Está desvendado o mistério que abalou as mentes dos maluquinhos dos OVNIs nos últimos dias: os marcianos também são obrigados a fumar um cigarrinho ao ar livre. O problema é que a atmosfera marciana consegue ser mais venenosa que o cigarro. Talvez pudéssemos enviar para lá as cigarrilhas do director da ASAE. Talvez seja o próprio director da ASAE na foto, à procura de um casino mais discreto.

Não sei se vocês souberam da história. Em vez de se maravilhar com a magnífica paisagem marciana recolhida pela sonda Spirit no princípio deste ano, um japonês ainda não identificado (link) achou que ficava muito melhor se colocasse lá um marciano.
Uma das ferramentas mais utilizadas para demonstrar a existência de vida inteligente extraterrestre não é o telescópio, mas o Photoshop. O Photoshop não só tem tido mais sucesso entre os crentes dos OVNIs, como é muito mais rápido e eficiente a descobrir homenzinhos verdes. E se querem verdades absolutas, tomem mais uma: já é mais fácil encontrar um marciano em Marte do que uma agulha num palheiro.
Esta imagem tem um toque especial porque se adapta ao vasto catálogo de mistérios da treta por desvendar. Já ouviram falar do Big Foot? Uma ampliação do marciano revela uma silhueta muito parecida com a da célebre criatura do filme de Patterson-Gimlin.
Não sabem quem são os tipos e que filme é esse?
Então ficam já a saber! Em Outubro de 1967, Roger Patterson e Robert Gimlin, investigadores do fenómeno Big Foot, conseguiram filmar o bicho – ou qualquer outra criatura mais original como, por exemplo, um homem disfarçado de primata gigante. O filme, até à data, é o mais conhecido de todos os que se fizeram sobre a criatura, avistada pela primeira vez na manhã de 27 de Agosto de 1958 na Califórnia.


Quanto à foto: dá a ideia (ainda não se sabe ao certo) que algum engraçadinho se inspirou no Big Foot da Califórnia para o colocar no deserto marciano. Esta foto prova que a imaginação e o engenho humanos percorrem grandes distâncias a velocidades infinitamente superiores a qualquer nave espacial – infelizmente, não demonstra a existência de marcianos propriamente ditos.
Isso também já sabíamos há muito tempo, desde que as primeiras sondas revelaram que os canais de Marte de Giovanni Schiaparelli e Percival Lowell (ver post Marte, Marcianos e Pânico na América) eram resultado da Geologia e não da Engenharia, e que Marte era demasiado seco, demasiado frio, demasiado desértico, demasiado em tudo aquilo que não nos convém, pobres e frágeis criaturas de carbono.
Mas a malta quando quer ver marcianos não recua perante nada. Durante muito tempo julgámos ver, numa foto tirada em 1976 pela sonda Viking, uma esfinge marciana, um rosto, a chamada Face de Cydonia. As fotos em alta resolução tiradas 20 anos depois pela Mars Global Surveyor revelaram que o rosto era apenas uma formação montanhosa e que a ilusão resultava de dois factores: luz certa captada no ângulo certo e um fenómeno psicológico conhecido como Pareidolia.
A Pareidolia é uma ilusão que consiste em reconhecer pessoas ou objectos em estímulos vagos ou caóticos. Quem olhar para as nuvens imaginando formas familiares estará a experimentar um fenómeno típico de Pareidolia.
Só na Internet uma brincadeirinha destas pode ser levada tão a sério e suscitar reacções crédulas e calorosas. Que fartote. Vários sites mostraram a criatura na foto referindo a descoberta de marcianos e sugerindo misteriosas e obscuras conspirações – enfim, argumentos habituais desde que uma suposta nave ET se espatifou em Roswell (outros tempos, outros lugares, outros ETs, mas as patranhas inconclusivas do costume).
E em relação a esta foto existem dois pormenores que poderão, enfim, aleluia, lançar algumas dúvidas mesmo entre os maluquinhos dos discos voadores: primeiro, o tempo de exposição da foto original da NASA foi de três dias – isto significa que o ET esteve imóvel durante todo esse tempo. Nem um deputado da Assembleia da República seria capaz de tal proeza. Segundo, como afirma o mais-que-citado e sempre fiável Ceticismo Aberto, meras questões de proporção fazem com que a criatura da foto tenha uns seis centímetros de altura. Os homens não se medem aos palmos, é verdade, mas e os ETs? Uma interessante questão filosófica que os adoradores de OVNIs poderão debater.
«Estas imagens são espectaculares. Não conseguia acreditar nos meus olhos quando olhei e vi o que parece ser um extraterrestre nu correndo na superfície de Marte.», escreveu um internauta citado na reportagem do DN Online. Outro internauta, gozão, chama a atenção para a «posição suspeita em que ele tem a mãozinha enquanto anda: não augura nada de bom para os marcianos».
A Guerra dos Mundos, escrito em 1898, é um clássico da literatura de ficção científica (FC). O seu autor – HG Wells – já tinha publicado romances notáveis dentro do género: A Máquina do Tempo (1895), A Ilha do Dr. Moreau (1895) e O Homem Invisível (1897), mas foi a história de uma invasão de Marcianos que fez dele um pioneiro da FC (Ficção Científica). A versão original do livro – em inglês – pode ser lida
O que um erro de tradução pode fazer. O mito dos canais marcianos teve origem numa má tradução do italiano para o inglês. Tudo começou nas observações do astrónomo italiano
Não admira que cientistas de renome, como o americano Percival Lowell, se tenham deixado levar pela imaginação, entusiasmando-se com o trabalho dos engenheiros marcianos. Lowell ficou apanhado pelos canais de Marte e nunca abandonou esse fascínio até à sua morte, em 1916.
Em 1938, com melhores meios de observação, já se suspeitava ser improvável existir vida em Marte, quanto mais inteligente.
Uma das histórias mais bizarras que eu já li.
Kenneth Arnold mostra o desenho feito no relatório enviado à Força Aérea: nunca foi um disco voador. É difícil descrever os objectos que vi, declarou o piloto. O melhor que posso imaginar é dizer que tinham a forma de um besouro.




























