O facto de achar que não ficava mal ao excelentíssimo senhor Khadafi acordar com uma bala no cu não me impede de considerar algumas questões no que diz respeito a esta guerrinha na Líbia.
A mais importante tem a ver com o alcance desta missão aliada. Se o primeiro objectivo era o de criar uma zona de exclusão aérea para impedir Khadafi de «bombardear o próprio povo», como nos é repetido com insistência; se a criação dessa zona de exclusão foi dada praticamente como conseguida ao fim das primeiras 24 horas de bombardeamentos… por que razão os ataques continuaram?

































19 comentários
Continuam, talvez o Kadafi esteja a preparar mais confrontos. Em Misrata atacaram civis.
Uma ovelha? com um cigarro??
É verdade… Sentido de humor rebelde.
Marco, a exclusão aérea, por si só, não garante a vitória dos rebeldes. Como já deves ter visto no The Big Picture, vários dos ataques deram cabo de tanques que estavam em redor de Benghazi. E os tanques, como se sabe, não participam em ataques aéreos líbios. Tens também o ataque ao complexo residencial de Kadhafi, o qual, não parece ser um centro de controlo de tráfego aéreo. Por isso, tudo isto é um grande empurrão, para ver se os rebeldes conseguem fazer os trabalhos de casa
A política e a guerra nunca teve bons e maus e há tanto “cinzentismo” moral pelo meio. É claro que o embargo áreo deveria em princípio proteger os “civis” (isto é, forças opositoras ao regime) mas a coligação interesseira (perdão, internacional) sabe bem que este não há-de cair tão facilmente como nos restantes países e assim tem de abater uns alvos extras antes que os “civis” que tão má conta de si tem dado frente ao gajo durem um bocado mais e façam realmente alguma coisa que o tire do poder.
Sendo tão desconfiado, acho que alguém aproximar-se para dar um tiro a este é mais díficil que ganhar o totoloto, há sempre mais probablidades de que ele se sufoque por acidente numa almofada durante a noite.
Eu tinha já tinha dito no anterior comentário que as balas de certos países têm prazos de validade.
Não sei se cheguei a dizer no último comentário que fiz, mas quem está a fazer a guerra contra o regime não é o povo, é um grupo dentro do povo, os chamados de rebeldes. E isso faz realmente muita diferença. Tanta, que o regime já não existiria se fosse realmente fosse o povo.
Outro há parte;
Excessos, há dos dois lados como já foi dito, e a “aliança” está sempre do lado que mais lhe convém, e não do justo e o correcto. A minha indignação a respeito a isto vai de encontro ao cinismo e hipocrisia que há no mundo, incluindo os “salvadores” ocidentais.
Mas ainda assim sou um optimista, talvez um optimista realista, mas ainda assim um optimista, portanto espero que depois disto tudo a situação melhore para aqueles lados.
Desculpem-me se o meu comentário está um pouco desenquadrado com o post, isto vem de encontro ao outro post sobre o assunto.
Ups, queria dizer, à parte, e não há parte. E mais umas virgulas mal colocadas pelo meio… aiai lol
Não …. é …. um a ove lha … é uma cabra!
Talvez esteja completamente enganado :
O que se passa na Líbia mostra que estamos perante uma guerra civil.
E que a situação que nos apresentam os mídia, como se fossemos deficientes mentais, esconde a realidade.
Estamos perante uma guerra pelo domínio de fontes de energia.
Após o desastre nuclear do Japão, muito dificilmente o nuclear ( a sua programação futura ) será aceite nos países democraticos europeus.
A luta que se trava na Líbia é a luta que anuncia que vamos, muito em breve, ter que fazer escolhas quanto ao nosso modo de vida.
É a luta pelo controle das fontes de energia ( petroleo sobretudo ).
Não se trata de regressar ao tempo das velas :
Fukushima mostrou os limites e o perigo do neoliberalismo.
Nuno
Faz todo o sentido, excepto numa coisa: já se andava a pensar em intervenções militares *antes* de Fukushima.
Olá Marco.
Sou daqueles leitores assíduos do teu blog (sim, penso que não seja o único…) que lê avidamente o que escreves mas que não “faz alarido” através de comentários. Já “espalhei” o bitaites por imensos amigos porque lhes envio com regularidade os teus posts.
Mas hoje, já tardiamente em relação ao post, vi-me na obrigação de dizer umas coisitas:
- Porquê a intervenção na Líbia? Bom, mais óbvio é impossível, a Líbia tem petróleo. Ponto final!
- Isso é uma sorte para os rebeldes da Líbia, porque senão morriam todos esmagados…
- Se não for esse o “pormenor”, alguém me explica porque não intervimos pelas mesmas razões “humanitárias” nestes locais que agora me vêm de repente à memória:
—- Zimbabué
—- Ruanda
—- Iemen
—- Darfur
—- Tibete
bom, tenho imensos mais mas vemos aqui algum padrão?
Eu vejo, azar destes locais por não terem petróleo!
Sorte dos Líbios revoltosos, azar de todos os outros que referi e outros que não me lembro agora, hipocrisia total e completa do “Ocidente” em continuar a só intervir onde lhes fizer “mossa na carteira”…
Triste o mundo onde vivemos…
E mais não digo.
Obrigado pelo blog.
Ruanda: o receio que se pudesse passar o mesmo que na Somália (e onde já agora muitos exigiram intervenção, depois condenando-a)
Iemen: é pequeno, é longe, não vem muita informação de lá (argumento que seria usado à posteriori para condenar uma intervenção)
Sudão (Darfur): por acaso tem petróleo. Há uns anos o Clinton mandou para lá uns mísseis para deter terroristas, e naõ faltou quem condenasse… faço ideia agora. Há quem diga que atingiram uma fábrica inócua, há quem diga que não.
Tibete: foi para aí há 50 anos, e as violações de direitos humanos, embora ainda existentes, não se comparam com as que ocorreram durante a invasão. E daí, pouco se sabendo das violações recentes, vai-se partir para uma guerra baseado em coisas que supostamente estão a acontecer? (como as armas de destruição maciça no Iraque). E alguém quer fazer guerra com a China, para morrerem literalmente milhões de ambos os lados?
Agora a Líbia é perto da Europa, no Mediterrâneo, com muitos refugiados a entrar em força em Itália (e que já não sabem o que lhes fazer); e não convém um ambiente tão instável tão perto de casa, o qual poderia ser uma porta de entrada para a Al-quaeda. E fornece petróleo para a Europa. *Tudo* isto conta. Compara agora com o Iemen lá longe.
Estas coisas não se baseiam apenas num simples algoritmo
“problemas: { se tem petróleo -> atacar;
se não tem -> ignorar”.
}
Se se tivesse intervido no Ruanda e houvesse umas mortes colaterais, não faltaria quem condenasse a intervenção, podem ter a certeza.
Na verdade é muito mais complexo e abrangente do que isso: interesses geo-estratégicos, políticos, influências, alianças, alianças dos inimigos, inimigos das alianças, previsões, balanças de poder, pensar 2 ou 3 jogadas à frente do outro –porque isto é um complicado xadrez–, fora todas as coisas mais obscuras e subtis que não faço ideia, dignas de wikileaks.
Perguntam sempre o porquê de não se ter intervido nesses locais, mas caso se tivesse concordariam? E há ainda a questão de tanta guerra desgastar a economia de um país, ou mesmo mundial, e dependendo de como correr, poder fazer cair o governo que decidiu fazê-la.
Portanto, é tudo muito bem calculado.
Não acho que seja aqui um espaço de debate, mas respondendo ao que dizes, e para mim lendo o que escreves, afirmas exatamente o que eu disse, são sempre interesses, por isso são hipócritas quando dizem que o fazem para proteger populações.
O problema, quanto a mim, é da hipocrisia! Não digam que é pelas pessoas, digam que é pelo medo, pelo petróleo, pelo que quiserem, mas sejam honestos!
Agora tens afirmações espantosas, quando dizes que, por exemplo, “violações de direitos humanos, embora ainda existentes, não se comparam com as que ocorreram durante a invasão. E daí, pouco se sabendo das violações recentes, vai-se partir para uma guerra baseado em coisas que supostamente estão a acontecer?”.
Perdoa-me Marco, mas sempre foste bastante liberal quanto à linguagem. Fod#-$%!!!! Estás a brincar? Supostamente? “Ha e tal, são poucas por isso podem ir acontecendo…” Livra-te de voltares a ter por aqui uma ditadura e de seres tu a ires bater com os costados numa situação dessas. Depois quero ver se dizes “Ha e tal, sou só eu e mais uns 100 por isso em 10 milhões não faz mal… continuem a torturar-me e tal…”.
O Mundo somos todos nós! TODOS!!! E por não terem isso dentro da cabeça (principalmente aqui em Portugal) é que estamos como estamos e somos como somos e falharemos totalmente em todas as frentes. Quem pensa diferente pode começar a olhar para o aquecimento global, para alguns terem altos lucros, mantém-se outros a serem subjugados e poucos a estragarem o que é de todos, pensando que não os atingem, pois enganam-se e vão ter mais exemplo num futuro próximo. Lembrem-se disto quando tiverem, por exemplo que pagar uma alface ao triplo do preço porque um tufão que não é normal atingir o Oeste e mandar a horticultura “pró galheiro”…
E fico por aqui, porque não consigo dialogar com estas “maneiras de pensar”. Enquanto for longe e nos outros deixa andar…
Olha Hélder, acho que estes dois links dizem tudo sobre a Guerra.
Surpreendam-se, Kadafi em 2009
http://www.elconfidencial.com/cache/2009/02/15/87_gadafi_insiste_repartir_ingresos_petroleros_directamente.html
Mas para os nossos “media” um é tirano e sanguinário, o outro é Nobel da paz!
Ok, só para esclarecer uns pontos:
1) “só pelo interesse do petróleo”, mas esqueces-te que a coligação não apareceu lá sem mais nem quê, os líbios é que os chamaram, e isso muda muita coisa. E com apoio da ONU e Liga Árabe.
2) Mas hipocrisia ou não, ao menos o Ocidente intervém, sejam quais forem os motivos. Outros não fariam nada mesmo com genocídio às portas, isso é melhor?
3) Nem tudo é feito apenas por interesse, quando há desgraças no Bangladesh e &, as “grandes e “interesseiras nações” mandam para lá muita ajuda, sem receberem nada em troca. E sim em nações sem grande “interesse estratégico”
Curiosamente nunca ouvi falar em ajudas desse género vinda de países árabes.
4) Agora juntaram-se à coligação a Jordânia, Kuwait e mesmo a antes renitente Turquia. Será só pelo petróleo, estes que já estão recheados dele, e todos eles muçulmanos? Alguma coisa a coligação há-de estar a fazer bem ou isto não acontecia, portanto pára de fazeres disto a guerra no Iraque, porque não é.
5) Dás a entender que é só pelo petróleo que se interveio, mas esqueces-te é que a Líbia já enviava regularmente petróleo para muitos países, alguns fazendo parte da coligação, portanto o problema não é o petróleo, porque esse já o tinham. Dois aliados que na verdade são dos piores inimigos dos EUA, a Arábia Saudita e o Paquistão, têm ambos petróleo e ainda não foram invadidos, vê lá tu; o mesmo para a Coreia do Norte. Não, não é só o petróleo.
6) Quanto ao Tibete e o “supostamente” que tu deturpaste, meu caro, eu disse-o porque pouco ou nada se sabe do que se passa lá dentro, e ninguém parte por direitos humanos para uma guerra sem saber nada do que está lá a acontecer internamente. Tenta dizer em voz alta que “vamos entrar em guerra com um país como a China porque esta anexou o Tibete há 50 anos e violam direitos humanos embora não saibamos nada em concreto”, e verifica o quão absurdo soa.
Olha uma novidade: em *toda* a China se violam direitos humanos, não é só no Tibete. Já agora vamos fazer o mesmo a Chipre, já agora a todos os outros, quase toda a Ásia e África; e quem é que paga isso tudo? tu? os governos dos países mais desenvolvidos que em breve deixariam de o ser tal o custo em dinheiro e homens? E para depois aparecerem tipos como tu a dizerem que afinal essa guerra é errada pois não temos nada que nos meter? Hipocrisia… pois.
7)
Não é o serem poucas, mas sim o custo de as tentar salvar iria ser incomparavelmente superior, mas se quiseres alista-te como mercenário.
Podias pelo menos *tentar* ser realista.
8 )
E depois do resto da demagogia:
Mas querias mesmo que fossem lá? é que sendo “lá longe”, os EUA ou a NATO estariam-se a “meter em assuntos que não lhes dizem respeito”, a “armarem-se em polícias do mundo”, e o resto da ladaínha, não é? Olha o Afeganistão é longe… e vens-me falar tu em hipocrisia
E já que estás a pensar tão melhor do que eu, então faz alguma coisa para ajudar “os que ninguém ajuda” faz pressão, alista-te, vai ajudar, faz petições para uma intervenção, mas depois não as condenes só porque sim, é contra-produtivo.
E por mim esta conversa está encerrada.
É verdade.
Não há nenhum “objetivo democrático” não. Se fosse assim, por que não invadiram e apoiaram as forças democráticas da Argentina contra a ditadura de Videla e seus 30.000 desaparecidos (pior do que os bombardeios de Kadaffi e Saddam), por que não derrubaram Pinochet, por que sustentaram tantas e tantas ditaduras?
Pena que a mídia idiotizante apaga a memória…
Obrigado eu, Helder.
Se você leu esse artigo e não sabe nem o que é Líbia, veja uma introdução básica no meu blog! http://horadojuizo.blogspot.com/2011/04/libia.html
Eca tanta hipocrisia!!