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→ 09/04/2009 @15:47

Ó Tózé, estes franceses são uns moles

Tozé Brito

Foto: Gustavo Bom

 

Se fosse o Tózé a mandar, estes marginais do MP3 entravam logo no eixo.

Só que os palermas molengões do Parlamento Francês resolveram chumbar hoje o projecto-lei que permitia a suspensão até um ano da ligação à Internet de utilizadores reincidentes na descarga ilegal de conteúdos audiovisuais, como filmes e músicas.

Durante o período de suspensão, o utilizador seria obrigado a manter o pagamento da ligação on-line aos ISP – uma maravilha. Eis um projecto preocupado apenas com a perpetuação imoral do lucro e que teria sido, também, uma proposta de «cumplicidade» entre as editoras e os fornecedores de acesso à Internet: os senhores dos ISP que não se preocupem, pois mesmo que a ligação seja suspensa, o dinheiro da mensalidade do «ladrão» continuaria a encher os vossos bolsos.

O estratagema falhou. É pena, Tózé, que não se possa resolver o problema dos downloads ilegais da mesma forma como se resolvem os problemas das melgas: à chinelada.

Se fosses tu a mandar, tenho a certeza absoluta, sacavas um desses lindos chinelos amarelos e esmagavas o criminoso ainda antes de se aproximar das paredes do tribunal. Sempre que te apetecesse puxar do chinelo da lei, pimba. Menos um. Os downloads ilegais seriam punidos exemplarmente – «a prisão de meia dúzia de pessoas que agem ilegalmente, de forma sistemática, teria efeitos positivos», disseste-o a 5 de Março – e o mundo perfeito que resultasse destas medidas profilácticas seria um onde o acesso livre à música estaria para sempre condicionado às decisões de marketing das editoras. Ao lucro, portanto.

Compraríamos CDs a preços desonestos e seríamos proibidos de vos chamar ladrões; não poderíamos tocá-los onde e como quiséssemos – só nas condições previamente determinadas pelo Tózé e os seus amiguinhos pró-DRM. Este seria um mundo onde o superior interesse dos músicos e de todos os que os ouvem seria tão relevante como o voo musical da Abelha Maia.

Adenda: leiam esta entrevista a um músico livre do jugo das editoras.

→ 27/03/2009 @16:52

O sr. Pissa Grande ofendeu-se por causa da Anita

Tia Anita do Loulé

Pelas tristes razões que vocês já conhecem, tenho mantido os comentários no Bitaites em aberto – não tem sido necessário registo prévio; nem sequer são colocados em moderação.

Esta circunstância permitiu ao senhor Pissa Grande insurgir-se contra o tratamento dado aos livros infantis da Anita num post escrito em Novembro de 2008.

Um resumo: os livros da Anita são sexistas e retrógrados; as ilustrações ensinam às crianças que o supra-sumo da perfeição estética e da beleza é serem parecidas com bonecas bem comportadas (portanto, não-insufláveis) que brincam às mamãs e baby-sitters, tiram cursos de culinária, são donas de casa, visitam muitos sítios e fazem muitas coisas enquanto se debruçam e mostram a cuequinha.

O senhor Pissa Grande não concordou com esta análise e escreveu o seguinte comentário: «se nao gostas da anita le outra merda! que direito tens tu de criticar o que outros gostam! Parece as alcoviteiras da aldeia.. arranja vida caralho!»

Adorei. Quase tenho pena de o ter marcado como spam. Não é todos os dias que uma criação dos Monty Python foge do ecrã e se põe a visitar blogues – e logo o meu! Que terei feito para merecer tamanha honra?

Com esse nickname e a linguagem que utiliza, o senhor Pissa Grande fez-me lembrar realmente uma rábula dos Monty Python.  Aquela em que um gangue de motoqueiros de soqueira na mão e correntes à cintura se queixa aos jornalistas de um grupo de velhinhas que os anda a agredir: «Já nem nos sentimos seguros quando saímos à rua». Viram?

O senhor Pissa Grande conquistou um lugar de destaque na minha caderneta de cromos dos Monty Python. O homem bem pode usar uma linguagem vernácula semelhante à daqueles portugueses másculos com clavículas de três quilómetros de largura e barrigas com quatro quilómetros de profundidade, mas naquele peito peludo bate um coração rendilhado de menina que prefere as virtudes da Anita aos encantos da Gina.

Senhor Pissa Grande, por agora escapa; leu o post de um brutamontes a dizer mal da sua preciosa Anita das cuequinhas ao léu e perdeu as estribeiras – pronto, desculpas aceites. Mas tenha cuidado com esse nick. Se o senhor Cê de Cedilha o encontra aqui dá-lhe tau tau no rabinho, ouviu?

→ 21/03/2009 @14:23

Futuro do jornalismo não é online, é na Educação

O jornalismo actual

Existiram tempos em que o domínio da língua portuguesa e alguma cultura geral eram muito importantes para quem quisesse ser jornalista.

Havia até quem considerasse que jornalista que não soubesse escrever dificilmente saberia pensar.

Os tempos são outros – o dinheiro tomou conta de todos os nossos valores. Os jornalistas são números numa folha de papel da Contabilidade. Bons jornalistas estão no desemprego porque a qualidade e a experiência são descartáveis para quem visa apenas o lucro fácil do jornalismo fast-food. Não interessa o que são, importa é que sejam baratos.

É este o caminho que está a ser seguido. Não deixámos de saber o que é bom ou mau jornalismo, mas numa sociedade baseada no poder do dinheiro há valores que simplesmente não contam. Talvez achem exagerado que eu escreva este discurso todo a propósito desta imagem que nos faz sorrir, mas eu conheci jornalistas a sério que esconderiam a cara com vergonha se topassem um erro destes. Que poriam em causa o futuro da profissão por sentirem neste erro um sinal preocupante da qualidade da Educação em Portugal.

A malta anda muito entretida a especular sobre o futuro do jornalismo em papel e a sua vertente «multimédia», mas o que mais me preocupa é o futuro de uma profissão onde cada vez mais gente escreve «fassam» em vez de façam. Esta é a discussão mais importante, porque a tecnologia em si não resolve nada e certamente não substitui a Educação. E uma boa educação exige que o investimento seja feito nas pessoas, não em máquinas ou plataformas milagrosas.

(Imagem original no blogue Reflexão de um cão com pulgas)

→ 27/02/2009 @2:13

Post nº 2099

Berlusconi

→ 22/12/2008 @19:51

Socorro, tenho um vampiro a morder-me o juízo

Robert Pattinson

Parece que este rapaz aqui em cima (Robert Pattinson) tem provocado um suspiro colectivo entre as meninas que viram o filme «Twilight» – em português, Crepúsculo. É o novo Brad Pitt.

Eu não vi  o filme – embora suspeite que uma certa pessoa me arrastará para o sofá quando sair em DVD – mas pelo que li nos jornais baseia-se numa série de livros de grande sucesso onde se mistura o género Corin Tellado com vampirismo.

Esta mistura pode parecer bizarra, mas o facto de o tipo ser bonito e, ao mesmo tempo, vampiro, distante e misterioso, transforma-o numa versão mais moderna, underground e pintarolas do velho conquistador de sorriso sonso, um tal de príncipe encantado.

Claro que este vampiro Pattinson é muito querido e bonzinho, não quer morder o pescoço a ninguém, faz lembrar Louis du Lac, o vampiro consciencioso da novela Entrevista com o Vampiro de Anne Rice – mas sem os problemas existenciais, estes são uma maçada e dão cabo de um romance perfeito. É verdade, essa história da Anne Rice também foi adaptada ao cinema e adivinham quem fez de vampiro bom? O Brad Pitt, claro. Quem disse que a vida não dá uma volta de 360 graus?

Bem, eu não dedicaria cinco segundos a pensar no filme, mas acontece que este tipo ali em cima entrou-me pela casa e recusa-se a sair. Este vampiro não se transfigurou em morcego, como o conde Drácula, que já é um bocado cota, mas num pirilampo que faz brilhar os olhos da minha pré-adolescente. Bem o enxotaria se pudesse, sobretudo quando esvoaça diante de mim nos momentos em que estou mais interessado em ver o Telejornal do que em conhecer um novo episódio da gloriosa existência deste vampiro com dentinhos de veludo. Ufa!

Filhota, não ligues. Eu avisei-te que ia gozar um bocadinho. A sério, quero que sejas livre para te deixares encantar por quem quiseres, desde que não se chame José Castelo Branco – a mim o que mais importa é que mantenhas para sempre essa capacidade de te apaixonares por filmes, músicas, livros.

Mas ultimamente este rapaz Pattinson tem estado em todo o lado: ao almoço, ao lanche, ao jantar, nas conversas, nos silêncios, nos risos, nas secas, nas fotos do Google, macacos me mordam, até aqui no meu blogue. Ufa!

Vais dar-me um grande sermão quando eu chegar hoje a casa, não é? Mas olha, meti uma das fotos que me enviaste. Podia ter procurado uma imagem em que ele estivesse com cara de parvo. Só para me armar em mete-nojo. Pronto, desculpa. Ele nunca tem cara de parvo, tens toda a razão, mesmo quando acorda de manhã depois de uma noitada toda vampiresca. Perdoado?

→ 25/11/2008 @20:50

A pirataria é má, os mafiosos da moralidade também

Se a condenação à pirataria na Internet fosse absolutamente consensual, como afirma o recém-criado Movimento Cívico Anti-Pirataria na Internet (post original), os verdadeiros detentores dos direitos sobre as suas criações – os artistas, não os executivos – condená-la-iam de forma unânime.

No entanto, músicos como a britânica Joss Stone – cuja voz é frequentemente comparada à de Janis Joplin – não encaram a pirataria da mesma forma maligna. Entrevistada em Junho deste ano pelo jornalista argentino Federico Wiemayer, Joss Stone afirmou que os músicos que condenam a partilha ilegal dos ficheiros «levaram uma lavagem ao cérebro das editoras».

O assunto veio à baila quando o jornalista lhe perguntou o que achava ela da pirataria e do facto de as pessoas fazerem download das suas músicas na Net. «Acho óptimo», respondeu. «Óptimo?» – insistiu Federico Wiemayer. «Sim, adoro», confirmou a cantora, de passagem por Buenos Aires para um concerto. «Acho que é óptimo e digo-lhe porquê: a música deve ser partilhada. A única parte da música de que não gosto é a do negócio que lhe está associada. Se a música é livre, não deveria haver negócio, apenas música. Por isso gosto, acho que devemos partilhar. E mesmo que alguém compre o CD e faça cópias para mostrar aos amigos, acho óptimo, por mim tudo bem, desde que oiçam a minha música e venham aos meus concertos».

Já há uns anos, no auge da polémica Napster desencadeada pelas queixas dos Metallica (o assunto mais uma vez dividiu a opinião dos músicos), o cantor Moby juntou-se a nomes como Prince na defesa do Napster e afirmou o seguinte: «Sinceramente, quando vejo que as pessoas estão a sacar as minhas músicas não me sinto ofendido, sinto-me lisonjeado.» Mais recentemente, Prince afrontou a indústria (outra vez) ao disponibilizar de forma gratuita o seu último CD, Planet Earth, na edição do tablóide inglês Mail on Sunday, um jornal cuja circulação média diária é de 2,3 milhões de exemplares.

O caso da banda Nine Inch Nails é talvez o mais exemplar na forma como alguns músicos encaram a partilha de ficheiros e o próprio negócio de que fala Joss Stone. A banda criou um perfil em vários sites de torrents – entre os quais o The Pirate Bay, um dos mais conhecidos – e disponibilizou gratuitamente o primeiro volume de uma série de quatro discos intitulada Ghosts. O álbum foi partilhado sob uma licença não-comercial Creative Commons. «Agora que já não estamos constrangidos por uma editora, decidimos fazer nós mesmos o upload do disco», anunciou a banda. «A BitTorrent é um método revolucionário de distribuição digital e acreditamos que é preferível procurar formas de utilizar as novas tecnologias do que combatê-las.»

Quem também considera que deve ser o artista a decidir o enquadramento moral (e legal) das suas próprias criações é a banda Radiohead. Em Outubro do ano passado, o grupo decidiu colocar o seu último álbum – In Rainbows – disponível para download. O preço era decidido pelo comprador – e era possível descarregar o álbum de forma gratuita em formato MP3. It’s up to you, disseram os Radiohead. Outra característica fundamental tinha a ver com o facto de nestes ficheiros estarem ausentes as nefastas protecções DRM (Digital Rights Management).

O resultado financeiro deste sistema Paga o que quiseres, se quiseres deverá ser suficiente para preocupar a indústria e respectivo rottweiler digital (vocês sabem quem: Recording Industry Association of America, RIAA, associação de cariz mafioso que reúne as grandes editoras discográficas dos EUA). Embora não tenha revelado números, a banda confirmou que só o dinheiro que as pessoas decidiram voluntariamente pagar por In Rainbows (não contando portanto com a posterior venda física do CD) superou o que se conseguira com as vendas de todos os discos anteriores, segundo noticiou a Wired, citando o próprio Thom Yorke.

Claro que as editoras choram o lucro derramado, mas muitos não se deixam comover: «Durante quanto tempo os executivos das editoras pensam que continuarão a usufruir dos seus escritórios e agradáveis lugares de estacionamento? (…) Um novo modelo emergirá e não será um modelo que processa os seus próprios clientes, mas um que perceberá que a música não é um produto no sentido de ser uma coisa – a música está mais perto da moda, na medida em que ajuda a dizer aos fãs aquilo que são, no que acreditam de forma apaixonada e, até certo ponto, o que torna a vida divertida e interessante. É sobre um sentido de comunidade – uma canção é capaz de unir uma comunidade formada por indivíduos diferentes entre si. Não é apenas vender um CD dentro de uma caixa de plástico.» Quem escreveu estas palavras não foi um pirata ou um leecher do Demonoid,  mas um músico – David Byrne, dos Talking Heads.

Não obstante todos estes exemplos, associações como o Movimento Cívico Anti-Pirataria na Internet, apêndice da ACAPOR (Associação do Comércio Audiovisual de Portugal), insistem em dizer que representam e defendem os interesses dos músicos. É inegável que os interesses dos músicos devem ser defendidos, sobretudo tendo em conta que o grosso dos lucros cai nos bolsos das editoras.

Este é um assunto que divide os próprios músicos: uns estão contra, outros a favor. Centenas de artistas de nomeada consideram, tal como as editoras, que a pirataria os prejudica gravemente. Madonna, Elton John, Eminem, Sheryl Crow, Jay Z e Lenny Kravitz são alguns dos que já se pronunciaram. Jean-Michel Jarre, por exemplo, afirmou «adorar novas tecnologias e ideias», mas deseja ser ele a decidir «se quer ou não disponibilizar gratuitamente as suas criações» – um ponto de vista justíssimo, devo dizer. Para conveniência (ou inconveniência) de quem usa sistemas de partilha de ficheiros – mesmo para uso exclusivamente pessoal – devem ser sempre os seus criadores a decidir. Se uma pessoa se insurge contra a exploração dos músicos pelas editoras, não deve aceitar que passem a ser explorados pelos próprios fãs.

Na sequência da polémica Napster versus Metallica e Dr. Dre, dezenas de músicos formaram há oito anos uma associação antipirataria – Artists Against Piracy, cujo principal objectivo é fazer propaganda e despertar a consciência da opinião pública. Nomes envolvidos: Aimee Mann, Alanis Morissette, Bon Jovi, Bryan Adams, Christina Aguilera, o pianista de jazz Herbie Hancock, entre muitos outros. A associação tem o apoio financeiro de dezenas de empresas do sector de entretenimento e tecnologia, incluindo a já mencionada Recording Industry Association of America, RIAA, e a Walt Disney.

Pirataria pode ser definida como o acto de sacar discos e filmes da NET, gravá-los e vender as respectivas cópias na Feira da Ladra. Se fosse esse o único objectivo do Movimento Cívico Anti-Pirataria na Internet, não seria difícil apoiar e dar razão. Não podemos dizer que o modelo de negócio das editoras é obsoleto e explorador para os artistas e depois encolher os ombros quando um grupo de badamecos lucra à conta desses mesmos artistas – num caso e no outro, é uma forma de exploração; o que as diferencia é a legalidade de uma e a ilegalidade de outra. Do ponto de vista moral, lamento, mas são para mim ambas condenáveis.

Na base das pretensões deste movimento está a tentativa de anular a emenda 138. Sobre esta emenda, importante para a nossa privacidade online e os nossos direitos enquanto cidadãos, aconselho a leitura integral do post no blogue Programas Livres onde, de resto, o próprio texto da emenda se encontra traduzido. «Se esta emenda for retirada», conclui muito justamente o autor Bruno Miguel, «a indústria de entretenimento passa a ter autoridade legal para obrigar o vosso ISP a cortar-vos o acesso à Internet, sem provas e sem necessidade de um processo judicial. Basta eles quererem e vocês, ao fim de três acusações – sem necessidade de provas – ficam sem Internet. O fim desta emenda que protege a privacidade online é o que defende o movimento (…)

As editoras estão-se marimbando para o bem-estar financeiro dos músicos, mas a actuação mafiosa de organizações como a RIAA demonstram estarmos a assistir à queda de um verdadeiro monopólio – a sua última e desesperada medida é tentar obter o monopólio da nossa consciência cívica. O modelo de negócio em que assentam os impérios discográficos está a ser gradualmente desmontado pela Internet. A Internet dá-nos a possibilidade de piratear CDs e filmes e vendê-los na Feira da Ladra, o que é obviamente errado, mas também permite um acesso rápido e certeiro à informação de que precisamos, como e quando precisamos.

O que essas indústrias receiam não é só a perda do lucro e a independência dos músicos e de quem os ouve, mas um ambiente que não controlam, um ambiente onde a música é avaliada pela música e não pelo ruído publicitário ou pelo seu eventual potencial de lucro. Verdadeiros músicos não deverão recear esta revolução mas fazer como os Nine Inch Nails: aproveitá-la.

 

Radiohead Publishers Reveal “In Rainbows” Numbers | Radiohead: “We’ve made more money from In Rainbows than all the other albums put together…” | Joss Stone y la piratería en la red | Nine Inch Nails Confirms Uploads to Public and Private Torrent Sites | “Artists Against Piracy” Launches National Media Campaign | What the Artists and Songwriters Have to Say | Emenda 138: Tradução do template para envio aos MEPs portugueses (Programas Livres)

→ 13/11/2008 @19:51

Anita vai à merda

Tia Anita do Loulé

Os livros da Anita são tão sexistas e retrógrados que fico surpreendido como ainda há quem considere oferecê-los aos filhos.

As ilustrações mostram às crianças que o supra-sumo da perfeição estética e da beleza é serem parecidas com bonecas bem comportadas (portanto, não-insufláveis) que brincam às mamãs e baby-sitters, tiram cursos de culinária, são donas de casa, visitam muitos sítios e fazem muitas coisas enquanto se debruçam e mostram a cuequinha.

O desenhador deve ter uma tara qualquer, garanto-vos.

Os livros da Anita ensinam às crianças que o papel que a sociedade reserva à mulher está limitado a meia-dúzia de clichés típicos dos anos 50. Contudo, em pleno século XXI, alguns pais continuam a achar piada a desenhos que parecem ter sido pintados com a cera dos ouvidos do ilustrador e a considerar inofensivas histórias que sublimam a discriminação da mulher – então oferecem os livros às crianças porque são tão bonitos. Na verdade, são feios. Muito feios. Mais piroso que o imaginário da Anita só mesmo o quadro do Menino Chorão.

 

Mas eu lembrei-me da Anita por causa do Mister Public Relations.

 

O meme da Anita iniciado pelo Bruno Amaral está cheio de piada, sobretudo por demonstrar que a partir de uma simples ideia se pode criar uma moda partilhada por muitos, incluindo gente que nem entende português – a louca repercussão deste meme terá surpreendido o próprio Bruno, parece-me. As referências mais ou menos obsessivas a uma misteriosa #Anita no Twitter têm sido muito, muito divertidas.