Quando vi o Barcelona marcar o quarto golo pude finalmente ver o Special One de uma forma completamente diferente.
Pela primeira vez na sua carreira, o rosto de Mourinho ficou da cor das gabardinas com que tanto impressionou as senhoras inglesas nos tempos em que treinou o Chelsea.
Estou a torcer pelo Real por influência do Mourinho e dos portugueses da equipa, mas deve haver uma razão cósmica para esta preferência.
O Barça marca o fatídico quinto golo e eu entretenho-me em pequenas nota mentais:
«Aconteça o que acontecer, pá, seja lá qual for o post que decidires escrever por causa disto, nem te atrevas a comparar os 5-0 ao Real Madrid com os 5-0 ao Benfica».
Numa tentativa de evitar cair nestas comparações fáceis, entretive-me a imaginar quais as doenças nervosas que Mourinho puderá apanhar depois de encaixar uma abada destas, ver a sua equipa levar um banho de bola durante quase todo o jogo e, de um momento para o outro, passar de Special One a Special Five.
Caro Mourinho, se pensar no Barça lhe dá dores de estômago e diarreias, considere tomar um chá de erva línguas de passarinho. Põe-se a ferver uns cinco minutos e já está. Em caso de complicações intestinais mais graves – dores de estômago – o chá de cidreira serve muito bem. Põe-se a erva-cidreira a ferver numa cafeteira com água durante cinco minutos e pronto. A minha tia também diz maravilhas do chá de hortelã-pimenta, talvez queira experimentar esse.
Faça como eu depois do jogo do Benfica com o Porto: mude de canal, ponha na MyZen TV, coloque os auscultadores e fique a ouvir música reiki. E por favor, não pense no exército de treinadores ciumentos do seu estatuto a quem o Barcelona fez o favor de proporcionar os primeiros orgasmos múltiplos das respectivas carreiras.
Já agora, dê uma reprimenda aos seus meninos: quando o candidato a melhor jogador do mundo empurra ostensivamente o treinador da equipa adversária, como fez Ronaldo, corre o risco de cair em desgraça aos olhos dos deuses do futebol. O Messi, o outro candidato, só se preocupa em jogar à bola e com a própria equipa; já o nosso craque anda sempre ocupado a pensar em muitas coisas ao mesmo tempo – variações dele próprio e do seu destino, talvez.
O futebol do Barcelona irrita: os jogadores trocam a bola com a candura de uma avó a tricotar uma camisola para o netinho querido, o que irrita o futebolista macho. É este o futebol do Guardiola: meter o meio-campo a tricotar camisolas com a expressão Vamos marcar golo, para o Messi as vestir ou emprestar a alguém. E é aqui que Cristiano perde em futebol e simpatia, porque a única camisola que lhe serve é a que diz Eu sou o melhor do mundo ou qualquer outra frase que comece com Eu. Sempre achei absurdas as comparações futebolísticas entre Ronaldo e Messi, mas a cada dia acho mais pertinentes as comparações humanas. A diferença entre o futebol de um e de outro começa aí, não na técnica.
Não, isto nada tem a ver com o Benfica. Cinco vezes não!
Pronto, agora já não sei o que escrever mais porque a comparação entre a vitória do clube «regional» de Espanha ao clube da capital e a vitória do clube «regional» de Portugal ao Glorioso, ainda por cima pelos mesmos números, continua a fazer-me comichões nos neurónios.
Porra, não faz sentido compararmos o Benfica ao Real Madrid – nem em sonhos teríamos possibilidade de contratar Mourinho, Kaká, Casillas ou qualquer outro titular madrileno. Acho que teríamos até dificuldades em contratar as chuteiras do Cristiano Ronaldo. O mesmo se pode dizer do Porto, que jamais poderia sacar o Villa, o Xavi, o Iniesta, nem sequer os atacadores das chuteiras do Messi.
Se penso assim e é absurdo, por que razão o cérebro insiste em fazer esta associação entre clubes e campeonatos com realidades financeiras tão díspares? A resposta é muito mais simples do que eu pensava: no íntimo, a comparação não é feita ao nível dos sonhos, mas dos pesadelos. Mesmo com as colossais diferenças de orçamento, Benfica e Real Madrid partilham o mesmo destino: têm ambos história, grandeza e nome para serem os maiores de cada país, mas só esporadicamente conseguem superiorizar-se aos clubes de «província».
A coincidência dos 5-0 só dá mais piada à coisa, embora me pareça que tenha por base uma cosmologia mítica de carácter astrológico ainda desconhecida dos que estudam o fenómeno do futebol.
É isso, torcer pelo Real Madrid fez lembrar-me as minhas azias benfiquistas desta época. Chega, agora é só auscultadores e música reiki. Vou fazer mais uma rádio para adormecer o pessoal, dado que este post não parece ter resultado.






























8 comentários
Marco, a sabedoria popular diz que são 10 minutos para um bom chá, 7 a ferver e 3 para repouso.
3 palavras BRI LHAN TE, muito bom.
Marco, dá um gozo supremo ver uma equipa que foi “construída” para vender camisolas levar um banho de bola do barcelona!
Foi uma grande surra, lá isso foi. É difícil de explicar.
O Barcelona esteve ao mais alto nível. Nunca vi uma troca de bola ao primeiro toque assim. Os do Real Madrid pareciam umas baratas tontas.
Diga-se, em defesa do Real, que o Barça fez um jogo do outro mundo.
Só vim aqui fazer um comentário para não ficarem 5 ali na contagem. Parecia um mau número, sei lá…
Eu gosto muito de futebol e desde os tempos do Rivaldo que torço para o Barcelona, desesperadamente. Depois Ronaldinho, agora Messi, Xavi, Iniesta, sempre Puyol. Muito futebol, há muitos anos. Minha esposa tem até camisa, comemorativa dos 100 anos.
Sou Vasco no Brasil, Porto em Portugal, e Barcelona em Espanha. Sinto-me um privilegiado. Não gosto nada mesmo destes times que são populares por decreto, tipo Flamengo, Benfica ou Real Madrid.
Por acaso o primeiro comentário que coloquei na net após o jogo foi este:
«Não é só em Portugal que o maior clube do Pais leva 5 de um clube regional.
E a agravante que o JJ não é o Mourinho….»
Apesar de não se poderem comparar, a verdade é que a mente Benfiquistas tem estes desígnios de pensamento…
Olá !
Oba, oba : Não suporto Mourinho.
Se é possivel comparar o Benfica com o Real Madrid ( laços intrinsicos com o salazarismo, o franquismo e o nazismo ) , já não me parece ser possível comparar o Porto com Barcelona historiograficamente se é que esta palavra já existe em Português. Lol !
O resto é propaganda em favor da confusão entre alhos e bugalhos, para melhor enganar a memória
da História.
E eu que pensava que era a religião ( e não o futebol ) que era o ópio do povo.
Pronto: ficam assim oito respostas tal como as sete notas de música, sem contar o dó que se repete.
Nuno