1. Quando escrevo sobre futebol raramente tenho razão. 2. Os visitantes deste blogue concordam em absoluto com o ponto anterior. 3. Não sou treinador de bancada, prefiro o sofá.
Estou muito contente por ter calhado o Barcelona ao Benfica. Foi a melhor equipa possível. O Benfica gosta de jogar com equipas que, à partida, já ganharam. As favoritas são as mais fáceis. Foi assim com o Manchester United e repetiu-se a história com o Liverpool. Equipas mais acessíveis? Nem pensar! Vejam lá o que aconteceu com o Villareal na Luz: entrámos como vencedores e perdemos.
Entrar a ganhar não serve para o Benfica. O Benfica é um clube português. E os portugueses não estão habituados a ser grandes. Nem gostam. Preferem ser pequeninos e humildes para depois terem espaço para crescer, superar espectativas e provocar vagas de surpresa e admiração.
O Benfica é como a selecção nacional. Lembram-se do primeiro jogo com a Grécia? Entrámos como vencedores e, olhem, perdemos.
Acho que foi de propósito. Uma coisa do sub-consciente dos jogadores. Só depois de ficarmos à rasca pudemos voltar à nossa condição natural: pequeninos e prontos a surpreender o mundo com a nossa capacidade para desenrascar uma equipa. E assim ganhámos à Rússia, Espanha, Inglaterra e Holanda. Quando chegámos à final do Euro já tínhamos subido demasiado. Não me venham dizer que essa transformação se ficou a dever apenas ao meio-campo do FC Porto porque, regressados à condição de vencedores, perdemos outra vez.
A nossa sorte é termos, de facto, grandes jogadores de futebol. Grandes individualidades. Grandes pessoas. O que aumenta a dimensão da nossa tragédia.
Já o FC Porto não é um clube português. É um clube europeu. É esse o segredo do seu sucesso nos últimos anos. Não tem tanto a ver com os jogadores. O Porto aprendeu a planear em grande e – melhor ainda – deixou de ter medo de planear em grande. Ao transformar-se num clube de nível europeu, libertou-se da típica mentalidade tuga.
Mourinho? Não seria o que é se não tivesse passado por lá. Português arrogante, sem falsas humildades, cheio de confiança nas próprias capacidades e que prefere planear a desenrascar? Um contra-senso. Um Special One.
Quanto ao meu clube, o Benfica, devia estar ao mesmo nível europeu do FC Porto. Tem grandeza para isso. Tem seis milhões de adeptos. E também tem azar: conquistou dimensão europeia num período em que Salazar proclamava um Portugal orgulhosamente só. Deu para encher a barriga de glória, mas não para revolucionar mentalidades.
E agora como nos vamos safar com o Barcelona? É simples, precisamos de uns quantos milagres: eliminar o melhor clube do mundo, chegar à final e conquistar a Liga dos Campeões Europeus. Não pensem que isto é mau. Se há coisa que nos inspira mais do que ser pequeninos, é a possibilidade de fazermos milagres. O Benfica é o clube do povo? Claro. Já se viu povo mais complicado que o nosso?





























