para a «posição suspeita em que ele tem a mãozinha enquanto anda: não augura nada de bom para os marcianos».

→ 30/10/2007 @16:29

Marte, marcianos e pânico na América

A 30 de Outubro de 1938, Orson Welles deixava a América em pânico por causa de uma emissão de rádio baseada num livro de HG Wells e onde se contava a invasão marciana do planeta Terra. Como hoje faz exactamente 69 anos que esse episódio ocorreu, decidi repescar este post. E podem fazer o download da histórica emissão, também.

A Guerra dos Mundos, escrito em 1898, é um clássico da literatura de ficção científica (FC). O seu autor – HG Wells – já tinha publicado romances notáveis dentro do género: A Máquina do Tempo (1895), A Ilha do Dr. Moreau (1895) e O Homem Invisível (1897), mas foi a história de uma invasão de Marcianos que fez dele um pioneiro da FC (Ficção Científica). A versão original do livro – em inglês – pode ser lida nesta página.
HG Wells não descobriu a pólvora ao imaginar um planeta Marte habitado. Nos finais do século XIX tinha-se como certo que vivia no planeta vermelho uma civilização muito mais antiga e avançada que a nossa, lutando pela sobrevivência face a um clima instável e hostil e à escassez de água.

O que um erro de tradução pode fazer. O mito dos canais marcianos teve origem numa má tradução do italiano para o inglês. Tudo começou nas observações do astrónomo italiano Giovanni Schiaparelli (1835-1910). Observando Marte ao telescópio, ele reparou numa série de linhas finas que uniam áreas escuras na superfície do planeta. Schiaparelli baptizou estas linhas de canali, no sentido de canais naturais como aqueles que unem regiões alagadas. Acontece que a expressão de Schiaparelli foi traduzida para canal que, ao contrário de channel, significa canal artificial. E a maior obra de engenharia da época era precisamente o Canal do Suez.

Não admira que cientistas de renome, como o americano Percival Lowell, se tenham deixado levar pela imaginação, entusiasmando-se com o trabalho dos engenheiros marcianos. Lowell ficou apanhado pelos canais de Marte e nunca abandonou esse fascínio até à sua morte, em 1916.
Construiu um observatório com o seu próprio dinheiro e, durante quinze anos, dedicou-se a observar os canais de Schiaparelli e imaginar obras de engenharia que serviam para trazer água dos pólos e irrigar as regiões equatoriais.

Os canais de uma civilização marciana lutando pela sobrevivência foram uma realidade durante anos. Imagine-se, então, o impacto de uma novela em que se conta a invasão da Terra por parte de alienígenas de Marte agressivos e mais avançados que nós. O mais fascinante (pelo menos para mim) na novela de Wells é a forma como acaba. Tomou-me completamente de surpresa, pois nunca me passou pela cabeça que um escritor de FC, em 1898, imaginasse que os marcianos seriam vencidos por contaminação bacteriológica e não por uma qualquer acção militar heróica.

Em 1938, com melhores meios de observação, já se suspeitava ser improvável existir vida em Marte, quanto mais inteligente.
Mas tais avanços no conhecimento não impediram que um então desconhecido Orson Welles, de 23 anos, juntasse a trupe do Mercury Theatre para uma emissão radiofónica baseada no livro de HG Wells e colocasse a América em pânico.
Eram tempos difíceis. O fracasso diplomático da Inglaterra e da França tivera como consequência a entrega da Checoslováquia a Hitler. Nas vésperas da II Grande Guerra Mundial, o temor do expansionismo nazi era tão real para os americanos como os canais marcianos para Lowell. Notícias sobre a situação na Europa interrompiam constantemente a programação da rádio.
A 30 de Outubro, Welles faz a célebre dramatização radiofónica de A Guerra dos Mundos. As consequências dessa emissão criaram episódios de pânico colectivo tão clássicos como o livro em que se baseou: mais de um milhão de pessoas nos EUA foram afectadas. Muitos fugiram de casa, outros suicidaram-se, acreditando que o seu país estava a ser invadido por marcianos.
Embora não estivesse à espera que um milhão de pessoas entrasse em pânico por causa dos seus marcianos, o pequeno génio de Citizen Kane assumiria, logo em 1955, num especial da BBC que lhe foi dedicado – Orson Welles Sketchbook -, o carácter pouco inocente da dramatização. O mundo parecia ser alimentado por tudo o que saía daquela máquina, afirmou então Welles. Nesse sentido, a transmissão fora um assalto à credibilidade daquela máquina e um alerta para que as pessoas não se deixassem orientar por opiniões pré-formatadas, viessem elas ou não da rádio. [Download: a histórica emissão radiofónica de Orson Welles]

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→ 16/09/2006 @20:51

Homem ‘grávido’

Uma das histórias mais bizarras que eu já li.

Sanju Bhagat é indiano. Vive na cidade de Nagpur e, desde sempre, teve a noção de que a sua barriga era maior do que o normal. A situação foi piorando até que, numa noite de Junho de 1999, Sanju começou a sentir grande dificuldade em respirar. Uma ambulância levou o homem de 36 anos ao hospital.

Os médicos pensaram que talvez tivesse um tumor na barriga. Decidiram então operá-lo e tentar removê-lo.

Quando o cirurgião lhe abriu o estômago, o extraordinário aconteceu: «Para minha surpresa e horror» – contou Ajay Mehta, o médico que o operou no hospital Tata Memorial – «vi umas mãos humanas estendidas como se me fossem cumprimentar.»

À medida que prosseguia, ia retirando do estômago do indiano órgãos humanos: um fígado, partes genitais, cabelo, rins. Tão grandes eram os restos que a dilatação do estômago já fazia uma enorme pressão sobre o diafragma do homem, impedindo-o quase de respirar.

Na barriga do desgraçado Sanju estavam os restos de uma criatura humana mal-formada cujas origens os médicos iam agora determinar.

À primeira vista, poder-se-ia pensar que o impossível acontecera e o homem tinha engravidado. A explicação é muito mais bizarra: o que os médicos removeram do estômago de Sanju foi o seu irmão gémeo. Por outras palavras: o que descobriram foi uma das mais bizarras situações médicas existentes no mundo, a chamada Fetus in Fetu.

Fetus in Fetu é uma rara anormalidade que ocorre quando um feto fica preso no interior do seu irmão gémeo. O feto «parasita» pode sobreviver durante algum tempo após o nascimento do irmão, pois desenvolve uma estrutura do tipo cordão umbilical para se alimentar.

Este tipo de ocorrência é tão rara que, em toda a história da literatura médica, ficaram registados menos de 90 casos. Fonte: ABC News

→ 17/03/2006 @1:53

Como começou o mito dos discos voadores

Esta é a história de como o erro de um jornalista pode ajudar a criar um mito que perdura até hoje: o dos discos voadores.

A primeira vez que o mundo tomou conhecimento em grande escala do fenómeno dos discos voadores foi a 24 de Junho de 1947, quando o piloto-aviador Kenneth Arnold (1915-1984) relatou ter observado nove objectos voando sobre o Monte Rainier à incrível velocidade de 2 mil quilómetros por hora.

O relato foi parar às primeiras páginas dos jornais americanos e causou uma enorme sensação. Tal foi o impacto da notícia que, nas semanas que se seguiram, surgiram centenas de relatos e avistamentos de discos voadores (como os jornais lhes chamavam).

Mas a verdade é que Kenneth Arnold nunca afirmou ter visto discos voadores. A expressão surgiu devido ao erro de um jornalista. Ou seja, o mito da existência de naves extraterrestres em forma de disco voador assenta num pressuposto errado: o que Arnold viu foi outra coisa.

Acho estranho como poucas vezes se fala no desmentido de Arnold e se continua, ainda hoje, a considerar a expressão discos voadores.

O piloto acabou por corrigir o erro do jornalista em 1977, durante o Primeiro Congresso OVNI Internacional no qual participou como orador. Arnold afirmou então que o termo disco voador surgiu por causa de um grande mal-entendido do repórter que escreveu a história para a United Press. Bill Baquette – o jornalista em questão – perguntou-lhe como voavam esses objectos. Arnold respondeu que eles voavam de uma forma errática, como um disco, se você o atirar pela água.

A intenção da metáfora era descrever o movimento dos objectos – não a sua forma. Os objectos nem sequer eram circulares, declarou Arnold.

Kenneth Arnold Kenneth Arnold mostra o desenho feito no relatório enviado à Força Aérea: nunca foi um disco voador. É difícil descrever os objectos que vi, declarou o piloto. O melhor que posso imaginar é dizer que tinham a forma de um besouro.

Longe, portanto, da perfeição geométrica extraterrestre que muitos anos de histórias e relatos ajudaram a mitificar. Ironia: o homem cujo testemunho deu origem ao frenesim dos discos voadores nunca afirmou ter visto objectos voadores em forma de disco.

O mais extraordinário é que muitos investigadores do fenómeno OVNI defendem a sua veracidade baseando-se no facto de tanta gente ter visto o mesmo, ou seja, objectos em forma de discos voadores.

Um dos mais conhecidos e respeitados ovnilogistas, o astrónomo J. Allen Hynek (1910-1986) – serviu de consultor técnico para os Encontros Imediatos de 3º Grau de Spielberg – escreveu Porquê discos voadores? Porque não viram cubos voadores ou pirâmides (…) ou elefantes rosas voadores ou edifícios voadores? (…) Se os relatos de OVNI’s resultassem de imaginações excitadas, porque razão não existem centenas, (…) milhares de tipos radicalmente diferentes de relatos à medida que gente de diferentes culturas fosse deixando a imaginação voar?

Resposta: porque, a 24 de Junho de 1947, um jornalista se enganou.

→ 06/02/2005 @16:22

A autópsia ao extraterrestre de Roswell

Recordam-se das dramáticas filmagens a preto e branco de um ET sendo autopsiado numa ultra-secreta base militar norte-americana? Lembram-se? Pois aquilo era tudo uma grande aldrabice, vejam lá…