Há muito, muito tempo, o infelizmente desaparecido em combate António Dias, do lamentavelmente desactualizado Marketing de Busca, escreveu um post onde sugeriu o desenvolvimento de uma estratégia de marketing na Internet e agir quase como se o Google não existisse.
Fiquei logo com vontade de escrever um post sobre o assunto – assim aconteceu. E dado que o Google tem andado a preocupar-me por causa do Adsense, revi o post e achei que se mantém actual, pelo que aqui está a reedição.
Possuo alguma experiência na estratégia de que falou o António Dias, pois desde que este blogue começou não tenho feito outra coisa senão ignorar o Google.
Sempre que o vejo por aqui, assobio para o lado como se não fosse nada comigo. Escusa de me chatear. Ai é o Google? Estou ao telefone. Quer o quê? Estou numa reunião. Quando é que pode falar comigo? Fui de férias para as Maldivas. Às vezes até faço de conta que estou a falar com o Yahoo ou o Bing – só para o chatear.
Se há coisa que detesto é gente com a mania que é o supra-sumo da costeleta. No caso do Google, julga-se a única costeleta do mundo. Depois chega aqui e arma-se em vedeta da linkosfera. Tem aquela atitude do Eu quero, posso e linko.
O Google, de certo modo, é a versão double cheeseburguer do Pacheco Pereira. Mas não se deixem levar pela comparação: ao pé do Google, o nosso venerável Pacheco, inventador da pachecosfera, não passa de uma escanzelada perninha de frango do Happy Meal.
Se estiver com a neura sou gajo para despachar o Google com um grito, como se faz a um cãozinho mal-comportado prestes a depositar uma poia no chão da sala.
Sobre esta pertinente temática – links e poias, e o que se pode esperar de uns e de outras – também tenho adquirido alguma experiência. Basta consultar a malta que o Google manda para aqui com os termos de busca mais bizarros.
O Google é inconveniente. Chega a ser embaraçoso, até parece que bebeu uns copitos a mais. Um cocktail qualquer de algoritmos. Já mandou para aqui gente à procura de raparigas peludas no peito. Peludas aonde? Apetece pegar no Google pelos colarinhos e perguntar-lhe: «Ó meu motor de busca desvairado, por acaso este blogue tem aspecto de gostar dessas merdas?»
Há pessoal que chega aqui convencido de que encontrará a Soraia Chaves a fazer uma dança do ventre no meu disco rígido. Tudo bem – sempre é melhor do que as malucas peludas. Mas por que razão o Google tem de se portar como um chibo? Não sabe ser discreto, o idiota? Tem de estar sempre a dizer a toda a gente as coisas que se escrevem no Bitaites? Alcoviteiro!
E agora que tenho publicidade, sou forçado a vigiar a porcaria que vai mandar para aqui.
Por isso disse e repito: o paraíso da blogosfera é um sítio onde se ouve boa música enquanto se participa numa conversa absolutamente livre, enquanto o Google, a um canto da mesa, emborca umas cervejas amuadas por ninguém estar a pedir-lhe uma opinião.
Ignorar o Google implica, se possível, criar uma lista de palavras, termos e frases que não se podem escrever. Se existem ferramentas SEO a dar com um pau (imagino a malta que virá cá parar por ter usado esta expressão), então que sejam desenvolvidas, e o mais depressa possível se faz favor, ferramentas que as anulem, ferramentas anti-SEO.
Porque um tipo não pode estar sossegadinho no seu canto a escrever um post a gozar com os Morangos com Açúcar, por exemplo, que vem logo cá parar a legião de fãs da telenovela. É o equivalente blogosférico a uma praga de gafanhotos.
O Google não só defrauda as minhas expectativas como defrauda as expectativas de pessoas que não desejo ver no blogue de maneira nenhuma – nem que cheguem aos milhões.
Depois um gajo lá tem de aturar as morangueiras a escrever mensagens SMS na caixa dos comentários. E com este parágrafo já me lixei outra vez. O Google está à escuta, o Google nunca dorme, vai chibar o Bitaites sem dó nem piedade. E se pensam que estou louco ao comparar o Google a um cão, considerem o parágrafo seguinte.
Entre o Google e a minha cadelinha Pinscher, por exemplo, existem mais semelhanças do que vocês suspeitam. Em primeiro lugar, porque ambos são motores de busca. Segundo, podem ser muito irritantes.
Terceiro, porque tanto para ela como para o Google todos os cheiros são interessantes: um bifinho da vazia ou o cocó da véspera, tudo tem valor.
E depois de cheirarem merda até à exaustão, Google e Pinscher aproximam-se do pobre blogger com o rabo a abanar e desejosos de lhe lamber a cara.
Bloggers de todo o mundo, uni-vos: enfiem o Google num canil para motores de busca que se julgam cães de guarda. Um canil de farejadores esquizofrénicos.






























14 comentários
Já existe, há anos, há tantos que até parece que ainda não havia ferramentas de SEO, nem Google: é o robots.txt. Não deixes esses pequenos duendes passearem em posts que não queres, e começa a “fazer a dobra” nos posts, de molde a que sejam apresentados apenas dois ou três parágrafos na homepage.
Sempre que achares que um post tem palavras chaves mais malandrecas, sai mais uma linha no robots.txt e tens o problema resolvido…
É o que eu já te disse Marco, tentar dominar o “cão” vai ser uma obsessão tua nos primeiros tempos e como as coisas vão ainda vais precisar de psicanálise se continuas muito nesta luta sem sentido. Não há muito que possas fazer já que se entra derrotado na luta. Ou aceitas a luta desigual como é usando as regras de combate impostas e tentas não sair muito ferido, ou arranjas outro cão. E dar alguma “luta” passa por aprender a lutar (artigos e livros SEO), optimizar conteúdos, usar o velho robots.txt, a velha meta-tag do “robots” no html, etc. Ganhá-la é que nunca ganharás. Ironicamente, receberás uns “ossos” em casa que comecerá a tornar-te cúmplice do cão, a matar o desejo de lutar e secretamente mesmo que não o demonstres em público farás umas festinhas na cabeça do cão de vez em quando.
Facilmente me tornei leitor do blog. Parabéns Marco!
Impressionante em como lia uma frase no Artigo e me começava logo a rir. Bem dita a hora em que finalmente comecei a seguir o Bitaites…
Relativamente aos assuntos Google, vais ter de aprender a lidar com o teu cão…e olha que se queres comparar o Cão Google à tua Pincher, fica sabendo que estás na presença de um São Bernardo!
Continua a escrever assim que eu estou a adorar!
Tá demais este texto mas é assim mesmo. se vamos fazer tudo em função do Mr. G um dia o Mr. G diz que não gosta de nós e ficamos sem nadinha. já tive uns sites quase excluídos do Google mas continuaram a receber visitas do Facebook, Bing e outros. Mas se não quero o Google por aqui usa o robots como já sugeriram.
Marco, vou fazer-te uma pergunta “bué” chata e estragar-te mais um excelente post.
Reparei que ainda não escreves segundo o novo acordo ortográfico. Quando pensas fazê-lo? Se é que o farás. E porque não o fazes? Porque te causa espécie ou por uma outra qq razão?
Desculpa lá! E foi mais do que uma pergunta afinal. E inclusivamente se algumas destas respostas já foram dadas no teu blogue, o meu maior perdão desde já
Muito obrigado Marco..
Abraço
(é só mesmo curiosidade
)
André, na boa. Pergunta à vontade.
A resposta é simples: nesta fase é uma opção mais ou menos irrelevante.
Tenho outras coisas para resolver, primeiro. Não deve ser muito difícil passar a escrever com a nova grafia, é só uma questão de grafia, mesmo. Francamente não lhe dou a importância que outras pessoas estão a dar, seja os que estão contra ou os que estão a favor.
A minha opinião está aqui: http://bitaites.org/reedicoes/acordo-ortografico-contra-fatos-nao-ha-alfaiates
Um abraço
Marco, bem-haja! Obrigado pelo link e papinha feita (mea culpa).
Li o post (e comentários) com interesse e fiquei a par one hundred per cent da tua posição.
Curiosidade mórbida (
) saciada…
Abraço!
André, não me trates por você!
Oh diabo, onde é que eu te tratei por você?
Também sou míope, pelo que um dos dois anda a ver mal então
Bem-haja, a situação, as a whole. Não me referia a “ti”. Ou será mesmo mau português?
Olha, já não sei
mas fica descansado, trato-te por tu, claro!
P.S.: eu bem disse que ia estragar o teu post.. sorry ’bout that!
Não, não estragaste nada.
Genial…clap…clap…clap…