O jazz, tal como um poema, é um diálogo entre a palavra e o silêncio. E nesse jogo entre o que é dito e o que é sugerido, entre o que se murmura e o que se quer gritar, nem são necessários sinais de pontuação. Na sua melhor expressão, o jazz nunca tem pontos finais.
Jazz é liberdade de expressão. Os acordes são autónomos, a estrutura dos temas é constantemente alterada em função da intuição melódica do músico. Jazz é improvisação. Não vive das sensações de déjà vu musical que as pessoas se habituaram a sentir como melodiosas; vive de uma dinâmica constante e muitas vezes imprevisível que nos deixa em constante alerta.
Quando John Coltrane pega no saxofone os céus tornam-se voláteis. As estrelas e os planetas deixam de obedecer aos mandamentos de Newton e de Kepler, e voltam às mãos de Deus.
Este tema, Ogunde, é um dos últimos que Coltrane compôs antes de morrer. Três minutos e 41 segundos do mais difícil e sublime jazz: Ogunde inicia-se com o saxofone em bela oração, mas muda abruptamente, questiona-se, cria um labirinto melodioso onde nos perdemos até seguirmos Coltrane de novo em direcção à luz: a melodia inicial, agora transformada numa versão jazzística de um Requiem. Tão bizarro, tão inacessível, tão bonito.
Muitos acham que o jazz é uma merda, mas é a melhor música do mundo.
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Um comentário
O Jazz é a melhor música do mundo??? Pois é!!!!