
Conhecem os filmes do Harry Potter? Há uma cena no terceiro filme que achei engraçada e imaginativa: numa aula, um professor-lobisomem ensina um feitiço através do qual o aluno ridiculariza o símbolo do seu maior medo, anulando-o – mais ou menos o contrário do que faz o Stephen King.
Um chapéu de senhora cresce na tola de um assustador professor de Magia Negra. Uma lua cheia transforma-se num balão que se esvazia no ar com um som flatulento.
Poucas coisas irritam mais um fanático do que o humor. O Ricardo Araújo Pereira disse uma vez que os skins rapavam o cabelo só para esconder a carapinha – como resultado desta e de outras observações, fizeram-lhe ameaças.
No fórum de discussão onde os cavalheiros e respectivas damas conspiram contra a Humanidade, alguém chegou a rosnar qualquer coisa sobre a morada do colégio frequentado pelos filhos do humorista. Lembram-se disso?
Eu nunca me esqueci. Lembro-me sempre desse tipo de coisas quando me pedem para os aceitar.
Não consigo aceitá-los, sabem, porque o riso é uma expressão da nossa liberdade.
A espontaneidade do riso não é encorajada por quem sonha com um mundo cuja base de sustentação seja o controlo rígido sobre a mente das pessoas. Esse riso não é desejado por quem está obcecado em transformar o mundo num gigantesco estúdio de televisão onde os acólitos do regime nos mostram tabuletas indicando quando devemos rir ou permanecer em silêncio.
Ainda hoje, com mais de quarenta anos de ditadura sobre a nossa consciência, sofremos desse mal: ui, o Salazar – esse é que era um homem sério!
Ainda hoje, trinta e cinco anos depois do 25 de Abril, tendemos a ver seriedade no rosto inexpressivo de um mono, honestidade no cheiro a mofo das suas palavras. Estamos ainda a libertar-nos.
Os fanáticos têm uma relação muito complicada com o humor enquanto expressão libertadora – é esse o problema, portanto. Não conseguem suportar a ideia de que alguém consiga fazer desmoronar os calhaus onde assentam as suas convicções. Basta uma gargalhada para se sentirem ameaçados. Humilhados. Feridos no seu orgulho. Tudo o que possui a capacidade mágica de unir diferentes povos é visto também como uma ameaça. O riso. A música. A Arte. E então deliram com a possibilidade de restituir a sua ordem do mundo através da proibição – caso tenham poder e consigam transformar-se em tiranos.
Coloquem africanos, europeus e asiáticos juntos numa sala a ver um daqueles filmes mudos em que Charlie Chaplin faz de Charlot: aposto que todos se rirão, independentemente da raça. Um judeu, um muçulmano, temporariamente isolados do ódio pelo poder libertador de uma gargalhada. Assustador, para quem arruma seres humanos como se fossem peúgas novas e usadas.
Não admira que o grande Chaplin tenha sido um dos primeiros a satirizar Hitler, esse monte de merda gelatinosa com a mania que era o místico da verdade.
O fanático faz lembrar aquela dona de casa num dos filmes do senhor Hulot, do Jacques Tati, não sei se viram, uma senhora que vivia apenas para limpar e organizar a sua casa. Nada pode ser deixado fora do seu lugar, incluindo as pessoas. O pano do pó é a sua Constituição, a sua vassoura um martelo de juiz com que impõe a lei e a ordem.
Aceitar esta visão de um mundo sem o pulsar libertador de uma gargalhada é o mesmo que autorizar o fanático a proibir-me de viver como um ser humano. Eu sei aonde conduzem as suas causas: a um mundo sem Humanidade.






























23 comentários
Marco, esta a precisar ler O Nome da Rosa, do Umberto Eco (ou ver o filme, mas o livro é muito melhor). Neste fabuloso livro o autor italiano desmonta toda a formação de nossa sociedade ocidental, demostrando que ela tem como base ideológica exatamente o fanatismo de uns gajos, no caso o fanatismo religioso (que não é por consciência um dos valores que os partidos de extrema direita insistem em preservar, junto com a família, a fronteira, etc.).
O autor coloca romanticamente no cimo da torre de uma abadia medieval, onde se esconde, se seleciona e se censura todo o conhecimento, um único livro, um único saber que, de tão proibido, deveria fazer morrer a todos os que aquilo lessem, para dar garantia aos “donos” do saber, que aquelas ideias não se propagariam. E que conhecimento tão proibido era este? O riso de Aristóteles…
O título deste post é a ideia central do livro do Eco.
Edgard, não leio tanto quanto devia. E esse nunca li, de facto.
Subscrevo inteiramente o teor deste post.
Há uma interessante frase de Charlie Chaplin que se adequa ao tema deste post: “Creio no riso e nas lágrimas como antídotos do ódio e do terror”.
Dum modo geral os portugueses não são dados ao humor e à subtileza. Enveredamos sempre pela atitude mais fácil: a brejeirice.
Se é uma atitude tipicamente latina, não sei, o certo é que só sabemos responder com ela perante certas situações em que o nosso orgulho é supostamente ferido.
Dá-me impressão que o português numa discussão tem de ser sempre programado para aceitar a opção de humor, caso contrário crashará…
@Maldonado Temos o exemplo recente do caso da Maité Proença em que uma coisa que era suposto ser para rir se tranformou num caso de telejornal.
Marco Lopes, aquilo da Maitê era para rir?
A intenção, claramente, era fazer uma piada com os estereótipos que os brasileiros têm sobre os portugueses. Se ela sabe fazer uma coisa para rir ou não sem estar a seguir um guião escrito por quem percebe de humor, isso já é outra conversa.
Se os portugueses iriam achar piada, mesmo que aquilo tivesse piada? Isso também é outra conversa e desconfio que a resposta seria sempre “não”, é aí que entra o tal “orgulho ferido”, e nisso do orgulho ferido, nós somos especialistas.
Vendo eu este artigo colocado na categoria de «Cromos», acho que tens uma noção – bem – errada do que é a formação de um indivíduo social e a sua psicologia. O humor é, na sua forma mais basilar, uma forma dissimulada, filtrada, de criticar, de dizer «é isto que penso de ti». Tem uma atitude ociosa, distante, pouco HUMANA também: «se não gostas de te ver neste retrato, fode-te, ou então arranja sentido de humor». E o trabalho de um humorista é isto, a não ser o novo GF, que mais parece um Daily Show encenado, combinado, ao ínfimo pormenor. Claro que existem várias formas de humor, ideologias distintas: a caricatura, a anedota, a intervenção… umas mais idealizadas, outras bem mais perto do real.
…e pegando na primeira linha de raciocínio, é muito natural e óbvio que grupos, pessoas, etc, que levam a vida de uma forma muito séria e fundamentalista, rejeitem qlq apupo – vai-lhes ao orgulho, matéria-prima da sua existência, o querer a glória, num mundo que idealizam. O riso não é glorioso nem pertence ao mundo das ideias: chama-os à atenção, trazem-nos à realidade, e não gostam porque uma ideia é coisa abstracta.
Marco, veja o filme então. Ganhas tempo, embora o discurso seja evidentemente mais pobre, mas o essencial está lá. E lá encontram-se respostas a muitas das questões que aqui já vi colocadas, entre elas aquela sobre o “ódio medieval”.
O filme foi realizado pelo francês Jean Jacques Annaud, que antes dele fizera o fabuloso La Guerre de Feu (A Guerra do Fogo) e depois o não menos interessante L’Ours (O Urso).
Por falar em cinema, o filme do Tati é o Mon Uncle.
@LN
Não posso discordar mais de tua redutora definição de humor, lembrando-me da excecional função didática da comédia, como foi utilizada na Grécia antiga, por exemplo, para tratar, junto com o povo, de assuntos tão sérios e complexos quanto a política. Sem me esquecer da libertadora e critica revista portuguesa. Por vezes a sátira é a única forma de manifestação artística aceitável e aplicável. Nem sempre carrega necessariamente o escárnio ou mal dizer.
A comédia clássica grega só não é tão conhecida quanto a contemporânea tragédia, porque, como dizia o poeta Mário Quintana: “”… um canto muros erige, um riso os faz desabar”.
Nós, desde as cavernas, infelizmente damos preferência aos muros e os erigimos com mais frequência que os desabamos. Quando os desabamos é sempre em festa, entre risos, que certamente ofende e acirra os ódios dos derrotados construtores de muros (que depois quererão erigir outros), mas é inegavelmente belo.
O humor é a mais HUMANA das expressões, sendo mesmo exclusiva deste animal. Como disse o mesmo Eco, no mesmo livro que me referi, “Os macacos não riem, o riso é próprio do homem, é sinal de sua racionalidade…”.
Edgar, é isso mesmo, O Meu Tio. E não vou ver o filme, vou ler o livro mesmo. Obrigado.
É verdade, sobre o humor: há um momento muito esclarecedor num dos filmes que mencionaste, A Guerra do Fogo, quando qualquer coisa cai em cima da cabeça de um deles (um coco? Não me lembro) e todos os outros começam a rir.
Bingo! E naturalmente! É humano, e tão inevitável quanto o batimento cardíaco ou o piscar do olho. E ria-se com o Urso embora não haja lá nenhuma palavra, é impossível não fazê-lo, mas somente nós nos riríamos daquilo. O urso não. A humanização das coisas é que nos faz rir.
Estás a falar de «humor construtivo» (desde quando o humor é construtivo? humor é a falha, enquanto forma de arte, porque tudo o é, na verdadeira arte.), comédia clássica, quando no artigo falas de HUMOR? A revista… é uma forma de humor? Para mim são só «coisas bem dispostas». Tal como a forma didática dele. Que não falta aí na indústria de entretnimento. Por mais que queira, não me consigo rir de, por exemplo, um filme com o McCoughney. É o dizer por outras palavras, sem a ideia, a exploração dela, seja pelo absurdo, o hilariante, a crítica, o sarcasmo. Isso, para mim, é o humor. O que sobra, entre um tapete de arraiolos e o Fernando Mendes, não sei qual me faz mais diferença. E o humor não tem de estar centrado num grupo de pessoas, das atitudes, comportamentos, ideiais (…) como é óbvio. Mas quando lá chega, é de forma alcalina, mesmo sendo ingénuo. O próprio pressuposto do rir implica uma «vantagem» sobre outrem, um terceiro, material ou vivo. Sobre ti próprio também. Ponto final. Assim é. A própria felicidade é um estado anormal, de carácter dramático, que resulta da projecção individual sobre um todo abstracto conceito, impossível de prever, chamado vida e os sistemas que dela fazem parte, construídos, questionados ao longo de milénios. E o futuro passa por brincar. Mas isto são outros pensamentos, maiores.
Mas a questão, repara, nem sequer é o HUMOR. A questão, e que tu próprio abordas no artigo, é «e quando o humor ENCONTRA os carracundos, o que acontece?» Eu só abordei de igual forma: o porquê de ser pouco suportado entre fudamentalistas, gente obcecada. Porque o humor «contra» este tipo de personagens… estás a espera que lhes chegue por métodos não sarcásticos? Quais os verdadeiros comportamentos do emissor que inspiram o verdadeiro humor? És capaz de me explicar o que tem mais graça?
O humor pode ser demonstrado de múltiplas formas, sem que para isso sejam necessárias expressões faciais (o riso). E não é, londe de o ser, uma faculdade específica e única do ser da nossa espécie.
Portanto para vocês todo o tipo de humor é justificável, como por exemplo cuspir em património nacional de um país que não o nosso ou como faziam os nazis que tanto ridicularizam neste blog (não merecem menos que isso) quando faziam caricaturas e gozavam com os judeus.
Discordo de vocês, os portugueses usam demasiado o humor, tudo é motivo de gozo, e até tivemos um programa de humor com peso na decisão sobre uma questão tão fundamental como quem nos irá governar nos próximos 4 anos.
@LN
Esta a descrever a tua preferência no humor, mas não o humor em si. Nunca ris-te de ti mesmo? E que vantagem teve nisto? Continuas a reduzir a coisa ao teu ponto de vista, mas há, necessariamente, outros, como deves concordar.
Isto não é humor, é estupidez. Se pessoas riem-se da estupidez de outros, tem lá os seus motivos, mas decididamente isto não é humor. Como é possível rir-se da tragédia alheia (principalmente se for de nosso inimigo). Até poderá ser engraçado para alguns, mas nunca passará de uma tragédia.
Humor é outra coisa: http://pt.wikipedia.org/wiki/Humor
O que LN está a descrever é apenas uma das teorias do humor, mas não todas. Está lá na Wikipédia, até bem escrito por sinal.
A atitude daquela senhora não está necessariamente carregada da sensação de superioridade, uma vez que é feita com covardia. Fosse ela feita aqui, num palco, numa apresentação oficial da atriz em frente ao público português, e poderíamos chamar de humor. Mas teria que ter um contexto completamente diferente para que a bela atriz não fosse esquartejada ao vivo por este povo de brandos costumes.
E talvez seja mesmo a covardia que faça daquele filme uma bosta tão ignóbil.
@ Edgard
«Sobre ti próprio também.»
Que vantagem? O humor não deve ser usado para obter uma «vantagem», ainda assim, sempre virtual. O que disse é: o humor nasce da «vantagem» sobre. Sobre nós próprios, também, logicamente, como um prazer contra-estético. O que é essa vantagem? O que nos faz rir. O modo de a obter: a teórica – inteligente – ajuda.
@LN
Esta a reduzir o humor a apenas uma de suas teorias, a da superioridade. Nega a incoerência e o alívio (onde se enquadra a maior parte do riso de nós próprios ou de situações de tensão). A teoria da superioridade é válida, mas vista isoladamente é redutora, é o que estou a tentar dizer. Você nega Kant e Freud. Eu não faria isto.
Sem me esquecer do absurdo, lembrando-me de Ionesco e Saramago.
Um livro que tenho aqui (em pdf) e que descreve isto com precisão e numa linguagem bastante acessível é o A Theory of Fun ( http://www.amazon.co.uk/Theory-Game-Design-Raph-Koster/dp/1932111972/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=books&qid=1255796423&sr=8-1 ), que embora tenha sido escrito para desenhadores de videogames, o meu interesse, descreve de forma bastante completa estas teorias. Nos jogos há muito humor que não é expresso pela superioridade.
@ Edgard
Eu estudo psicologia é quero lá saber de teorias de outros – incluíndo Freud. Se quero que a cultura se f*da, e eu próprio a produzo, enquanto mais conceitos estéreis de toda uma especulação intelectual que normalmente é desacompanhada da acção e experiência. Um perfeito zero. Nem nego nenhuma outra. O humor, enquanto forma de Arte (que fique claro, que o que se pretende com esta troca, é identificar o que é o humor enquanto arte, e não o humor na arte: música com a vaudeville, artes visuais com o cartoon, e por aí vai…), para mim, parte da «vantagem». A minha «teoria» não é a da superioridade. No plano de concretização, o humor «vantagem», digamos assim, não se serve das condições da teoria da superioridade. Podem, e existem, haver pontos de contacto, apenas.
@LN
Se entendi bem o que disse… Tens todo direito a tua opinião, a “achar” o que quiser, inegavelmente. Mas daí a dizer que outra pessoa está errada por que não está de acordo com o que se passa na sua cabeça, e somente nela, já vai uma distância significativa. Ela pode estar em desacordo, mas não errada, por causa do tal direito a opinião.
Desculpe-me se discordei de tua opinião. É que pressupus que fosse fundamentada e estava a discutir os fundamentos. Mas como não quer saber da teoria dos outros e cria as suas próprias, não sei bem o que você estuda. Bastaria trancar-se numa casa de banho e masturbar-se para ter acesso a toda a verdade. Dai estaríamos literalmente a discutir porra nenhuma.
No que diz respeito a noção da formação do indivíduo social e sua psicologia, tenho lá uma noção bastante bem fundamentada, concordante da visão do Marco e discordante da tua. Por isto me manifestei. E esta noção não se baseia em minha opinião, mas no que aprendi na faculdade a partir do estudo e conclusões aceites de diversos cientistas. E isto também é cultura e não vai se foder, por mais que você a mande ir. Pode ignora-la, tens o direito, mas daí não há mais objeto para nosso diálogo. Sinto-me fragilizado ao discutir coisas que se passam somente em tua cabeça, sem poder fazer uma análise formal e aqui não é espaço para isto.
Mas repito, todos temos direito a nossa opinião.
@Edgar
Estive a ver um pdf que o autor desse livro tem no site oficial, e pareceu-me bastante interessante. Acho que à custa desta conversa já vou ter que dar uns trocos à amazon.
@ Edgard
Já está tudo a confundir as coisas. Até aqui, estavámos a trocar impressões do que é o humor. Ou deve ser, enquanto forma de arte. Repito: humor enquanto forma de arte. É o que me interessa. Não humor feito por artesãos. Por isso, não percebi aquela achega: «Vendo eu este artigo colocado na categoria de «Cromos», acho que tens uma noção – bem – errada do que é a formação de um indivíduo social e a sua psicologia.» – de palavras minhas. Mas ainda bem que tocas nisso, porque o assunto é mesmo esse, e a variação que estavámos a ter é só um acesso para tal.
A minha actividade seria inútil se me contivesse na mente de outros – por mais elogios que lhes teça. E são muitos.
Reportando a esse entendimento, e que é o que afinal este artigo pretende, acho, obviamente, que o Marco não pensou muito antes de o fazer. Um fundamentalista/fanático, nunca irá ver bem o riso, o humor, livre e original, dirigido a si. E torna-se despropositado tentar ser um moralista de bancada, usar de pretextos (aqui é o riso e humor) para novamente os relembrar de que são um «monte de merda gelatinosa». Eles sabem. E gostam, sem rir. Viva o livre-arbítrio, independentemente da validade dos actos. Eles não sonham: proibem mesmo, dada a estrutura mental e social que construem e vão fortalecendo, entre si.
Agora Vou dinamitar Fátima, como quem não quer a coisa, com cara de quem está, claramente, a brincar, para ver o que acontece.
@Marco Lopes
É mesmo um livro incomumente interessante, visto o assunto que trata. Já foi raridade, vendido na mesma amazon por mais de 200 dólares(*), o que me fez arrumar uma versão “pirata” lá com os suecos. Mas felizmente reeditaram. É mesmo muito bom. Para quem se interessa pelo assunto vale muito do dinheiro que custa.
*Cheguei a encomenda-lo por £ 70, numa época em que ela valia 3x mais que o Euro. Dava bem mais que 200 dólares. Mas a empresa, norte-americana, que o vendia não me entregou e a Amazon devolveu-me o dinheiro (ufa!)
Levar tudo tão a sério é algo que nos impede de viver melhor.
Belo texto
Um bom exemplo de bom humor:
http://www.youtube.com/watch?v=xSX3uO7Yw2Q
Michel Ribeiro tens toda a razão!