Querida senhora, não queria começar esta conversa mencionando o delicado assunto do seu pito. Ei-lo diante de mim, tão piquenicante, e eu com vontade de falar.
Não se ofenda, meu amor: o tema é do maior interesse. Longe de mim a intenção de o desprezar. A hesitação não se deve ao facto de a considerar pouco desejável. É o seu sorriso e figura de porcelana chinesa que me obrigam a hesitar.
Acredite em mim quando lhe digo que o meu primeiro impulso foi o de saltar para cima de cada uma das suas 32, 33 ou 34 vértebras, desculpe, não me lembro bem quantas são, mas percebe o que quero dizer não percebe, da região pélvica à cervical, marchava tudo.
Contudo, o cavalheirismo sobrepôs-se aos ímpetos mais felinos.
Estarei eu com medo de a esmagar ou magoar? Bem sei que é estúpido da minha parte sobrevalorizar os meus 98 quilos, pois não estou a ter em conta a sua formidável flexibilidade e capacidade de choque. Ainda assim, minha senhora, por que razão os deuses a fizeram tão bonita, imperturbável e docemente magra?
Nunca tive tendência para brincar às bonecas mas, ao pensar nesses seus enormes olhos negros que avaliam o mundo com gentil curiosidade, só me apetece aconchegá-la no meu colo e contar-lhe histórias para adormecer enquanto lhe penteio o cabelo.
Esta sensação é tão pungente como o som de um violino numa noite de chuva.
Deus é minha testemunha quando lhe digo, minha linda flor de estufa: à sua sagrada pintelheira seria eu capaz de fazer tudo, até uma permanente, caso fosse esse o seu desejo. E fá-lo-ia com o zelo de uma cabeleireira assexuada – assumindo que ambas ainda existem hoje em dia, ou seja, as patarecas com pintelhos e as cabeleireiras assexuadas.
Nem me atrevo a pensar no que aconteceria se, de repente, este amigo adolescente que mantenho entre as pernas – um seu criado, aproveito para desfazer mal-entendidos – tentasse libertar-se da escravidão das cuecas e, num ímpeto glorioso, corresse a separar-lhe as coxas.
Pois também lhe digo, minha adorada rainha com rosto de princesa, agiria sobre essas coxas esbeltas como um deus separando as águas, libertaria os meus espermatozoides e permitir-lhes-ia que percorressem o caminho dos profetas em direcção à terra prometida, aos campos amenos e férteis que florescem à sombra dos seus entrefolhos.
Será que esta hesitação se deve a um súbito afrontamento amoroso que me sinto incapaz de controlar? Será possível que a maior demonstração de amor que lhe possa dar neste momento seja a de recusar-me a fazer amor consigo? Precisarei de algo mais? Como lidar com este paradoxo?
Que deverei fazer para curar a enxaqueca amorosa que me consome a cabeça de forma tão cruel, impedindo-a de se levantar? Ó meu chazinho de limão, meu rebuçado de hortelã pimenta, necessito de uma resposta urgente. Devolva-me o sentido da vida, dê-me uma palavra de orientação e prometo que
Deixei o Viagra no banheiro, amor? Esta minha cabeça! Pronto, eu vou já lá buscar.






























23 comentários
mas que raio?!
Eu sei, eu sei. O final é muito romântico.
Andaste a fumar alguma cena fixe? LOL
Tira-lhe o primeiro parágrafo e faz-me lembrar uma crónica do Lobo Antunes
…quer dizer…
… tinhas que tirar a pontuação também…
… mas percebes…
… acordaste com comichões nas pontas dos dedos, foi o que foi.
Eheheh, qual poeta português! Está tudo dito!
Muito bom, abraço.
Parafraseando o Gil, eu diria mais. Mas que taio???!
Estou aquí a tentar entender este post mas ainda não fui lá.
Pode ser que ainda venha a entender.
Eh, eh, este “sedutor” de múltipla personalidade e tom parece ecoar vestígios dum médico legista cruzado com o Woody Allen e o João César Monteiro. Estou certo que algo de Zézé Camarinha também deve estar por ali.
Prontos… é o que me apraz escrever.
Deu em doido de vez!
h.udo
São giras, as vossas reacções
Já estou como os outros: WTF

Na volta a tua ideia foi essa, pores-nos com a cabeça à nora (“mas que raio…”). “Quem não te conhecer que te compre!” Isto é o cúmulo do despudor!
A tua sorte foi não pores uma foto ilustração a condizer no post, porque senão o Facebook censurava-te esta ligação…
O Nuno está muito perto da verdade
Oh caramba! Se calhar a minha verdadeira vocação teria sido ser psicanalista. Será tarde para mudar?
Mas… mas… parece-me o Zappa a escrever!
eh eh eh eh…estes genes abençoados…mas espera lá,não te adiantaste? encaixava melhor exatamente no dia 21…suponho eu.
Está menos brejeiro que “omeupipi”, mas tenho fé que consigas chegar a esse nível se assim o desejares. E é bom saber que és capaz de escrever umas ordinarices de mau gosto na tua “chafarrica”.
Sim, sou a tal Susana que de vez em quando comenta aqui e naquele antro de perdição social que é o “facebook”.
Não o desejo.
Em vez de Viagra não pode ser Cialis? Dizem que funciona melhor…
h.udo
‘Come again?’
E ou a última frase do último parágrafo ficou incompleta ou há ali alguma subtileza na interrupção que não estou a atingir…
Ok pronto, não atingi quase nada do texto, a não ser que alguém hoje acordou com uma grande “tusa”
não me leves a mal… fizeste-me recordar aquele estafermo do ” O Meu Pipi”… E S P E CT A C U L A R !!!
Sempre que fazem comparações com o Meu Pipi, um gatinho inocente é morto no Alasca.
Só para ficarem a saber.
E depois culpam a Sarah Palin…
conversa de engate?
será que com este tipo de conversa consegues levar alguma dama no bico?
http://brigadascinzacoelho.blogspot.com/2011/03/vejam-como-o-meu-carro-foi-destruido.html
Já tinha lido duas vezes, mas depois de ler os comentários tive que ler outra vez.
A mim fez-me lembrar, não sei porquê, a Memória de Minhas Putas Tristes, que li faz alguns anos.
Mas às tantas não tem nada a ver, vou ler outra vez
…começas-te que nem o King-Kong, terminas-te (se é que acabou), num actor porno na sua 1ª experiencia. Confuso?Não. Genial?tb não. Não me apetece perceber!