Não leves a mal, mas beleza não é fundamental
Publicado por Marco Santos [15/Julho/2008]. Categoria: Pessoal
Há mulheres que se julgam sexy por serem boas como o milho. Acho que estão enganadas e chego a ter pena de algumas, sobretudo das mais vaidosas, porque são tão estúpidas que nem percebem que os bons rabos também envelhecem e que a expressão «boa como o milho» diz mais sobre nós do que sobre elas.
Não duvido que muitas mulheres que optam por operações para aumentar os peitos o fazem em primeiro lugar para si próprias, mas mesmo assim este triunfo do silicone sobre a pele continua a intrigar-me. Que misteriosa força oculta trabalha a mente feminina a ponto de fazê-la acreditar que a principal condição para se sentir melhor enquanto mulher é aumentando o tamanho das mamas ou perdendo uns quilos?
Em tempos mais antigos das sociedades humanas, quando a comida era ainda escassa, a gordura era considerada um sinal de beleza. O que preferem, afinal? Uma sociedade onde a beleza é um valor cultural ou uma sociedade onde a beleza é um valor de mercado? Como já disse uma vez e não me canso de repetir, vivemos sob a ditadura dos corpos Danone.
Uma gordinha que passe por mim na rua (eu escrevi gordinha, não obesa, a obesidade é um problema de saúde) pode ser infinitamente mais sexy do que qualquer escanzelada que se passeie nas passerelles, mas só com um enorme espírito de independência essa gordinha conseguirá sentir-se sexy. A sociedade não encoraja pessoas com um peso acima da média a sentir-se bem porque a indústria ligada aos produtos de beleza e emagrecimento deseja tê-la em primeiro lugar como cliente.
Na peça Gengis Entre os Pigmeus, de Gregory Motton, diz-se que o segredo do negócio é fazer com que as necessidades estejam ao serviço da oferta – e não o contrário. Se essa necessidade não existir, então usam-se doses massivas de publicidade para a criar. Basta ver o hype gerado pelo escandalosamente caro iPhone para se perceber que as pessoas estão dispostas a qualquer sacrifício para satisfazer esse tipo de necessidades artificiais.
O que portanto acontece com as mulheres e cada vez mais com os homens – sobretudo desde a massificação dos meios de comunicação – é que se deixam escravizar por padrões de beleza que estão para a beleza como o iPhone está para os telemóveis: assentam na conversa fiada, na necessidade de lucro, na manipulação psicológica, na engrenagem de um sistema tipicamente capitalista. Desculpem a conversa mais politizada, mas sou de facto um gajo de esquerda e é assim que vejo as coisas.
Ser a publicidade a dizer-nos o que é bonito e é feio torna-se ainda mais ridículo se pensarmos nas possibilidades do Photoshop, um software capaz de retocar o rosto ou um corpo até que estes correspondam aos padrões artificialmente estabelecidos. Vamos tomar como modelo um rosto retocado num computador? Vivemos numa ilusão criada em nome do lucro – e só nos vamos safando porque o amor e a inteligência continuam a proporcionar-nos os momentos de verdade que precisamos na vida.
Sexy é uma característica que se manifesta nas mulheres através da inteligência e do sentido de humor, da personalidade, no olhar, na capacidade de dar e exigir. Vestir uma camisola com um grande decote, inclinar-se ostensivamente para um gajo e arrumar as mamas de silicone em cima da mesa enquanto conversa não é lá muito sedutor, muito menos sexy. Essas mulheres colocaram-se ao nível do iPhone que admiramos nas montras. São gadgets.

























pode (ou não!) estar a usar
Data: 15/Julho/2008 | Hora: 21:55
Concordo com quase tudo. Sim, é verdade as modelos que se passeiam nas passereles são de facto anoréxicas (ou lá como se escreve): pernas tipo girafa e costelas visiveis a 2 Km, por favor, aquilo não tem jeito nem maneira.
Talvez as mamas de silicone sirvam para – talvez, e só talvez – para evitar que elas se descontrolem totalmente. Aquelas que têm as mamas gigantes – tipo boias – a velha miss Anderson. Ou a nova Foleirabela, não são anoréxicas. Se fossem o espetáculo seria ainda menos bonito que as modelos, pois além dos defeitos já apontados, teriam de carregar umas bolas de andebol/basquete ao nível do peito, o que poderia provocar alguns problemas de coluna
O que me mete mais medo além dos problemas alimentares associados a beleza excessiva do capitalismo. É a falta de inteligência e cultura, actualmente associado a estupidez e arrogância das raparigas actuais. O mundo está perdido…
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Data: 15/Julho/2008 | Hora: 21:56
PS.: Pera lá, há aqui qualquer coisa que não está bem, estou a usar o Ubuntu Hardy Heron, e o plugin de detecção de Browser/SO não o detectou como Ubuntu!!!
Lool.
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Data: 15/Julho/2008 | Hora: 22:00
Esse plugin é parvo. Qualquer dia ponho-o a mexer.
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Data: 15/Julho/2008 | Hora: 22:01
ok… acho muito bem, pois pois estou de acordo, enfim aqueles coisas que o pessoal gosta de dizer.
Mas este post mais parece um daqueles filmes tipo o “O Sexto Sentido” com o Bruce Willis em que um tipo leva com 2horas e quase no fim “PIMBA”, e o melhor que um gajo consegue dizer é “gaaaanda filme pá”.
Pois foi o que aconteceu lá li o texto e no fim “PIMBA” – “São gadgets”
SÃO GADGETS… LINDO MARCO
hoje vou dormir a rir com isto.
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Data: 15/Julho/2008 | Hora: 22:05
Fantástico!
Até fiquei sem palavras. Talvez amanhã, depois de recomposta, diga mais qualquer coisa… Por agora, uma simples vénia ao autor.
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Data: 15/Julho/2008 | Hora: 22:39
Eh pá, bem dizido! Nas palavras sábias do grande Denny Crane: “I love chubby sex”
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Data: 15/Julho/2008 | Hora: 23:01
Muito bom! Era bom que 5% das pessoas deste país pensassem assim. Ler este post acalmou um bocadinho a depressão em que eu me sinto mergulhado só por sair á rua e olhar em meu redor. Pouco mais há a dizer… Pronto, até há mais uma coisa a dizer: o iPhone é criticado demais por estas bandas.
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Data: 15/Julho/2008 | Hora: 23:04
Michael, tens aqui um post do Pedro Cavaco sobre o assunto. O melhor post que se escreveu sobre o iPhone até à data, na minha opinião. É simples e vai directo ao cerne da questão: preço versus funcionalidade.
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Data: 15/Julho/2008 | Hora: 23:46
Pronto, ok eu até concordo com a maior parte do que o Pedro Cavaco diz sobre o iPhone, e não é que eu esteja muito informado sobre o telemóvel da Apple. Mas eu não vi assim tanto alarido como se diz… Concordo que o preço é um bocado abusado mas também acho que só compra quem quer. Olha que há por aí muita gente que não dá uso nem a metade do “bicho” que comprou a 500 ou mais euros só porque era Nokia e porque pronto… é mais bonito e tem mais pixels que o teu.
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Data: 16/Julho/2008 | Hora: 01:29
Boa malha!
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Data: 16/Julho/2008 | Hora: 09:55
Excelente olhar sobre as gajas.
Ainda que por outras curvas, já raspei o tema nos posts Mulheres robot e O Poder do corpo.
Esta maquinização das gajas está para durar. Preocupa-me o entorpecimento que isso me provoca. É que na realidade fico sem saber se isso é bom ou é mau. Ainda por cima sabemos que há por aí muita malta no masculino que nunca soube lidar com máquinas.
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Data: 16/Julho/2008 | Hora: 10:16
Acho que tens toda a razão no que dizes e nunca gostei de mamas de silicone tirando raríssimas excepções e só em fotografias muita bem apanhadas (e provavelmente retocadas).
MAS.
Há outro problema: é que além de toda a criação de falsas necessidades de beleza, existe a criação de falsas necessidades de gula.
Somos diariamente assaltados com a necessidade de fazer abdominais mas também de comer mais um doughnut, de levantar pesos, mas de mamar mais um big mac (I’m lovin’ it!), de ir correr uns quilómetros, mas de engolir mais uma litrada de coca-cola.
Tanto as escanzeladas como as gordinhas são criadas artificialmente pela sociedade de consumo que estoira dinheiro em ginásios e deita comida fora todos os dias.
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Data: 16/Julho/2008 | Hora: 10:25
Antes de mais, quero desculpar-me por há tanto tempo ser apenas uma voyeur, sem ter tido a disponibilidade para dizer o quanto tenho gostado de passar por aqui e ler os muitos do inspirados posts. Comento este por disponibilidade de tempo e por ter sido tocada não só pelo tema, mas pela forma da abordagem. Fiquei feliz por saber que: a) há homens que apreciam as mulheres verdadeiras, b) que vivem para mais coisas que os gadgets c) ver a expressão “ser de esquerda” alegremente assumida, d) que o humor, inteligência e a personalidade são fundamentais.
Devo acrescentar, a título de esclarecimento, que os homens que estão lá em casa e aqui no coração também são assim (evidentemente!).
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Data: 16/Julho/2008 | Hora: 12:39
Depois de recomposta, conseguirei agora tecer alguns comentários. Para aplaudir este post, sendo mulher, é quase evidente que me identifico mais com as gordinhas (roliças não soa muito melhor?
) do que com as escravas das cores da moda, da linha, da maquilhagem, dos saltos altos, etc etc etc…
Lembram-se do wonderbra? Muito bom para compor um decote – mas completamente inútil se a auto-estima é baixa e impede a aceitação do corpo, tal como ele é, quando se está despida de estratégias almofadadas…
Dispenso a maior parte dos sacrifícios: são cansativos e desnecessários. Investir para conquistar um homem que está maioritariamente preocupado com a embalagem? Eu, por mim, prefiro um que, para além do pacote, saiba apreciar a frescura do sumo.
Deixo uma provocação: As mulheres demasiado focadas na imagem fazem-no para agradar aos homens ou para provocar inveja/estar ao nível das outras mulheres do mesmo género? Ultimamente tenho ouvido algumas críticas ao anúncio da Compal Light, provenientes de pessoas que, na minha opinião, encaixam perfeitamente no estereótipo retratado.
3 vivas ao verão sem complexos.
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Data: 16/Julho/2008 | Hora: 14:36
Quem quiser misturar mulheres com gadgets basta comprar a “Stuff”, onde andam com os seus silicones a lamber as psp’s e iPhone’s.
Conhecendo-me bem como conheço, sei que me derreto mais facilmente com uma bela “roliça” (obrigado “grestina”) que com uma loira escanzelada.
Sempre me considerei um rapaz de “mamas”, e de facto desde pequeno assim foi, para embaraço dos meus pais que por algumas vezes tiveram de escolher locais mais isolados nas praias visto gostar de olhar mais para outras voluptuosidades que não as dunas. Estranhamente, ainda hoje sou assim.
A uns quantos séculos atrás, ser gordinha era do melhor que havia, hoje em dia, é mau. Acho que se dá demasiada importância ao que os outros pensam. Não é justo.
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Data: 16/Julho/2008 | Hora: 15:26
Simplesmente verdadeiro, sentido…
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Data: 16/Julho/2008 | Hora: 19:41
@Marco Santos @Miguel Guerreiro
O Firefox, no Ubuntu, não identifica a distribuição. Não sei se é um bug, se algo propositadamente feito pela Canonical.
Eu adoro mamas, com ou sem silicone. O tacto das silicónicas é bastante agradável e excitante, mas não têm aquele “je ne sais quoi” das naturais. Tudo depende da mulher que as acompanha e do local onde se está.
Viva as mamas das mulheres, com ou sem silicone!
Em relação à observação sobre a perseguição da beleza artificial e da corrida ao silicone, estou completamente de acordo.
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Data: 16/Julho/2008 | Hora: 21:53
Marco, tenho aqui umas amigas que se exprimiram desta forma:
- Ai que ele é tão querido…
@braço.
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Data: 16/Julho/2008 | Hora: 22:36
Joca, diz-lhes que sou querido mas não sou inofensivo…
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Data: 17/Julho/2008 | Hora: 00:42
Até estou comovida!, o que nos vale a nós, mulheres com quilómetros de neurónios, é que ainda os há que não gostam de pipocas, senão, estaria o caldo entornado.
Agora a sério (cof,cof, cof), continuo a achar que homens perfeitos só mesmo na literatura… e só se for cor-de-rosa.
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Data: 17/Julho/2008 | Hora: 00:52
Isso não é literatura, é pornografia feminina
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Data: 17/Julho/2008 | Hora: 01:05
Infelizmente essas mulheres ( e homens ou gadgets lol) apenas se apercebem que a embalagem acaba por envelhecer, e o importante é o que eles (não) têm lá dentro.
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Data: 17/Julho/2008 | Hora: 01:07
Olhe que não, olhe que não…
Cosmética verbal, talvez. Menos atractiva, sim. Porém, interactiva, segundo consta.