Sou um orgulhoso habitante da República Independente da Parede (ou seja, um osga), o que significa que tenho a praia à porta e consigo ver o Cabo Espichel, a Serra da Arrábida, a foz do Tejo e o Atlântico da janela. E estou sempre a vê-los, pois tenho a suprema vantagem de trabalhar em casa.

Sou crítico de música, jornalista cultural e escritor vai para 30 anos (em 2014). Nos últimos três, também tenho sido um convicto blogger, aqui mesmo no Bitaites.

Nunca plantei uma árvore

A minha vida é escrever, mas não só: quando calha, dou aulas, faço conferências e ações didáticas, desempenho trabalho de divulgação e promoção do jazz, da música livremente improvisada e das músicas experimentais e ainda programo festivais e concertos, começando pelo Jazz no Parque, da Fundação de Serralves.

Há oito anos que sou o empenhado editor da revista jazz.pt, a única existente em Portugal dedicada ao género de música que está no seu nome, e fui um dos fundadores e responsáveis de duas iniciativas que muito contribuíram para o dinamismo das «outras músicas» no nosso país: a associação Granular e a Bolsa Ernesto de Sousa.

A natureza equipou-me com ouvidos de lobo: oiço frequências mais altas do que a maior parte dos seres humanos. O Peter Brotzmann deixa-me os pelos eriçados.

Tenho sete livros publicados e um quase a sair, e contribuí para outros quatro de autoria coletiva. Nunca plantei uma árvore, mas fiz três filhos, e com muito gosto: o Bruno, activista da Cultura no Muro; o Lourenço, bodypiercer e tatuador; a Madalena, artista em formação fascinada pelo universo dos anime.

Tenho um coração enorme, sempre disposto a apaixonar-se, e mau feitio. Nasci na Ilha de Moçambique, rodeado de tubarões, e aqui na Europa continuo a ver tubarões por todos os lados. Cuspo-lhes em cima e até agora consegui escapar-lhes aos dentes.