Não leves a mal, mas beleza não é fundamental
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Há mulheres que se julgam sexy por serem boas como o milho. Acho que estão enganadas e chego a ter pena de algumas, sobretudo das mais vaidosas, porque são tão estúpidas que nem percebem que os bons rabos também envelhecem e que a expressão «boa como o milho» diz mais sobre nós do que sobre elas.
Não duvido que muitas mulheres que optam por operações para aumentar os peitos o fazem em primeiro lugar para si próprias, mas mesmo assim este triunfo do silicone sobre a pele continua a intrigar-me. Que misteriosa força oculta trabalha a mente feminina a ponto de fazê-la acreditar que a principal condição para se sentir melhor enquanto mulher é aumentando o tamanho das mamas ou perdendo uns quilos?
Em tempos mais antigos das sociedades humanas, quando a comida era ainda escassa, a gordura era considerada um sinal de beleza. O que preferem, afinal? Uma sociedade onde a beleza é um valor cultural ou uma sociedade onde a beleza é um valor de mercado? Como já disse uma vez e não me canso de repetir, vivemos sob a ditadura dos corpos Danone.
Uma gordinha que passe por mim na rua (eu escrevi gordinha, não obesa, a obesidade é um problema de saúde) pode ser infinitamente mais sexy do que qualquer escanzelada que se passeie nas passerelles, mas só com um enorme espírito de independência essa gordinha conseguirá sentir-se sexy. A sociedade não encoraja pessoas com um peso acima da média a sentir-se bem porque a indústria ligada aos produtos de beleza e emagrecimento deseja tê-la em primeiro lugar como cliente.
Na peça Gengis Entre os Pigmeus, de Gregory Motton, diz-se que o segredo do negócio é fazer com que as necessidades estejam ao serviço da oferta – e não o contrário. Se essa necessidade não existir, então usam-se doses massivas de publicidade para a criar. Basta ver o hype gerado pelo escandalosamente caro iPhone para se perceber que as pessoas estão dispostas a qualquer sacrifício para satisfazer esse tipo de necessidades artificiais.
O que portanto acontece com as mulheres e cada vez mais com os homens – sobretudo desde a massificação dos meios de comunicação – é que se deixam escravizar por padrões de beleza que estão para a beleza como o iPhone está para os telemóveis: assentam na conversa fiada, na necessidade de lucro, na manipulação psicológica, na engrenagem de um sistema tipicamente capitalista. Desculpem a conversa mais politizada, mas sou de facto um gajo de esquerda e é assim que vejo as coisas.
Ser a publicidade a dizer-nos o que é bonito e é feio torna-se ainda mais ridículo se pensarmos nas possibilidades do Photoshop, um software capaz de retocar o rosto ou um corpo até que estes correspondam aos padrões artificialmente estabelecidos. Vamos tomar como modelo um rosto retocado num computador? Vivemos numa ilusão criada em nome do lucro – e só nos vamos safando porque o amor e a inteligência continuam a proporcionar-nos os momentos de verdade que precisamos na vida.
Sexy é uma característica que se manifesta nas mulheres através da inteligência e do sentido de humor, da personalidade, no olhar, na capacidade de dar e exigir. Vestir uma camisola com um grande decote, inclinar-se ostensivamente para um gajo e arrumar as mamas de silicone em cima da mesa enquanto conversa não é lá muito sedutor, muito menos sexy. Essas mulheres colocaram-se ao nível do iPhone que admiramos nas montras. São gadgets.
























Concordo com quase tudo. Sim, é verdade as modelos que se passeiam nas passereles são de facto anoréxicas (ou lá como se escreve): pernas tipo girafa e costelas visiveis a 2 Km, por favor, aquilo não tem jeito nem maneira.
Talvez as mamas de silicone sirvam para – talvez, e só talvez – para evitar que elas se descontrolem totalmente. Aquelas que têm as mamas gigantes – tipo boias – a velha miss Anderson. Ou a nova Foleirabela, não são anoréxicas. Se fossem o espetáculo seria ainda menos bonito que as modelos, pois além dos defeitos já apontados, teriam de carregar umas bolas de andebol/basquete ao nível do peito, o que poderia provocar alguns problemas de coluna
O que me mete mais medo além dos problemas alimentares associados a beleza excessiva do capitalismo. É a falta de inteligência e cultura, actualmente associado a estupidez e arrogância das raparigas actuais. O mundo está perdido…
PS.: Pera lá, há aqui qualquer coisa que não está bem, estou a usar o Ubuntu Hardy Heron, e o plugin de detecção de Browser/SO não o detectou como Ubuntu!!!
Lool.
Esse plugin é parvo. Qualquer dia ponho-o a mexer.
ok… acho muito bem, pois pois estou de acordo, enfim aqueles coisas que o pessoal gosta de dizer.
Mas este post mais parece um daqueles filmes tipo o “O Sexto Sentido” com o Bruce Willis em que um tipo leva com 2horas e quase no fim “PIMBA”, e o melhor que um gajo consegue dizer é “gaaaanda filme pá”.
Pois foi o que aconteceu lá li o texto e no fim “PIMBA” – “São gadgets”
SÃO GADGETS… LINDO MARCO
hoje vou dormir a rir com isto.
Fantástico!
Até fiquei sem palavras. Talvez amanhã, depois de recomposta, diga mais qualquer coisa… Por agora, uma simples vénia ao autor.
Eh pá, bem dizido! Nas palavras sábias do grande Denny Crane: “I love chubby sex”
Muito bom! Era bom que 5% das pessoas deste país pensassem assim. Ler este post acalmou um bocadinho a depressão em que eu me sinto mergulhado só por sair á rua e olhar em meu redor. Pouco mais há a dizer… Pronto, até há mais uma coisa a dizer: o iPhone é criticado demais por estas bandas.
Michael, tens aqui um post do Pedro Cavaco sobre o assunto. O melhor post que se escreveu sobre o iPhone até à data, na minha opinião. É simples e vai directo ao cerne da questão: preço versus funcionalidade.
Pronto, ok eu até concordo com a maior parte do que o Pedro Cavaco diz sobre o iPhone, e não é que eu esteja muito informado sobre o telemóvel da Apple. Mas eu não vi assim tanto alarido como se diz… Concordo que o preço é um bocado abusado mas também acho que só compra quem quer. Olha que há por aí muita gente que não dá uso nem a metade do “bicho” que comprou a 500 ou mais euros só porque era Nokia e porque pronto… é mais bonito e tem mais pixels que o teu.
Boa malha!