
É um desenvolvimento diferente na guerra aberta pelos grupos de activistas a propósito do caso Wikileaks e da detenção do seu porta-voz e editor, Julian Assange.
Os ataques de negação de serviços (DoS, acrónimo em inglês de Denial of Service) não invadem os sistemas, mas provocam-lhes sobrecargas de forma a torná-los temporariamente inoperacionais: foi assim que sítios como o da Mastercard foram atacados. Por agora, esta fase parece ter cessado.
A nova estratégia consiste em publicar toda e qualquer informação contida no sítio da Wikileaks e que for julgada relevante. O comunicado:
«Cavalheiros, conseguimos pelo menos deixá-los com um olho negro. O jogo mudou. Quando o jogo muda, também a nossa estratégia deve mudar»
«Operação Leakspin: comecem por procurar no Wikileaks. Descubram apenas as melhores e menos conhecidas fugas (de informação). Publiquem resumos, juntamente com as fontes completas. Encorajem o leitor a ler mais. Façam um vídeo no YouTube de 1-2 minutos e leiam as fugas. Utilizem marcadores enganosos, desde ‘Tea Party’ a ‘Bieber’. Publiquem excertos em todo o lado, em comentários nos jornais, nos fóruns, etc.»
«Eles não receiam o LOIC (nota: software através do qual os ataques DoS foram executados), receiam a exposição.»
Os detratores do Wikileaks e destes «scriptie kids» poderão dizer que se está a promover uma caça às bruxas tão lamentável como a que o governo americano lançou a Assange e à sua organização e que a acção é semelhante à de verdadeiros spammers; os seus defensores poderão evocar, como fez o sítio Boing Boing, uma frase do autor de 1984, George Orwell: «Num tempo de engano universal, dizer a verdade é um acto revolucionário.






























3 comentários
Olá,
O diário Francês “libération” decidiu albergar o site de Wikileaks. Uma acção corajosa, quanto a mim. O que não impediu que este diário publicasse, quarta passada, dia 8, um editorial de François Sergent que se interroga sobre o antiamericanismo de Assange e a sua preferencia em optar atacar democracias ( sempre imperfeitas ) em vez das dictaduras.
Um editorial que vem dar voz ao que já tinha pensado e escrito aqui a este propósito.
A guerra levada contra Wikileaks é uma guerra levada contra os mídia. A grande força das democracias ( por muito imperfeitas que sejam ) é a possibilidade de existência de mídias diversos, pequenos ou grandes.
Note-se a ausência dum número importante de países na atribuição do prémio Nobel da Paz. Note-se quais são os países onde mais se assassinam jornalistas. E muito precisamos destes para podermos conceptualizar o mundo e a sua actualidade.
Para terminar : Conhecendo bem a obra de Orwell, creio que este sempre defendeu que a verdade não existe. Sempre defendeu que existem verdades. E isto desde o seu militantismo voluntário no POUM. O seu texto 1984 e a conceptualização que faz da Novlangue tenta mostrar que a língua e, logo, a polissemia levantam verdades e não uma verdade.
Quem afirmou que só a verdade é revolucionária foi Lenine.
Confundir Orwell com Lenine ? Lol !
Mas talvez seja cada vez mais uma constante na net. Cita-se um autor, uma frase, um texto e não se citam as fontes. E, se deste ponto de vista a net fosse o embrião da Novlangue pensada e conceptualizada por Orwell ?
Pensar não é ofender e eu continuo a não saber quantos hectares de floresta Amazónica ardem por dia ?
Nuno
PortoMaravilha, eu não confundi Orwell com Lenine. A citação está correcta e tu estás enganado.
Tá ok, Marco.
Não há crise !
Não conheço Orwell de cor e salteado, embora muito o tivesse estudado.
Fiquei curioso em saber em que contexto, ou obra se insere a citação ( Na quinta dos Animais, se é que esta é a tradução Portuguesa ) ?
Eu sei que não confundes Orwell com Lenine. Não te preocupes. Mas qual a fonte da citação ?
Repara : Durante a ascensão do nazismo vários quadros comunistas viraram nazis. E suas citações foram distribuidas ao Deus dará sem qualquer fonte informativa, confundindo quem as lias.
Talvez tenha uma história diferente ( nem sempre alegre ), talvez veja a memória sendo pouco a pouco apagada pelas não referências à fonte.
Como se tudo ( eis uma palavra bem Portuguesa ) se tranformasse numa magia do aparato.
Nuno