23/Novembro/2009

A origem do fado

Sempre tive uma relação conflituosa com o fado principalmente porque sou português e não gosto. Amália tinha a voz de uma deusa, mas o meu fado são os blues.

A primeira vez que ouvi fado na televisão desliguei o som. Foi uma coisa instintiva. Também é assim com debates sobre futebol ou durante os discursos do Paulo Portas. Mas naquele dia fiquei a observar o fadista silencioso e impressionou-me a forma como abria as goelas e se deixava ficar de boca aberta e olhos fechados como se estivesse cheio de sono. Foi uma revelação.

As pessoas ainda discutem sobre as origens do fado enquanto expressão musical. Uns dizem que o fado vem dos árabes, outros que é importação das modinhas brasileiras.

O fado teve origem no encontro entre irmãos dos dois continentes: o português chegou ao Brasil com uma guitarra na mão e foi descobrir o brasileiro de boca aberta e cheio de sono, deitado ao Sol depois de uma noitada de samba e bunda.
– Que som é esse? – Quis saber o português quando viu o brasuca todo esticado no areal, bocejando.
– Como é…? – Bocejou ainda mais o brasileiro, mal abrindo os olhos.
– Como é, perguntas tu…? Ora! É mesmo assim como estás a fazer. Pois isso tem uma sonoridade tão peculiar, pá! Continua a fazer esse som, ó gajo, que eu acompanho com a minha guitarra.

Não liguem ao que aprenderam nas aulas de História. Não há segredo nem polémica. O fado nasceu da ressaca. O fado é o samba quando boceja.

6 respostas | A origem do fado
  1. Edgard Costa fez-se à net com Firefox 3.5.5 Firefox 3.5.5 em Fedora 12 Fedora 12

    Vejo que está a precisar ir ao Brasil para buscar mais informação. O samba quando boceja, não vira fado, mas samba canção, que domina a madrugada, normalmente saudosamente apaixonada pela amada que já foi dormir (as mulheres pelas quais se apaixonam os sambistas dormem cedo e dai o sambista dá lugar ao apaixonado) e, também, pela polícia que manda diminuir o barulho.

    O sambista ao Sol, quando a noite, a saudade e a polícia já se foram, não boceja, mas dá um mergulho na praia para acordar e ter forças para ir ao bar mais próximo, acompanhado de seu violão e gritar: “O meu chapa, dá mais uma gelada aí, por favor.” Sempre aparecem umas mulatas, um sujeito com um pandeiro e o samba continua, eternamente.

    A modinha é uma música de elite, dos colonizadores, e daí a possível descendência. O samba é do negro africano, escravo, colonizado. E eles só se misturam na cama. Lá as músicas são outras.

    E se quer saber se estou habilitado para falar assim sobre os sambistas, veja, e ouça, este podcast que fiz em 2005, sobre os meus tios, irmãos de minha mãe ( http://www.gavezdois.com/modules.php?name=News&file=article&sid=20 ). Eram criaturas da noite e faziam samba canção. Foram muitos famosos no Brasil, nos anos 40/50 do século passado. Vivi toda a minha infância embalado por suas músicas e garanto, não tem nada a ver com fado que, apesar do respeito, também não gosto. Já o samba, e o seu bacejo, eu adoro.

  2. MrCosmos@sapo.pt fez-se à net com Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 em Windows XP Windows XP

    Caro,
    sobre fado, permite-me partilhar aqui contigo minha “auscultação” dessa sonoridade tão peculiar portuguesa, a próposito de uma comparação entre portugal e França, o país de outro editor do Cosméticas. Escrevia assim, ainda não fez muito tempo:

    E as coisas belas que Portugal tem mas França não

    Na minha adolescência, fase da vida que despertamos para a música, seus estilos e sonoridades, tinha para mim que o fado era música para cotas. Não suportava sequer ouvir 30 segundos seguidos daqueles acordes.

    Com trinta anos dei comigo a comprar o meu primeiro CD de fado, coisa impensável alguns anos antes, e que me dizem que realmente, é preciso chegar aos trinta para se aprender a gostar de fado. A palavra fado vem do latim fatum (“destino”). A sua origem terá sido algo obscura, surgido provavelmente em meados do século XIX. Hoje os Portugueses têm em Mariza a sua diva, herdeira natural do lugar conquistado, deixado vago pelo nome planetário que é Amália Rodrigues. O Fado, é um dos “produtos” que portugal melhor exporta. (Link)

    :roll: pede-se desculpa pela pub grátis

  3. Marco fez-se à net com Firefox 3.5.5 Firefox 3.5.5 em Windows 7 Windows 7

    Calma, Edgard, este post é uma brincadeira, não é um tratado de sociologia :mrgreen:

  4. Edgard Costa fez-se à net com Firefox 3.5.5 Firefox 3.5.5 em Fedora 12 Fedora 12

    Estou calmo, Marco. Só quis dar algum conteúdo a um post que encontrei aqui e achei-o injustamente abandonado. É que fico ofegante sempre que falo de música. :)

  5. Marco fez-se à net com Firefox 3.5.5 Firefox 3.5.5 em Windows 7 Windows 7

    E deste conteúdo, como é teu hábito :-)

  6. Fábio Racoski fez-se à net com Firefox 3.5.5 Firefox 3.5.5 em Windows 7 Windows 7

    E cá estamos num mundo dos avessos e, por isso mesmo, no caminho certo: eu, brasileiro, gosto muito de fado; o fado é meu blues. Ainda que goste de ouvir o samba à moda antiga, não posso dizer que sou fã deste. De cá da nossa terra, prefiro a música caipira, as modas de viola; não a clássica, mas a viola caipira, de cinco pares de cordas.

    Recomendo-lhes ouvir músicas como esta do Almir Sater (http://www.youtube.com/watch?v=nuwPJMaO-_k), ou “pagodes de viola” como este de Tião Carreiro e Pardinho (http://www.youtube.com/watch?v=X2GuweLKKvE). Ainda há este vídeo, onde pode-se ver melhor o toque (http://www.youtube.com/watch?v=sc_CGpfw_cE).

    Viola minha viola!