Estou há dias a pensar se deverei começar a escrever aqui com a nova grafia do Acordo Ortográfico e dou comigo a hesitar.
Já escrevi sobre o acordo, há muito tempo, num post chamado «Contra fatos não há alfaiates». As razões de princípio que me levam a não sentir problemas em mudar a grafia continuam válidas. Ainda assim, na hora da verdade, perco-me em hesitações. Porquê?
Não somos donos da nossa língua e não podemos ter a pretensão de impô-la ao resto do mundo – ou seja, não quero defender consoantes como um soldado de trincheira.
Também não alinho no habitual «eles que escrevam como quiserem, nós ficamos no nosso cantinho e escrevemos à nossa maneira». Este argumento lembra-me o «orgulhosamente sós» salazarista.
A língua é dinâmica, evolui, e devemos adaptarmo-nos, portanto também não vejo grandes vantagens em manter uma posição apenas por conservadorismo.
Penso nisto e, no entanto, hesito.
Será apenas uma questão de grafia à qual não deveríamos dar muita importância?
A forma como expomos ideias através da escrita não muda. A maneira peculiar de colocarmos os verbos mantém-se inalterável: continuaremos a correr, os brasileiros continuarão correndo. Eles preferem o você-cá-você-lá, nós preferimos o tu-cá-tu-lá. Pharmácia é um estabelecimento comercial autorizado a vender medicamentos. Uma farmácia também. Incorrecto continua a significar algo que não é correto. A brasileira não perde a bunda e os belos cuzinhos das portuguesas também sobreviverão ao acordo ortográfico, muito obrigado.
Por que razão não me adapto já, sabendo de antemão que as próximas gerações saídas das escolas começarão a escrever a nova grafia e por isso mesmo a sentirão como natural? Que faremos quando verificarmos que o mundo se manterá indiferente às queixas e o tempo se encarregará de fazer das palavras que tanto prezamos cousas tão anacrónicas como pharmácia?
Coloco estas questões e continuo a hesitar. Porquê?
Só escrevendo a nova grafia consigo perceber melhor o que me incomoda. É uma sensação puramente subjectiva, mas marcante e contra a qual é difícil de lutar. Escrever subjetiva, já agora, parece-me ainda tão chocante como cruzar-me com um respeitável avô vestindo umas calças de ganga cheias de rasgões no cu para se ver melhor a cuequinha. Não é natural.
Mas quem sou eu para definir o que é ou não natural quando na realidade estamos a discutir meras convenções?
O meu dilema – ainda sem resolução – resume-se assim: o cérebro manda seguir o acordo, os meus dedos – liderados por um dedo médio capitão, um indicador tenente e um anelar alferes -, ainda não estão dispostos a obedecer e mandam-me todos os dias à






























68 comentários
Eu, por mim parte vou continuar a escrever da forma que aprendi. Não por casmurrice, mas tal como dizias, a língua é de quem a fala (escreve) e não se muda por decreto.
Daqui a algum tempo (meses, anos, não sei) poderei começar a escrever como o acordo exige. Isto porque vamos começar a ver cada vez mais coisas escritas segundo o acordo, portanto a prazo a minha mente começara a dizer-me para escrever da forma acordada. Aí eu vou dizer que quem manda na língua, mudou a forma de a escrever.
Já agora, num aparte, não me ofendia também que o Brasil adopta-se o brasileiro como língua oficial. Novamente não por uma razão Salazarista, mas pelo mesmo argumento que está em cima. Se quem a fala, quer falar brasileiro, que o faça. Tal como nós deixamos de falar galego (estou a simplificar isto, mas o motivo é +/- este) e começamos a falar português.
Passariam a ser duas (ou mais se o resto do PALOP’s seguissem o mesmo argumento) línguas com enormes semelhanças e que mesmo sendo duas línguas, era possivel grande entendimento.
Se isto me ofendia? Não. Tal como não me ofende o acordo. Apenas acho que existem coisas que não devem ir lá por decreto, esta é uma delas.
Adoptasse?
É nestas discussões que os erros ortográficos me incomodam seriamente.
A Língua portuguesa brasileira tem varias influencia de outras línguas como inglesa, árabe, indígena etc… por isso é estranho para os ouvidos portugueses.
Porém, nós Brasileiros gostamos da língua mãe que é a língua portuguesa de portugal.
No ultimo ano foi feito um acordo entre Portugal e o Brasil para mudar a forma gramátical de muitas palavra.
Bem, eu há algum tempo que decidi começar com o acordo no meu blog. Não por concordar, mas porque se as coisas vão nesse sentido, eu quero seguir com elas. O meu pai hoje em dia ainda usa o vós ides e coisas assim, e eu acho engraçado e soa sempre estranho. Não quero que um dia estas crianças de hoje que já aprendem o acordo, olhem para os meus textos e os achem estranhos.
Portanto depois de escrever os postos vou a um conversor e voilá. Até são menos alterações do que eu estaria a esperar, e raramente tenho de corrigir coisas diferentes da remoção do “c” ou “p” mudo.
Até agora, ninguém se queixou.
Eu, por casmurrice, hábito e outras cousas que não sei identificar, nem me esforço por escrever de acordo com o desacordo.
Posto isto, a minha opinião é que este acordo pode ser uma forma de facilitar o acesso a novos públicos. E já nem reparo muito quando falta um c aqui ou ali… Já está a entranhar.
Eu não escrevo usando o novo acordo, nem tenciono escrever. Caguei.
E, enquanto conseguir, não lerei. Noutro dia estava a ler a Visão, e começo a ter de parar de vez em quando, para pensar “que raio quer dizer espetador” (era espectador), e coisas do género. Ler a Visão deixou de ser um prazer e passou a ser um esforço e um exercício constante de contrariedade. Deixei de comprar.
Percebo o teu dilema mas, para já, não o sinto
ainda não aderi ao acordo, mas apenas pela preguiça de estudar as regras. marco, no teu texto explicas perfeitamente porque se deve mudar. lutar contra isso é como lutar contra o fim dos escudos: natural mas infrutífero.
ao contrário do que disse o pedro rocha, a língua (mesmo sendo de quem a fala e escreve) muda-se por decreto. tem de haver regras e, para isso, é necessário um conjunto de “sábios”, cuja qualidade não me interessa discutir, que as defina.
falando contra mim próprio (para já), não adoptar o acordo não significa apenas tomar uma posição, significa escrever em mau português, português errado. teremos sempre a liberdade de escrever com erros, começar falas com vírgulas ou frases com minúscula. ainda assim, é bom que saibamos que aquilo que hoje é um texto orgulhosamente escrito com regras ultrapassadas será amanhã, possivelmente, um comprovativo de quem ficou para trás a lutar contra moinhos de vento e se recusou a adaptar-se.
somos programados para estranhar a mudança. por isso iremos continuar a ranger os dentes ao ler textos bem escritos em português, pelo menos mais umas semanas… a partir daí será o inverso.
Já agora, uma pergunta:
Nunca me preocupei em saber isto porque também nunca tive a intenção de escrever de acordo com o tal desacordo, mas gostava de saber as palavras que os brasileiros passaram a escrever da forma que nós portugueses escrevemos, porque até agora so vejo brasileirismos que me soam mesmo mal.
Será que somos só nos a mudar?
No Brasil apenas mudam 0.5% das palavras. Cá mudam 1.9%, por isso sofremos muito mais que eles. Se o acordo ainda fosse “justo” ainda vá lá.
Eu com meros 22 anos contínuo a escrever como aprendi desde 1994 (e sim o acordo é 1990 mas só “agora” se lembraram de o forçar).
Já agora quem quer ver algumas alterações: http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_das_altera%C3%A7%C3%B5es_previstas_pelo_acordo_ortogr%C3%A1fico_de_1990
A mim o cérebro instrui-me a obedecer, o coração doloso a que não pense ou nada faça sobre este dilema e os tomates incitam-me a desrespeitosamente desobedecer.
Terá sido sensato reabrir esta “ferida” Marco? Sempre que se fala aqui do acordo, isto aqui transforma-se em um campo de batalha bem sangrento…
“sede de sangue” já cantavam os mão morta. eh eh
Estava-me atravessado, o post.
Está muito bem desabafares Marco, mas de um momento para o outro ainda vais ter de recolher os cádaveres “atravessados” na zona dos comentários. Pode ser que te safes por estarmos a entrar já num fim de semana
Esqueci-me de dizer há pouco. Quem espera sempre alcança
A todos os que não vão escrever segundo o novo acordo, porque lhes mete confusão…. seus velhos
.
os V’s eram U’s e muitas outras diferenças…
Vão ver como se escrevia a 100 anos ou a 200 ou 300
Não tarda nada somos aqueles velhinhos casmurros, a apontar o dedo a essa juventude que não sabe escrever, e como esses velhinhos totalmente irrelevantes para uma nova juventude que estará mais chateada com o próximo acordo ortográfico.
o verbo haver, HÁ 100 anos já tinha “H”?
@dase desculpa mas eu dou um erro ortográfico em media por cada palavra, não sou estupido sou só assim… podia ficar caladinho, mas como vejo/leio tantos disparates em português perfeito na forma, acho que não me fica mal dizer uns outros quantos também de uma forma menos perfeita.
abraço.
Marco, enganas-te, somos donos da nossa língua, somos nós que a fazemos, que a recriamos, que a evoluímos, se assim não fosse palavras como “blogosfera” nunca teriam surgido no nosso vocabulário.
E não deixas de ter razão, a língua evolui, sim, mas como?
Evolui consoante a fazemos evoluir, e se em 700 anos de história andamos a refiná-la ao ponto de rebuçado em que se encontra, mais ou menos constante, há umas décadas, não é um despacho administrativo que vem agora obrigar ao salto evolucionista da coisa. Isto não é creacionismo. isto não é chegar aqui e pimba, agora cortas os “h” e os “c” e os “p” antes de outras importantes consoantes e já está!
O acordo ortográfico é uma barbaridade que surge sob o jugo corporativistas das editoras que querem poupar uns cobres valentes nas gráficas, mais nada!
Quanto ao Bitaites: como em tudo, a decisão é tua. Para mim, a língua portuguesa morre mais um bocadinho com isso (e cada letra que eliminares na aplicação do “AO” um gatinho fofinho de 15 dias é esfolado vivo e atirado a um poço de crocodilos desdentados). Tenho dito!
O problema era facilmente resolvido se o brasileiro fosse reconhecido como um dialecto do português, mesmo que seja um dialecto falado por 190 milhões de pessoas, enquanto que o português é falado por 10 milhões.
Na base de tudo está o facto do português não ser reconhecido na ONU, devido ao facto de não ter uma uniformidade na grafia. Mas eu nem me importaria com isso. Eles que reconheçam a língua dos macacos, e deixem o português caminhar rumo à extinção, que uma língua não é para ser prostituída dessa forma.
Volto a formular os parabéns pelo blogue.
@APophis
Agradeço os seus parabéns, mas não posso concordar nada com esta expressão
É um caminho muito, muito errado, você sabe disso.
Se é para ir por aí, também há muitos “macacos” portugueses que maltratam a nossa língua mais do que qualquer brasileiro que eu conheça.
Eu sei, o troll em mim é que gosta de generalizar dessa forma!
Pronto, está bem.
O inglês também não tem uniformidade de grafia e não vejo ninguém a pegar com isso.
Hã? onde é que leste isso? o que não falta são países com a mesma língua e não com a mesma grafia.
@Pedro Rocha
Isso faria tanto sentido como a língua venezuelana ou canadiana. E nós nunca falámos galego, toda a região de Portugal e Galiza é que falavam um antepassado comum de portugûes e galego, que mais tarde originou estas línguas. Essa simplificação é o mesmo que dizer que nós viemos dos macacos, em vez de um antepassado comum.
E uma medida dessas atiraria o português de 3º língua mais falada no mundo ocidental para apenas uma linguazeca falada só por 10 milhões de marmanjos ‘lá para a Europa’
Não existe língua brasileira, existe o português brasileiro, e isso é um facto.
Já agora, no norte temos outras palavras e significados: “molete” é uma sandes, “cimbalino” é um galão, “vagens” é feijão verde (e chamam feijão verde a um feijão qq amarelo e vermelho), já para não falar nos “v” e “b”. Vamos fazer um acordo? Melhor, vamos separar em 2 línguas?
Era possível grande entendimento, porque era a mesma língua, a qual lá por ser falada e escrita de maneiras ligeiramente diferentes não implica que se tornem 2 línguas do pé para a mão (daqui a umas centenas de anos já não sei). É errado e de certa forma é o que a Microsoft tentou fazer com o HTML e o java.
@Arzebiu
Portanto preferes escrever de forma a que tu e outros leitores estranhem? O jornal Público disse que não vai adoptar as novas regras (pelo menos para já), estando-se a marimbar que nos seus numerosos leitores alguns ‘estranhem’. E posso-te garantir que nenhum o vai deixar de ler por causa disso, ou fazer-lhe ‘confusão’
@marco neves
Sempre essa história “vai ser melhor para programas de software, e conteúdos….” treta, os novos públicos se se interessarem por um texto lêem-no, não vão estar com cenas tipo “Ah, não gosto de ótimo com ‘c’, vou parar de ler”. E mesmo que estejam, então é público que não interessa. Nós portugueses muito gostamos de pensar que é com fórmulas mágicas que se resolvem as coisas, que vamos ficar mais conhecidos, que agora com dinheiro da CEE é que vamos ficar mais ricos, etc etc…
@salty
A língua muda-se quando se justifica, quando há tendências suficientes na dicção/escrita que o justifiquem, vulgo evolução natural. Podes dizer o mesmo deste acordo?
Só podes estar a brincar.
Adaptar-se a quê? a algo decidido pela tal meia-dúzia de sábios sem perguntar nada a ninguém? sobre algo tão fundamental e transversal como a nossa língua?
Falas da língua como se fosse um programa de software, o qual não queremos “actualizar” porque o nosso está ultrapassado, supostamente com bugs e nem sequer sabíamos. Uma língua não é software, é algo de orgânico, que evolve naturalmente, de e para o povo, como numa relação de simbiose, e sim, de certa forma como se fosse um ser vivo.
@Mª João Nogueira
Se calhar era um aparelho para fazer “espetadas”
@J.C.Lopes
Andas lá perto, nós mudamos 1,5% das palavras, eles só mudam 0.7 ou lá o que é, e a maior “mudança” é o trema. Giro não é?
Mas este povo aceita tudo, até aceitamos esta classe de políticos que nos sodomiza à força toda, porque é que haveríamos de nos importar com algo tão pouco importante como a nossa língua? Os nossos emigrantes em França até a falam o menos possível e recusam-se a ensiná-la aos filhos…
E com estas e outras bem que queremos ser considerados ‘modernos-e-tal’ mas nunca saímos da cepa torta. Porque será?
Se este blog passar para AO, eu vou deixar de o seguir.
Temos que tentar repudiar este AO: http://www.portuguespt.com/email.html
Se eu fosse autora deste blog, esse comentário/ameaça/chantagem, era meio caminho andado para eu ir na direcção oposta.
É, na minha opinião, um comentário presunçoso e arrogante.
E olhe que não detesta mais o novo acordo ortográfico do que eu,
Realmente não devia ter dito desta forma. Hoje dormi muito pouco, e estou sem paciencia para delicadezas :-/
Mas queria deixar a impressão que existem algumas pessoas (se calhar a minoria, mas enfim), para as quais o AO irrita bastante. Por outro lado, não conheço ninguém que fique irritado com a grafia original. Não vejo mal nenhum em assumir isso como um facto, e que esse facto tenha peso na decisão.
Gustavo, só espero que essa tomada de posição não leve a que, um dia no futuro, tenhas de desistir de ler.
Marco, vou admitir q ainda não li o post todo, mas antes de o fazer, queria só dizer: sim, aplica. Mais cedo ou mais tarde vai *mesmo* ser a norma. Tu como bom representante do português correcto que és, ao dares o exemplo estarias a dar um muito bom contributo acho eu. E até tens “sorte” de já não ser jornalista (desculpa a piadola!): se o fosses provavelmente não terias outro remédio agora no teu local de trabalho.
Eu sou (era) contra o acordo. Não gosto, etc. Mas agora? É mesmo só uma questão de nuance, quase! E para quem domina o português, mais fácil ainda. Tu próprio já o disseste em posts anteriores sobre o assunto (esses li-os na íntegra, sim) portanto tu sabe-lo bem.
Honestamente, acho que já não vale mais a pena chorar sobre leite derramado. Eu chorei, sim, quando ainda se avistava um possível “desacordo”. Agora? Que se lixe, tá feito, tá feito.
Abraço!
Uma pena não haver edit button!
Só acrescentar que eu próprio ainda não escrevo segundo o acordo ortográfico porque pura e simplesmente ainda não domino tudo, principalmente pq ainda não parei para estudar/ler com calma todas as mudanças, etc. (apesar de saber que não é assim nada de extraordinário).
Prefiro por isso escrever de uma forma e bem, na medida do possível, do que tentar escrever de outra forma e com aspectos errados.
E não, não gosto do novo acordo ortográfico. Mas isso é o coração a falar… de um ponto de vista prático, não há nada que choramingar, é só acatar agora, que remédio. Se não fora agora, daqui a uns anos será mesmo!
Gustavo, em relação a esse link também não presta um grande serviço à língua portuguesa.
Excerto:
Entre outras coisas lol?
É assim que se defende o português num manifesto que pretende ser escrito com seriedade, com estenografias à la Messenger? Não querem o acordo, querem o quê, português SMS?
É o que mais me lixa nesta história: mudam-se as consoantes, mudam-se as vontades. Há muito tempo que a língua portuguesa precisa de ser defendida contra quem é o maior responsável pelo seu assassinato diário: os próprios portugueses.
Contra isso é que nunca vi abaixos-assinados.
Realmente o lol não ajuda (e sempre me recusei a usar essa… “palavra”), outra coisa que também não ajuda é terem escrito “range” em vez de “alcance”, o que não deixa de ser caricato numa petição de apoio à Língua Portuguesa.
Mas até acertou em várias coisas: escrever ‘Segurar o cão pelo pelo‘ é parvoíce pura e simples, ou escrever-se egípcios e egiptólogos, mas “Egito” já não leva ‘p’ ?? Este acordo dá azo a muitas pontas soltas, armadilhas de grafia, e está cheio de buracos. É para verem como ficou bem feito.
Em relação à pergunta original, Marco, não uses o acordo ao escrever. Escreve um artigo numa e noutra forma (usa um dos tais “conversores” para não teres trabalho a sobrar), e compara a qualidade de cada um. Sim, o discurso é o mesmo, mas e o resto, aquele ‘je ne sais quoi” intangível que dá valor extra? Esse perde-se.
Embora reconheça que infelizmente mais cedo ou mais tarde lá terás que escrever na nova moda. Ou não? Quer dizer, não é que eles mandem uma multa, nao é?
Mais cedo ou mais tarde todos iremos ter que aderir ao famigerado acordo ortográfico, pela minha parte prefiro que seja mais tarde…
http://brigadascinzacoelho.blogspot.com/2011/03/vejam-como-o-meu-carro-foi-destruido.html
Sou eu outra vez (agora no Opera
), para terminar, uma tabelinha linda:
Latim Francês Espanhol Inglês Alemão, Velho Português Novo Português
(que desleixámos) (o importado…)
Actor Acteur Actor Actor Akteur Actor Ator
Factor Facteur Factor Factor Faktor Factor Fator
Tact Tacto Tact Takt Tacto Tato
Reactor Réacteur Reactor Reactor Reaktor Reactor Reator
Sector Secteur Sector Sector Sektor Sector Setor
Protector Protecteur Protector Protector Protektor Protector Protetor
Selection Seléction Seleccion Selection Selecção Seleção
Exacte Exacta Exact Exacto Exato
Except Excepto Exceto
Baptismus Baptême Baptism Baptismo Batismo
Exception Excepción Exception Excepção Exceção
Optimum Óptimo Ótimo
(caso a formatação do texto transforme isto numa tabela “à Picasso”, podem vê-la aqui ou aqui)
Notam um padrão? Se acharem que a nossa língua está aqui a representar um papel, têm razão. Papel de parva.
Agora peço que usem os mesmos critérios que usaram ao comentar sobre a nossa língua, “essa que é tão fatela”, e que considerem os franceses, ingleses, espanhóis e alemães como atrasados, retrógados, ultrapassados, a lutar contra moínhos de vento, orgulhosamente sós e que precisam de fazer “upgrades”.
Digam-lhes isso, que eles rir-se-ão à vossa frente a bandeiras despregadas.
Bem podíamos era mandar-lhes os nossos “sábios” e “intelectuais”, que até os assavam no espeto. Talvez usando um “espetador”
Bolas, a tabela ficou uma porcaria como eu temia, encara vários espaços de separação como sendo apenas um.
Vejam as links que eu coloquei logo abaixo dela para perceberem.
…nomeadamente esta
http://i1133.photobucket.com/albums/m592/EcransdeLEDS/acordoHORTOGRFICU.jpg
ou esta:
http://carlosjmalmeida.wordpress.com/2011/02/12/ainda-o-acordo-ortografico/
Decididamente só sentimos a falta do ‘Edit’ quando não o temos (agora ia a pôr um smile diferente mas também desapareceram)
Caro amigo,
a minha posição, apesar de compreender o Acordo Ortográfico (AO) e perceber porque foi feito e porque está a ser implementado, não o adopto e não o aceito. Digo isto não por não fazer sentido ou por ser ridículo como é afirmado correntemente pela corrente contra-brasileirização, mas porque não é uma evolução.
Ora vejamos, o rumo natural da evolução da língua é de facto este, proposto pelo AO, as regras de queda de fonemas e outras, hoje estudadas no nono ano, mostram-nos isso. Porém, este acordo não é de facto uma evolução, mas sim de direito, uma evolução! Trata-se, a meu ver, de uma imposição legislativa que pretende fazer evoluir a língua correspondendo às regras gerais da evolução linguística, tendencialmente. A mudança da estrutura de termos e expressões é feita e adquirida pelos seus praticantes ao longo da linha espacio-temporal. Assim, não creio que deva ser imposto este tratado legislativo pelas razões supra-referidas.
Considero, apesar de tudo, que com a aplicação e vigência do documento, esta evolução imposta e as suas medidas se tornarão correntes e vigentes também na sociedade, de facto e não apenas de direito, pois a educação leva à generalização dos conhecimentos, como que irradiando a partir dos seus possuidores. A prática resulta no esquecimento do que estava para trás = evolução.
Apoio e aprovo, por isto, o Acordo Ortográfico. Está correcto e modernizará o português europeu, torná-lo-á numa língua mais próxima das outras praticadas na CPLP, é a globalização do português, é inevitável e implacável!
Espera lá, primeiro dizes que não adoptas nem aceitas, e no fim já apoias e aprovas? e por alma de quem é que “esquecimento do que está para trás = evolução”?
E alguns dos CPLP escrevem mais como nós e não vão nessa do acordo, defendem mais a língua do que nós.
E finalmente, alguém que me explique, mas a sério, em que é que este acordo é fazer “evoluir a língua”. Provem-me. “Evoluir” é ir para melhor, aperfeiçoar, optimizar, digam-me lá onde está a evolução em “segurar o cão pelo pelo” quando antes se percebia perfeitamente o que estava lá escrito –porque o acento estava lá por uma razão– e agora é ridículo só de ler? Eu vejo é de-evolução.
“Evoluir é definitivamente um termo levianamente utilizado hoje em dia.
Sim, Pedro… Peço desculpa por não ter alcançado um tão baixo nível de escrita por forma a que percebesses…
É assim, eu não aceito o acordo ortográfico porque está a impor a evolução da língua segundo o rumo que seguiria, de acordo com as regras da evolução da língua, leccionadas no Ensino Básico. Todavia, aprovo-o porque está correcto segundo essas regras estabelecidas pelos teóricos e investigadores linguísticos, é um facto, não há fuga para isso. Depois, é verdade que tem alguns erros, claro que tem, Egipto por exemplo é levar ao extremo a regra da queda de fonemas, é quase usá-la como quem usa uma vassoura, sempre que há um P ou um C, com um som semelhante a outros, limpa-se; como: cç, pto, por aí fora. É necessário que seja revisto e que seja tornado mais razoável e não tão agressivo e radical. A tal regra do menor esforço não existe, é somente a tendência de oralização da língua, acontece com todas e o Português tem a oralização da língua crescentemente. O acordo em questão vem aprofundar isso, quase ditatorialmente, impondo-se como uma medida legislativa. As pessoas em geral recusam-no porque não aceitam que a evolução da língua lhes seja imposta deste jeito, não aceitam que uma evolução que ainda não aconteceu (pela natural via oralizadora da língua e dos costumes) esteja aqui, à sua frente, desta forma!
Se estudares um bocado de história da língua e teoria linguística, perceberás que estas regras e estes processos de alteração de fonemas existem, e o acordo segue muitas delas, caro Pedro.
Olá ,
Eu penso que o acordo ortográfico não foi suficientemente longe. Teria sido necessário suprimir os acentos tal como o pensaram L. Cintra e C. Cunha.
Há uns tempos atrás ( parecem-me longíquos ) escrevi no cosmeticas sobre a dictadura da orthographia : http://cosmeticas.org/4870html
O que é relevante na evolução duma língua é a lei do menor esforço. Depois é saber quem autoriza ou não essa consciência da lei do menor esforço. É que esta pode ser perigosa.
Será que ainda há quem escreva “lo” em vez de “o” ?
E porque é que o L caíu senão por causa da oralidade ?
Mais problemática se torna a perda dos tempos verbais. Já que estes nos ajudam a entender o tempo e a duração. O que não é a mesma coisa.
A grafia é um código. Nada mais.
Nuno
Ah bom. Então porque não escrevermos todos na forma estenográfica e pronto?
“há uns tempos atrás” está errado. E o teu site não funciona.
Não.
Creio que troquei os números ( ou códigos )
O que é natural : Eles ( ou códigos ) começam a ser alienantes. E ainda se fala de orthographia…
LOl !
Creio que o bom link é este : http://cosmeticas.org/4780htlm
De qualquer modo o texto está no Cosmeticas
Li coisas que não me agradaram em certos comentários. Macacos ? É Fernando Pessoa um macaco ? Porque é que durante o “orgulhosamente sós” foi sempre posto de lado ? Os neologismos devem ter aborrecido. Nossa : Um homem que foi alphabetizado em Inglês pelos macacos da África e que nos chega cá ( ou aí ) com neologismos.
Ou se compreende que a Lusofonia é pluralidade no âmbito dum diálogo transcontinental, parte integrante de várias transcontinentalidades, ou, então, a Lusofonia morrerá.
A alusão dada a que o Inglês tem mais diferenças com o Americano que o Português com o Brasileiro é voltar aos velhos argumentos levantados pelos orgulhosamente sós que nos anos 80 recusaram a rephorma ortographica. Exquesseram que Portugal nem o Brasil nam temn o mesmo peso culttural e, sobretudo, económico que os Usa e o Reino Unido.
Há ainda quem continue a pensar que Lisboa é a Capital do Império. Como há também quem continue a pensar que Rio é a Capital do Império.
O que é certo : Muita pouca gente na Blog-esfera Portuguesa tem o cuidado de traduzir do Inglês para o Português. E ainda vem falar da defesa da língua Portuguesa ? E que gostam mais de dois c em vez dum ?
Nuno
O link correcto a que o Nuno se refere é este: http://cosmeticas.org/4780.html
A importância que um ponto e duas letras trocadas podem fazer… Erro de código ou ortográfico?!
Discutir o acordo ortográfico é discutir o “sexo dos anjos”, o q
Pois então digam-me lá se isto não é estúpido:
Egipto passa a ser escrito Egito. Mas egípcio continua a ser egípcio com p sff!
Bolas.
Não creio que seja istúpido !
Elefante escreve-se com i ou com e ?
Monsieur : Il y a deux n a venu ?
Mas o p de Egipcio é ouvido quer na Europa, quer na América, quer na África. Já não o p em Egito.
Pouco Importa : A grafia é um código.
1+1 = 2
X+ X = XX
Nuno
Elefante escreve-se com ‘e’ e o som também é o do ‘e’. Onde é que querias chegar, e o que é que tem a ver com ‘egípcio’ em que o ‘p’ já é escrito? (e dito)
X + X = 2X
@ Pedro
Gostei do teu comentário.
Tu consideras que X é um símbolo de multiplicação ou de adição/ soma. Eu considero que é uma incógnita.
Gostei do teu comentário porque lembra o caminho que há a percorrer para mellhor nos conhecermos.
Nem sempre escrevo bem Angolês e por isso sei que não sou sintético como o desejaria ser.
Vou te contar uma história : Um prof de física ensinou no Perú. Quando explicou a lei da gravidade : Responderam-lhe que um objecto não sofria uma pulsão de forças contrárias. Era aspirado pela terra, mãe alimentícia. E que a gravidade não se explica !
E eu sempre ouço “istúpido” quando oiço Português. A menos que oiça mal e que outrém ouça mal.
O que também é possível !
Gostei do teu comentário porque mostra bem a necessidade em que há a se questionar mutuamente.
Nuno
Eis aqui o texto que publiquei no cosmeticas.
Reparem na versão, no final do texto, que funciona quer para o fr quer para o pt, quanto à nossa apreensão das palavras.
Abranxe axpaç :
Muito se fala do acordo ortográfico entre os países de língua Portuguesa. Há quem seja contra e há quem seja a favor.
Mas, sem dúvida, muito se fala sem conhecimento de causa.
A grafia não é mais que um código. Escrever acto ou ato, cágado ou cagado, por exemplo, não altera mesmo nada a compreensão da mensagem. Se uma letra só tem essência no âmbito duma palavra, igualmente, uma palavra só têm essência no âmbito duma frase. E nem sempre o código reproduz a oral. Se assim fosse, os alunos não dariam erros nos ditados. Acho, aliás, curiosíssimo, que aqueles que são contra uma simplificação do código escrito ainda não se tenham manifestado, com petições e manifestações, contra os sms. Não querem escrever em “Brasileiro”, mas escrevem todos os dias em sms.
Reparem nestes dois textos . Ambos são de António Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa. O primeiro é reproduzido tal como, originalmente, foi escrito. O segundo é o que, hoje em dia, as edições Portuguesas apresentam.
“Hontem á tarde um homem das cidades
Fallava á porta da estalagem.
Fallava commigo tambem.
Fallava da justiça e da lucta para haver justiça
E dos operarios que soffrem,
E do trabalho costante, e dos que teem fome,
E dos ricos, que só teem costas para isso.”
“Ontem à tarde um homem das cidades
Falava à porta da estalagem.
Falava comigo também.
Falava da justiça e da luta para haver justiça
E dos operários que sofrem,
E do trabalho constante, e dos que têm fome,
E dos ricos, que só têm costas para isso.”
Onde está a diferença ?
Talvez mais interessante :
“De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, nao ipomtra a odrem plea qaul as lrteas de uma plravaa etaso, a uncia csioa iprotmatne é que a piremria e utmilia lrteas etejasm no lgaur crteo.”
O mesmo texto em Francês ( a minha filha de 11 anos leu sem hesitações ) :
« Sleon une edtue de l’uvinertise de Cmabrigde, l’odrre des ltteers dans un mto n’a pas d’ipmrontncae, la suele coshe ipmrotnate est que la pmeirere et la dreneire soient à la bnnoe place. «
Isto porque o cérebro humano não lê letra por letra mas a palavra como um todo.
Interessante né ? Ou : Interessante não é ?
O poema do Caeiro daqui a 100 anos continuará a ser lido sobre outra forma, o conteúdo esse vai manter-se, a diferença entre o criador e o contabilista
, viramos todos contabilistas da linguagem porque nos falta o que criar:)
António Caeiro? Faz-me confusão isto do acordo levantar tantos problemas, quando o maior dos nossos problemas está no saber o que escrever e não em como o escrever. O nome correcto do heterónimo do Fernando Pessoa é Alberto Caeiro, já agora.
A língua portuguesa é provavelmente das mais ricas do planeta porque é falada e escrita por milhões de pessoas, isso dá-me orgulho, se em algum lugar do mundo alguém a escrever com um punhado de consoantes a menos, não me vou importar, fico simplesmente feliz por pensarem em português.
Não reconheço as alterações do acordo como exclusivamente uma “brasileirização” (aqui está a nossa capacidade de meter um “zação” em tudo o que é palavra), acho que é uma aproximação interessante da oralidade com a escrita. Não me faz confusão (na verdade faz porque eu ainda não tenho ideia de tudo o que mudou), mas deixo-vos uma questão:
Cafajeste é pt-PT ou pt-BR?
Abraço
E eu que pensava que importante era o que uma pessoa tinha para dizer,diz qualquer coisa que eu queira saber e eu vou ler, ate podes escrever com as letras todas trocadas, o importante é o que se diz. Por isso textos da antiguidade, são aptados e lidos segundo as regras de hoje porque o importante é o Conteúdo… a forma é só o veiculo temporário.
Porra!
Isto não gera mesmo consensos! Para quem gosta da forma pré-desacordo, faça o favor de ler o Expresso. Assim, sempre podem exclamar uns “Porra!” como já eu fiz nesta radiosa manhã.
Divirtam-se e não levem as coisas tão a peito.
h.udo
Um dia destes quando perceberem o disparate que significa este acordo vão fazer outro acordo ortografico rectificativo/retificativo)…..
Já viram a quantidade de palavras que ficaram iguais umas as outras com significados diferentes…. De facto…/(fato)…..Pois. De Fato fico bem vestido…..lol
È por estas e por outras…….veremos!!….ou será enxergamos?
De facto…
Para além disso, o AO não vai esbater as diferenças de língua, por isso, para que serve? Mesmo com o AO, o texto escrito para o mercado brasileiro não vai ser aceitável para Portugal, e vice versa. Logo, o acordo não resolve problema absolutamente nenhum!
Agora, eu acho é que o AO é a ponta de lança de uma série de medidas de convergência textual e cultural que são verdadeiramente assustadoras. Daqui a pouco, vamos ter que aceitar ler livros traduzidos para AO que são vendidos quer no Brasil quer em Portugal. Obviamente a forma de falar brasileira vai prevalecer, e nós vamos ter que “comer” esse texto. Com o software ainda mais; vamos ter software traduzido para “português”, ponto final, não “português europeu” e “português do brasil”, como ainda vamos tendo agora.
Por isso é que estou contra o AO. Porque sei que ele é um primeiro passo para coisas bem piores. Recuso-me a ser subjugado desta forma.
Facto continua a ser escrito facto.
Ver não será substituído por enxergar.
Não faz sentido uma dupla grafia utilizada em ambos os países, da mesma palavra, a não ser para obrigar a outra cair em desuso. E já se sabe qual vai ser a ‘outra’, pois 190 milhões pesam mais que 10 milhões.
Vou ser sincero. Eu continuarei a escrever da maneira que sempre escrevi, pois existem demasiadas coisas no novo acordo ortográfico com as quais não consigo concordar, por mais que tente (aviso já que sou aluno de Letras).
Em primeiro lugar, nós somos os primeiros a tentar e fazer passar um acordo ortográfico que involve a língua Portuguesa falada e escrita em 3 continentes, e penso que isto é uma forma de assassino da nossa língua. Por exemplo, os Ingleses, os Franceses e os Espanhóis nem seque ousam pensar numa ideia dessas, pois conseguem ver que existem diferenças nas línguas que são faladas nos países donde a língua é originária, e nos países que foram colónias desses mesmos países. Nós apenas estamos a fazer isso por causa do raio de motivos económicos, que na minha opinião é uma desculpa muito fraca para mudarem a maneira como escrevemos.
Se os Portugueses tivessem um pouco de orgulho na sua língua, não usariam usar a nova grafia, e o acordo caíria rapidamente no esquecimento. Não me levem mal, não tenho nada contra as pessoas que já estão a escrever com a nova grafia, mas sejamos realistas, os Britânicos são menos, e não se põem a escrever como os Americanos, só porque estes são muito mais do que eles… Porque é que nós não fazemos o mesmo mas com os Brasileiros? Acho que seria melhor se existissem ambas as formas de escrever uma palavra, uma Portuguesa e outra Brasileira, e que as pessoas decidissem qual a que devem usar.
Se a língua evoluísse de maneira natural, não me importaria com estas mudanças, mas mudar a língua, através de uma evolução “sintética”, isso vai contra tudo aquilo que se aprende nas aulas de Linguística.
Já agora, acho que isso de dizer “orgulhosamente sós” como no tempo do Salazar, começo a pensar se o nosso antigo ditador não teria um bocado de razão nesse ponto, pois por vezes mais vale sozinho, do que mal acompanhado.
E com isto, termino a minha pequena dissertação. Longa vida à Língua Portuguesa antes do Acordo Ortográfico!!!
Caro João, desculpa por te ter arrastado por “tão baixo nível”, mas concerteza nem o viste de tão alto que estás no teu pedestal, ironicamente também não podes ter visto essa tua frase no início.
Qualquer “evolução imposta” é na verdade uma imposição.
A incoerência que revelei no teu comentário deve-se a dizeres que, pelas tuas palavras, apoias e aprovas algo que dizes que não deve ser imposto e que por isso não adoptas nem aceitas, mas apoias. Mas não aprovas. Mas apoias (porque é que isto me lembra os Gato Fedorento a imitar o Marcelo na questão do aborto? -É crime? -É. -Mas pode? -Pode)
Eu percebi à 1ª que concordas com as regras gramaticais (eu não) e que só não concordas com a imposição. Mas ao *apoiares* este acordo estás a apoiar a sua implementação (imposição)
Dizes que Egipto é um absurdo e que é necessário que seja revisto e que seja tornado mais razoável, tens razão, mas não me parece que isso vá acontecer, porque seria admitir que este acordo imposto está longe de ser perfeito e isso é a última coisa que eles querem, além de que teriam que revisar de novo os manuais e dicionários.
E eu não preciso de estudar ‘história da língua’ para perceber que esses processos de simplificação ocorrem em todas as línguas (como já disse tantas outras vezes), *mas* de forma natural, gradual, e até democrática. É a própria língua que se transforma, mas é o tempo que trata disso, e não motivos obscuros que a tentam apressar artificialmente numa “evolução” que, não interessa o que os linguistas dizem, nunca será igual à natural, caso lhe dessem tempo. Aliás muitos linguistas discordam deste acordo.
É verdade que antigamente havia palavras que levavam mais ‘h’ do que agora, mas também sei que essas mesmo depois de mudadas não causavam confusão. O mesmo já não posso dizer hoje com os “ato”, “fato” “pelo”, etc.
Sem ‘c’, ‘p’ e acentos (que estavam lá resultado de evolução) a língua fica amputada, tiraram-lhe ferramentas, frases que antes na leitura eram claras agora já nem tanto.
Obrigar por antecipação duma tendência (mesmo antecipação correcta, e não me parece que seja) não é solução, está errado, seria o mesmo que alguém querer passar de criança logo para a fase adulta só porque é a evolução natural e inevitável. Há um tempo para tudo, e este não é o tempo para tantas mudanças em tão pouco tempo.
Por mim cada um escreve como quer, só que isto vai ser imposto como sabes, e com isso é que eu não posso concordar. Talvez não fosse tão grave se esses 1,7% de alterações fossem palavras pouco usadas, mas não é esse o caso de todo. Fazem-se referendos de tudo, e disto não? quais os verdadeiros interesses que há por detrás disto? (como se eu não soubesse)
Eu concordo que se deve evoluir quando é para ir para melhor –o verbo haver é demasiado irregular para o meu gosto por ex–, mas é este o caso? Qual é o mal em escrevermos como estamos a escrever actualmente? diz-me *um* defeito que a nossa escrita actual tenha, e que irá ser corrigido com o novo acordo. Só um… no fundo aquilo que eu perguntei no meu comentário anterior para ti e ninguém até agora respondeu.
Pelo contrário, com o acordo consigo encontrar muitos defeitos que vão passar a ser oficiais. Pois, afinal talvez não seja evolução, é apenas ‘mudança’, e mudar só por mudar, ou pior ainda, mudar para pior, não obrigado. “Se não está partido, não tentes arranjar” nunca fez tanto sentido.
Para mim, escrever bem é um sinal de respeito para com quem lê, para comigo próprio e para a língua. Com este acordo, não sei.
E é irónico que estes que se estão nas tintas para a evolução forçada, são por sua vez muito mais evoluídos do que nós (porque deixam a evolução ocorrer naturalmente em vez de estarem com parvoíces). Agora nós ‘tugas’ que queremos sempre agradar a todos, e mudar mudar mudar só para nos convencermos e a outros o quão modernos somos, é que não passamos de novos-ricos e paus-mandados. A situação do país e a nossa sociedade assim o provam.
Mais uma vez desculpa ter-te feito descer de nível e ‘sujado’ ao dirigir-te a palavra. Mas prometo que me vou emendar.
…aliás, “estes”: http://i1133.photobucket.com/albums/m592/EcransdeLEDS/acordoHORTOGRFICU.jpg
Má formatação
Uma palavra só existe dentro dum contexto. Este pode ser múltiplo : Passado, olhar, contexto, etc.
Facto ? Eu já não ía há quatro anos a Borbukal ( laranja em árabe ). E quando fui nas últimas férias
nunca ouvi o c em facto.
É verdade : O acordo está imperfeito. O do anos 80 era revolucionário. Nacionalistas ( um nacionalista é palerma por definição ! ) da extrema esquerda até a extrema direita ficaram ofendidos com não sei o quê quanto aos cadernos de caligrafia.
O acordo dos anos 80 foi enterrado. E L Cintra morreu pouco depois ( de desgosto ? ).
Porque é que verbo haver desapareceu no uso da língua de todos os dias ? Porque é que o vós desapareceu no uso da língua ? Noutro plano porque é que é o imperfeito do conjuntivo ou do subjuntivo desapareceu na língua francesa ? Porque é que o Português é a unica latina a ter um infinitivo conjugado ?
Parecem-me perguntas muito mais pertinentes que a Noxa Xeñora qué bai xutar um cantumn
Nuno
Depois de ler isto tudo novamente (sim, sou doido), tenho a declarar o seguinte:
Foda-se! Vou continuar traidor à ‘evolução’! Quero que o acordo se estampe. E acho que sois tolinhos em continuar a debater tal assunto.
Tentem dizer ‘sois tolinhos’ em brasuca…
Arre!!
h.udo
ATENÇÃO: vale a pena ler o artigo da wikipedia, pois fica-se a saber que uma das razões para não aceitar o acordo tem por base o não conhecimento das regras, pois as palavras com forma diferente de serem pronunciadas continuarão a ser escritas de uma forma diferente em cada país.
O exemplo mais obvio é o da palavra “facto” que muitos continuam erradamente a dizer, seguros na sua ignorância, que vai passar a ser “fato”, como o próprio autor do texto referiu.
Assim não será, pois no Brasil continuarão a escrever “fato” e em Portugal continuaremos a escrever “facto”. (um dia quem sabe se numa revisão do acordo os brasileiros nos darão razão…)
Mas lá que há coisas que não fazem sentido, lá isso há algumas, mas nada de preocupante nem nada que quem escreve na nossa língua não possa obrigar a que o Acordo seja atualizado, como o exemplo que para mim é o mais grave: o desaparecimento do acento na palavra “pára”.
Este sim é um exemplo que não faz sentido pois daqui por diante, ao ler “para”, só saberemos o significado da palavra depois de lermos o contexto e só então saberemos se é “para” ir a algum lado ou se é “pára” por completo.
Mas há coisas muito boas como a eliminação de alguns hífens e a introdução de outros. faz muito mais sentido escrever “cor de laranja” sem hífen e escrever “micro-ondas” com hífen.
Há também alterações que eu gostava que acontecessem em revisões futuras como a eliminação de certos “h” que não fazem sentido nenhum, uma vez que falados, não se ouvem. tendo eu um cérebro mais matemático que poético, escrever “hífen” com “h” em vez de ífen nada mais é que uma perda de tempo e de tinta inutil.
Por fim, concordo com o autor do texto num ponto: que “cousa” “mui” esquisita seria a nossa língua sem “actualizações” que a adaptassem (<- outra palavra que não muda) à lingua "parlada".
Agora já só fica a falar um acordo ortográfico para o futebol e convencer de vez os brasileiros que se diz canto e defesa central e não escanteio nem zagueiro. LOL
Escrevo como aprendi.
Nunca hei-de ter saudades dos “cêzinhos”,pois continuarei a tê-los nas pontas dos dedos
Eu quero ser espectador, mas continuar a ser espetador.
Alguém quer ser espetado?
Epá espero que não, já deixei de ver o telejornal da rtp por causa disso, não gostaria de deixar de visitar este blog, sim sou casmurro, irei sempre escrever tal como aprendi…
A língua de um povo é dinâmica, vai evoluindo naturalmente, aliás, como tudo.
Sendo dinâmica deve sofrer as alterações que a evolução lhe vai impondo.
Agora, alterar uma língua por decreto… não parece-me concebível. Esse decreto deveria simplesmente servir para ratificar as alterações e não para as impor.
Por mim, e enquanto tiver consciência daquilo que faço, irei sempre escrever o meu português e não o do Brasil e à medida de que fui vendo os jornais a aderirem a este acordo, simplesmente deixei de os comprar.
Estranhamente, o Brasil não implementou o acordo de 1945, que assinou. Porque terá sido? Não lhes era favorável pois não. Agora este que nos põe a escrever quase como eles já lhes interessa e nós, serviçais como somos fazemos-lhe a vontade.
Estou desiludido
Já agora… passem por :
http://ilcao.cedilha.net/?page_id=18
façam o download do impresso para subscrever a ILC, preencham-na e enviem-na para o endereço que lá está. Só gastam o selo e pode valer a pena.
Se pretenderem peçam por mail o impresso que dá para 14 assinaturas e peçam aos vosso familiares ou colegas de trabalho para subscreverem.
São precisas 35000 assinaturas e temos 1 mês para o conseguir.
Mas só houve até agora 66 comentários de discórdia? Não chega, mais sangue s.f.f., a intenção é que o acordo ortográfico nos conduza a uma guerra civil. vamos lá começar por convocar umas manifestações via twitter e facebook, sim?