
O que falta descobrir sobre a presença online do porta-voz e editor-chefe da Wikileaks?
Resposta: o seu perfil num site de engates online.
O sítio tem um nome sugestivo – em português: OK Cupido – e foi considerado pelo jornal The Boston Globe como «o Google dos sítios de encontros amorosos online». Aposto que alguém ainda vai buscar esta página para sustentar mais umas quantas acusações em relação ao carácter de Assange.
Graças à descoberta da página de perfil de Assange, descobri que o homem da Wikileaks sabe fazer o que 99,9 por cento dos tipos que se inscrevem nesses sites também sabem: inclinar levemente a cabeça e ensaiar um olhar de matador para a objectiva.
Assina com o pseudónimo HarryHarrison, o nome de um escritor de ficção científica que advoga a utilização do Esperanto.
Tudo isto é fait-divers, claro, mas sempre nos ajuda a perceber melhor alguns aspectos da personalidade de Assange.
Diz que que dirige um exaustivo e perigoso projecto de Direitos Humanos. Diz que passa grande parte do tempo a pensar em mudar o mundo através da paixão, inspiração e trapaça.
Pensa em viajar. Já esteve em 33 países. Preocupa-se com a estrutura da realidade. O nascimento e o fim do Universo. Ontologia. Os seus estudos em neuro-ciência levam-no também a pensar no processo de corte de cérebros humanos. (Nesta parte é capaz de ter provocado algumas desistências entre as candidatas).
De qualquer modo, como avisa Assange às meninas, «Atenção! Procuras um tipo normal, terra-a-terra? Então segue em frente. Não sou o andróide que procuras. Poupa-nos tempo enquanto podes.» Assange assume-se como «um apaixonado e casmurro activista» que busca encontrar «sereia para caso amoroso, filhos e, ocasionalmente, conspirações criminosas».
Bem, o perfil é público. Consultem-no e tirem as vossas próprias conclusões. A prosa foi escrita em 2007, quando Assange tinha 36 anos.
Assange não é a Wikileaks, pois não?
Mantenho tudo o que escrevi sobre o caso Wikileaks. Sempre soubemos que a hipocrisia impera na relação entre Estados, mas é bom vê-la desmascarada e é saudável assistir ao desfile de contra-ataques furiosamente embaraçados.
(Embora Assange seja um grande cromo.)
Também estou convencido de que esta cyberguerra contra as empresas que boicotaram a Wikileaks – promovida pelos jornais como se fosse uma Quarta Guerra Mundial – tem como principais soldados «scriptie kids» que percebem tanto do que é ser um hacker como eu de costura. – A detenção de um miúdo holandês de 16 anos convenceu-me de que não devo estar enganado.
Mantenho que a detenção do porta-voz e editor-chefe da Wikileaks se baseia numa falsa acusação de violação.
Assange pode ser um geek egocêntrico e seguro das suas capacidades de sedução; poderá até usar a sua condição de dirigente de um projecto de Direitos Humanos para obter mais rapidamente as chaves do castelo onde a Princesa Patareca aguarda a chegada do seu viril e romântico príncipe activista – mas nada disto faz de Assange um violador.






























18 comentários
Estás a falar talvez do OkCupid talvez?
Deixa tar que eu também tenho um: http://www.okcupid.com/profile/ruicruz
Culpado até sempre.
Em relação à foto dele, podias escolher uma melhor. Quem vê isto num iPhone pensa que ele é uma menina, dada a fraca resolução do ecrã que aquela coisa apresenta.
Boa semana para todos!
Rui
O pescoço torto é comum, tanto em homens como em mulheres. É como as fotos nas casas de banho…
Não sei se percebi bem – és a favor da completa e totalmente aleatória violação da correspondência diplomática, é isso?
Sinceramente, não esperava isso de ti…. Mas estou a achar curioso ver pessoas que ficariam fulas se soubessem que os seus e-mails eram vistos por terceiros, todas contentes a lerem as cartas dos outros…
Sobre o futuro de Assange não podia estar menos interessado… Ele também não se interessou se pôs a vida de alguém em perigo ou não.
@cparis
Foi isso que aconteceu? Não sabia. A minha versão dos acontecimentos é que os dados foram tratados em conjunto com uma equipa de jornalistas de cinco grandes jornais e que alguns nomes foram protegidos como medida de segurança. Mas isso sou eu, que devo andar a ler coisas diferentes…
Sim, claro que há uma equipa de jornalistas de cinco grandes jornais que devem saber muito bem quem é, por exemplo, o tipo do BCP que se ofereceu para espiar o Irão. Quanto à segurança dele, estamos conversados. Foi plenamente protegida. A RTP, a SIC e a TVI é que são um espectáculo a descobrir essas coisas.
Aliás, os dados foram tão bem tratados por jornalistas que estes se esqueceram de os agrupar por temas, ou por assuntos. Também apreciei o facto de correspondência diplomática ter passado a ser tratado como “dados”. Depois ficamos incomodados quando invadem a nossa privacidade como se estivessem a actualizar dados.
Não Marco, os dados não foram tratados. Foram simplesmente despejados na internet tipo copy/paste. Aliás, podes ver um exemplo aqui, no ElPais: http://www.elpais.com/articulo/internacional/Cable/panorama/politico/portugues/elpepuint/20101211elpepuint_31/Tes
O que se está a passar nada tem a ver com “transparência” ou “liberdade de expressão”. Isto é pura e simplesmente coscuvilhice do mais primário que há e de uma irresponsabilidade atroz. Felizmente, não existia o Wikileaks na Segunda Guerra Mundial senão hoje estavas a esticar o bracinho direito e a gritar “Sieg Heil!”.
cparis, deixa-me fazer-te uma pergunta: não consideras que o secretismo beneficia, em primeiro lugar, quem tem mais poder?
Boa noite.
Claramente quem veio aqui comentar e defender a posição do governo Norte-Americano ou qualquer outro não viu um certo senhor a sair de um certo carro, por as mãos no ar em sinal de se “render” e um helicopetro a atirar sobre ele, matando-o.
Não vui a carrinha que transportava crianças para irem à escola e cujo condutor parou para assistir um outro ferido de um outro incidente no qual a América se “portou mal”, em que “abateram” a carrinha mais uma vez de um helicópetro quando estavam a pensar que eram terroristas.
Se quiserem, mando-vos o link.
Se não existem tomates dentro de vocês para apoiarem a Wikileaks, ao menos não venham, em memória dos que sofreram e quem sabe hoje mesmo estão a sofrer em Guantanamo, Iraq, Afegasnistão, etc. dessonrrar a memória de pessoas em quem foram cometidas atrocidades humanas para além da vossa e da minha imaginação.
Assinado: o primeiro .pt com mirror wikileaks, o gajo que deu a cara pelo que acredita e o gajo que, do fundo do coração, desejava que um tiro de um helicopetro vos tivesse passado ao lado, pois assim talvez dariam mais valor à vossa vida e ao luxo onde vivemos.
Enquanto cidadão ocidental, me causa arrepios ver uns imbecis, em nome da liberdade de expressão, a mostrar para os inimigos uma relação completa onde são enumerados quais são os sítios de maior risco caso fossem atacados, nos principais países meus aliados.
Pela primeira vez em minha vida concordei com a posição do CDS, expressa hoje na TV, quando aponta o exercício da função diplomática como sento delicada, silenciosa e, por vezes, secreta, como é perfeitamente compreensível que seja.
É mais ou menos como se um dia, por acaso, os pais fizessem um comentário em segredo, entre eles, sobre o mal cheiro da merda produzida pelo amado filho quando vai a casa de banho. Compreende-se o segredo pela natureza delicada da conversa. E no dia seguinte, um palhaço qualquer, que por acaso tivesse acesso a uma gravação da conversa, feita por um motivo qualquer, passasse de carro na porta da casa da hipotética família com um altifalante sobre o teto, reproduzindo a conversa aos berros, para todos ouvirem, em nome da liberdade de expressão.
PQP, quero que estes gajos do Wikileaks vão todos pro caralho, tenham eles a profissão que tiverem! Sorte a deles viverem num estado democrático, apesar dos secretismos. Se vivessem na China, por exemplo, já teriam sido fuzilados, acusados de traição.
Olá ,
Penso que o segredo de estado existe desde Richelieu.
Penso que as informações dadas por Wikileaks não aparecem no seu contexto, sendo oferecidas como frases isoladas, impedindo a sua contextualização.
Penso que o meu diário Libération teve razão em albergar Wikileaks, dando-lhe o direito de irformação e de comunicação.
É o que faz a força das democracias !
Mas o que pensar do que afirmou Julian Assange ao jornal Guardian : ” É uma vergonha que tão poucos jornalistas tenham morrido ou feitos prisioneiros nos campos de batalha ” ( libération, 8 dez, p.4 )
E completando o que nos comentários anteriores tinha escrito : É verdade que só nos países democráticos se pode aceder à informação e à publicação de documentos.
O que é certo, publicados por pedaços, não contextualizados… os textos de Wikileaks não servem a historiografia.
Posso estar enganado. E por isso acho bem e apoio que Libération albergue Wikileaks.
Nuno
«Não sei se percebi bem – és a favor da completa e totalmente aleatória violação da correspondência diplomática, é isso?
Sinceramente, não esperava isso de ti…. Mas estou a achar curioso ver pessoas que ficariam fulas se soubessem que os seus e-mails eram vistos por terceiros, todas contentes a lerem as cartas dos outros…»
O que se advoga é que, sendo documentos do Estado, deve ser público. Naturalmente que é discutível se o deve ser ou não.
Um dos argumentos a favor da publicação, muitíssimo fortalecido com esta polémica, tem que ver com a ligeireza da classificação como de um documento como secreto, confidencial e afins, em matérias pueris. Repara que, dos 250.000 cables, proporcionalmente não tem havido assim tantos cables polémicos, apesar de diariamente a meia dúzia (se tanto) de jornais que já tem acesso integral a todos eles ir publicando coisas novas.
Certo é que esses documentos não têm a mesma natureza, nem de perto nem de longe, de correspondência trocada entre o comum dos mortais.
@Rui
Esses vídeos mereciam ser deitados cá para fora, mas muitas outras coisas não.
No Iraque e Afeganistão morrem mais às mãos deles mesmos, e as maiores atrocidades nem são estas, mas aquelas que nem chegam a ver a luz do dia devido a controlos castradores, e das quais os media nem sonham. Podes começar pelas ditaduras que ainda por aí andam.
1º? Que bom para ti. Vai meter isso no ok cupid para mais miúdas te ligarem (ou não)
Assinado: um gajo que desejava que a tua correspondência e fotos privadas com a namorada estivessem quase quase a serem apanhadas por algum blogger rival; talvez assim desses mais valor à privacidade. Lembra-te que a maioria dos nomes e países divulgados não teve nada a ver com o caso do helicóptero ou outros abusos. A maior parte é cusquice, da pior.
@Marco
Acima de tudo, beneficia aqueles que têm as suas razões para manter os seus dados secretos, que tanto podem não ser legítimas, como podem de facto sê-lo –e aqui é que falta discernimento da parte de quem os deita cá para fora, como se lhes cheirasse a sangue e não se conseguissem controlar.
@Jorge
Claro que é discutível. Por ser do Estado deve ser divulgado? Desde quando? Era o que faltava.
Vamos todos ver o historial médico e do IRS uns dos outros, já que são documentos do Estado…
@Marco,
Assumindo que o que dizes é verdade, é mais uma estupidez o que se está a fazer, ao se pretender enfraquecer a única super potência mundial, onde há democracia. Basta ver que alguns que apoiam o WikiLeaks a única coisa que fazem é mostrar um anti-americanismo primário, básico e contra o qual nem vale a pena argumentar. São o tipo de corajosos que não mexe uma palha contra a China, a Coreia do Norte, Cuba, Irão ou a Rússia, mas que se arma em valentão contra os US porque sabe que nada lhes acontece.
A minha questão é de princípio. Vale a pena violar sistematicamente correio diplomático em nome de … nada? Qual o interesse público de saber o que o diplomata americano em Portugal pensa de Cavaco, Sócrates ou de Ferreira Leite? Quais são os crimes contra a Humanidade que estão envolvidos nesta exploração abusiva, e sem controlo, do correio? Admitirias isso para ti?
Queres viver num Estado, onde os documentos deixem de ser vistos por centenas de funcionários para passarem a ser vistos apenas por meia dúzia? Porque é isso que vai acontecer – documentos destes no futuro vão passar a ser ainda mais secretos. E aí sim, passarei a ter receio de viver num Estado estilo China.
@Jorge
Pois, mas não posso partilhar dessa corrente. Um documento de Estado não tem de ser público, muito menos o que envolve questões diplomáticas.
Por ex, este novo desenvolvimento do caso Maddie é uma das coisas que de facto mereciam ser divulgadas, e ainda bem que o foram.
Agora esta diarreia “informativa” (entre aspas) que se está a ver, é que não.
Disseram há pouco que a wikileaks tem gente para averiguar se as informações são verdadeiras ou não… provar a autenticidade dos vídeos ainda é possível, mas de resto como é que eles provam que o que o embaixador X disse ao seu homólogo Y aconteceu mesmo ou não? perguntam-lhes?
E já agora, o que aconteceu à malta que defendia com unhas e dentes a sua privacidade quanto ao sigilo bancário, Google Streetview, videovigilância nas ruas –mesmo quando era para proteger do terrorismo?
Agora de repente o que vale é ‘tudo ao léu’ ?
A prova que os 200 e tal mil documentos não foram despejados cá para fora é que só a conta-gotas temos acesso a eles. Antes disso equipas de jornalistas de cinco jornais diferentes está a fazer o trabalho de os enquadrar e eventualmente de proteger e fazer desaparecer alguns nomes de pessoas que poderiam estar em perigo.
É verdade que nos primeiros momentos se disse que os documentos estavam todos acessíveis, mas pouco depois lá se percebeu que afinal não era bem assim. Eles vão sendo disponibilizados à medida que os jornais tratam a informação.
Dois dias depois de começarem a ser publicados os telegramas, a wikileaks chegou até a admitir a hipótese de juntar mais meios de comunicação social ao grupo dos que têm acesso, mas até agora não voltou a falar disso.
Se apenas os jornais têm assesso, significa que os tipos que fazem mirror do wikileaks não têm os documentos? Então estão a fazer mirror do quê?
Dos documentos que JÁ foram publicados.
Que eu saiba, os outros ainda não estão cá fora.
Aliás, a própria Wikileaks (http://213.251.145.96/cablegate.html) diz, neste preciso momento o seguinte:
Currently released so far: 1532
Total: 251.287
Sim, acho que ficaram disponíveis milhares deles inicialmente, eu próprio vi uma lista que nunca mais acabava e eram só os temas. Clicando num deles dava origem a intermináveis acervos de links e PDFs de A a Z. Confesso que li uma coisa ou outra, mas depois não tive mais paciência e depois disso nunca mais visitei. Espero bem que estejam mais cuidadosos na divulgação. Mas no início houve mesmo vidas em risco ‘no terreno’ por causa disto, e acima de tudo vai minar esforços de cooperação e muitas relações diplomáticas entre países. Isto é positivo? E o que interessa saber o que a Clinton disse da 1ª MInistra da Argentina?
Mas as injustiças ou meras trafulhices, essas merecem serem divulgadas.
Agora quanto à segurança dos sistemas informáticos americanos, pelo amor de Deus….. Juntaram uns serviços com os outros e já eram muitos milhares as pessoas com aceso àquilo, tendo os pcs em muitos dos casos gravadores de DVD e portas USB para pendrives. É mesmo estar a convidar para tirarem de lá informação! Só falta terem lá instalado o Dropbox para terem tudo na ‘Nuvem’
Isso é que é um computador com acesso controlado, nada de periféricos para *armazenamento externo* –só este conceito diz tudo.
Por um lado até foi bem-feito.
Olhem para o computador da Missão Impossível com o Tom Cruise suspenso, senhores!
Os tipos que trabalham em minas de ouro e diamantes são revistados à saída, e num caso de serviços secretos ninguém se lembrou de revistar um tipo que trazia sempre um CD, só porque dizia ‘Lady gaga’??
De resto, foca-se muito nos EUA mas a verdade é que muitos outros governos estão à rasca com isto, até porque muitos deles eram bastante mais ‘insuspeitos’
E foi bom descobrir que afinal o ‘aliado’ Paquistão está a ajudar os taliba, que a polícia inglesa afinal sempre desconfiou dos pais da Maddie (o que não impediu que os nossos investigadores fossem vilipendiados lá fora por terem sugerido isso), etc, etc.
Já agora, porque é que chamam aos documentos ‘cables’ ?