
Letreiro na parede da Igreja do Carmo, Porto, anterior à reforma ortográfica de 1911 (Foto: Manuel de Sousa)
«As pessoas que escrevem errado e cometem os chamados erros de português, tão criticadas por professores de língua, na maioria das vezes, são tidas como ignorantes. Trocar ch por x, g por j ou s por z, na verdade, não são propriamente erros de português, são erros de ortografia.
As confusões ortográficas são, entretanto, totalmente compreensíveis, uma vez que nenhum sistema gráfico é perfeito – a escrita é uma tentativa de representação da fala e, por isso, ninguém conseguirá escrever exatamente como fala.
A escrita é, portanto, artificial. Saber qual letra escolher na hora de escrever uma palavra é uma tarefa que exige memorização (principalmente a visual) e treino. Que atire a primeira pedra quem nunca se enganou. Desconhecer ortografia não significa desconhecer gramática. É simplesmente desconhecer uma simples convenção, um decreto que tem o objetivo de sistematizar a forma das palavras.» Ler o artigo completo






























9 comentários
uma boa aula.
Gostei muito. um texto muito bom e muito interessante.
Mas muitas vezes quem escreve o chamado “pitês” dá esses erros de propósito
Por acaso a certa altura comecei a dar erros na grafia. Penso que foi por passar a usar muito outra língua ou então foi da idade. Coisas que sabia automaticamente (recordações da escola primária ?) deixei de saber – ou de ter a certeza de como se escreve, o que vem dar ao mesmo. Tive que reaprender outra vez e começar a usar uns truques. Por exemplo, vêem (de ver) é fácil de distinguir de vêm (de vir) … porque vêem “tem dois olhos” (os ee).
Um bom artigo e actual, devido ao muito que se fala, e se há-de ainda falar-se relativo ao Acordo Ortográfico.
Efectivamente não tinha conhecimento dos trabalhos, ou tentativas efectuados ao longo da história da língua portuguesa, de forma a harmonizar ou regularizar a mesma, que é comum a vários países, cada qual com as suas características, as quais estão na origem dos desvios da língua.
Mas não vai ser fácil, é evidente que não, ou melhor, leva tempo.
O único sítio onde se pode encontrar informação “de jeito” é: http://www.portaldalinguaportuguesa.org/index.php?action=main – Portal da Língua Portuguesa, propriedade do Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC), financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e Cooperação Portuguesa (IPAD). Tendo como responsável pelo projeto Margarita Correia.
) a tudo isto. A final de contas, já entrou em vigor, embora só facultativamente até 2012.
Muito prático, pois tem listas de palavras mudadas, derivações. Muito bom.
Só é pena a comunicação social não dar mais ênfase (esta tive de ir ver se teve alteração
Abraço Marco, e que o novo ano te dê força para muitas bitaitadas. Já tenho saudades do Zappa.
O problema é que com o novo acordo ortográfico, de facto (ou será do meu fato) a maioria das pessoas tem dúvidas (ou não sabe mesmo) qual a forma correcta (ou será correta) de escrever!
Vai daí há 2 opções:
1- continuar como até agora
2 – adaptar e começar a escrever como manda o novo léxico.
Nota: Afinal os pontapés na gramática já existiam e vão continuar a existir como pontapés na gramática!)
O Acordo ortográfico é necessário (.)
O que acho que deve ser criticável é se os interesses Lusos, e até enquanto possuidores da paternidade da Língua materna de tanto milhão, em tantos países, se afinal Portugal, esta a baixar as calças, ou a impor o que há a impor.
A ser-se contra o acordo ortografico na 2ª decada do sec. XXI, então deduz-se que tais devem defender que o que está escrito nessa placa de identificação da foto deveria de ser a grafia que ainda hoje devia vigorar, ou que o acordo não devia ser ortográfico mas sim ortográPHico…
Aliás Para quem é CONTRA o acordo ortográfico, o Diácono do Espaço dedica-lhe isto: http://cosmeticas.org/24742.html
Eu penso que qualquer linguista faz a diferença entre “erreur” e “faute”. O primeiro não impede acomunicação. O segundo sim.
O acordo dos anos 80 não era radical. Era linguistico. Que politicos o tenham utilizado a fins políticos isso é outrra coisa. Ler Cagado ou Cágado não muda nada já que uma palavra só tem existência ou sentido num contexto. E que alias para a compreensão duma palavra, num contexto, só contam a primeira e a última letra. Em que é que a reforma ortografica modificou a significação dos poemas de F.Pessoa, por exemplo ?
Escrevi um textozinho no cosmeticas sobre isso ” A dictadura Orthographica “. A grafia é um código que actualmente é utilizado como um instrumento selectivo.
Creio que o debate está aí. Da mesma maneira que nada nos impede de pensar porque é que a selecção é feita pela matemática e o francês e não, por exemplo, pela ginástica ou a música ( exemplos entre outros ).
Nuno