Era uma vez Obama
Publicado por Marco Santos [5/Novembro/2008]. Categoria: Pessoal
Marcadores: Barack Obama, Estados Unidos, Ilustração e Desenho, João Miguel Tavares, R.J. Matson

Só espero que o presidente Barack Obama possa estar à altura dos seus discursos como candidato. O último, o da vitória, foi magnífico. Brilhante. Hipnótico. Milhares de pessoas repetiam o Yes, We Can como se estivessem numa igreja. Ou num concerto de rock. Transcrição em português aqui.
Adeus, Sarah Palin. Que o frio do Alasca te congele. Mais cartoons comemorando a vitória de Obama. Aqui em cima: cartoon de R.J. Matson, do The New York Observer.
Desde que manifestei publicamente o meu entusiasmo por Barack Obama, tenho alguns amigos meus que olham para mim com se eu fosse um velhinho senil que se esqueceu de tomar os comprimidos. No seu sábio entendimento, homem que é homem (ou seja, prudente, conservador e atinado) recusa em absoluto que qualquer acontecimento político possa acelerar os seus batimentos cardíacos. O meu amigo Pedro Mexia já me explicou várias vezes que é essencial manter a paixão de fora da política, da mesma forma que a minha mãezinha me aconselhava contra os perigos do álcool e das drogas.
Ainda este domingo, um seriíssimo João Miranda escrevia no DN que “a crença de que estamos perante um momento único e histórico que vai mudar as nossas vidas repete-se a cada 8 ou 12 anos”. No seu entender, um preto chamado Barack Hussein Obama ser o novo presidente dos Estados Unidos da América é uma coisa tão natural quanto cair neve em Nova Iorque. O que merece verdadeiramente a sua atenção, e o põe ligeiramente nervoso, é a “retórica” e o “carisma” de Obama, que João Miranda entende serem “as mais perigosas das qualidades políticas”. Coisa que faz tanto sentido quanto escrever sobre Cristiano Ronaldo e dizer que a sua velocidade e as suas fintas são as mais perigosas das qualidades futebolísticas. Mas isto sou eu, que não tomei os comprimidos.
O que me espanta neste género de posições é a incapacidade para reconhecer a história quando ela passa diante dos olhos. Ou então, como acontece com o meu amigo Pedro Mexia, até se pode reconhecer pacificamente que a eleição de Obama é “histórica”, mas com um entusiasmo e um tom de voz semelhantes ao de “era uma bica e um copo de água, se faz favor”. Fico sempre com a sensação de que se esta gente empedernida tivesse estado presente na Última Ceia teria saído de lá a discutir a qualidade da comida.
No meu caso, chamem-me sentimental, mas não consigo deixar de me comover com as lágrimas do reverendo Jesse Jackson e com a alegria de milhões de pessoas que há menos de meio século estavam privadas dos direitos mais básicos e que hoje têm o prazer de ver um negro tomar conta da Sala Oval. E logo da forma como o conseguiu: vindo do nada, sem dinheiro, nem família, nem estrutura, recusando o queixume, superando o velho discurso sobre a raça, evitando entrar nos habituais jogos de golpes baixos e construindo a mais extraordinária campanha de que há memória, apenas com a força da sua disciplina, da sua equipa e do seu talento. Meus caros amigos, meu caro Pedro Mexia, caro João Miranda, vocês que me desculpem: se uma pessoa não se entusiasma com isto, com o que é que se há-de entusiasmar? em Peço desculpa por me ter entusiasmado, de João Miguel Tavares, cronista no DN

























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Data: 5/Novembro/2008 | Hora: 12:59
Foi nisso que eu reparei, na lengalenga da multidão, e foi comovente o discurso e a reacção das pessoas. Aquele palco transformou-se espontaneamente num púlpito, e o sentimento que provocou nas pessoas foi inspirador, durante aqueles 15 minutos.
Não sou ingénua, e sei que o poder do marketing e da propaganda e daquele que é o melhor comunicador e aglutinador de sentimentos que a América viu nos últimos anos, será pouco mais que isso, quando for tempo de começar a falar menos e a fazer o trabalhinho para que foi eleito, mas a noite de ontem foi gira.
Estou roxa para ver os talk shows, especialmente o Jon Stewart, chegou a hora do Obama deixar de ser levado ao colo, e começar a ser um saco de porrada. Também vai ser giro
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Data: 5/Novembro/2008 | Hora: 13:18
Em vez de estar farto da conversa do Obama de esperança e mudança, fico um bocadinho farto da treta: “agora não vai fazer nada, não sou ingénuo”.
Então eu sou ingénuo, com muito orgulho, sou ingénuo, tenho esperança e acredito. Deve ser dos meus 25 anos…
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Data: 5/Novembro/2008 | Hora: 13:26
Parabéns, e tenta continuar assim pedro_c.
Eu já fui assim, mas eu já não tenho 25 anos.
O meu entusiasmo durou o que tinha que durar. Não sei se é uma questão de idade se é uma questão da porrada que se levou, ou do grau de desilusão, mas quanto maior é a subida, maior é a queda. E eu já caí vezes suficientes. Se calhar envelhecer é isso, investir na auto-protecção contra quedas.
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Data: 5/Novembro/2008 | Hora: 13:41
Por um lado o Obama não dizia que queria distribuir a riqueza? Isso faz-me lembrar o idealismo do comunismo, por outro lado o McCain mudou de discursos várias vezes durante a campanha e o Obama foi consistente.
A verdade é que o Obama é um presidente como os EUA nunca teve, agora vamos ver o que ele faz.
Obama can talk the talk but can Obama walk the walk?
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Data: 5/Novembro/2008 | Hora: 14:58
E eu que pensava que era a única céptica…
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Data: 5/Novembro/2008 | Hora: 15:23
Estou farto de procurar o Wally nessa imagem mas não o encontro…
Por vezes não entendo a tendência das pessoas em teimarem em escolher um pólo, ou preto ou branco. Isto quando sabemos que pelo meio existem inúmeros tons de cinzento (e outras cores), pelo que a solução está (como em quase tudo) num equilíbrio dinâmico. Não se deve negar o sentimento de esperança que Obama inspira. Por outro lado, não tem mal nenhum ser um pouco céptico, do género “pagar para ver”. Quanto a mim, i call.
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Data: 5/Novembro/2008 | Hora: 16:21
Por o Obama ser um tipo extraordinário é que eu sou céptico. Não me posso esquecer do mundo que o rodeia. Mas se fosse americano teria votado sem hesitações no Obama.
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Data: 5/Novembro/2008 | Hora: 20:36
O gato é que esteve congelado e o dia dos “bruxos” é só amanhã! O das bruxas de pé pequeno achinelado e coxa gorda, já foi!
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Data: 6/Novembro/2008 | Hora: 00:02
Felizmente, Ha luar
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Data: 6/Novembro/2008 | Hora: 00:04
o problema é que da forma que o mundo esta o teu call robsan! é um allin. mas eu tambem pago para ver. (pago para ver?, isto faz-me lembrar um elefante branco).
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Data: 6/Novembro/2008 | Hora: 01:05
Acho piada a tanto português céptico,a tanto vôo rasteirinho,a tanto tuga fodidinho.Atão não é melhor o maggellanes?Tanta tourada,fado,fátima e…futebol!E agora estão todos tão cépticos?
Estão à espera do Messias?Essa merda não existe.
Ao Marco: Frank Zappa se fosse vivo concerteza que apoiaria Obama,or at least Ron Paul.E os Mothers of Invention também,e mesmo para os Captain of Beefheart.
Deixa andar.
mesmo com erros gramaticais!
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Data: 6/Novembro/2008 | Hora: 09:52
Ovotas: segundo sei, Zappa era democrata. A família dele contribuiu com dinheiro para a campanha de Al Gore.
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Data: 6/Novembro/2008 | Hora: 12:27
Li agora um artigo do João Lopes que julgo ser relevante para a conversa:
http://sound–vision.blogspot.com/2008/11/catstrofes-do-dia-seguinte.html
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Data: 6/Novembro/2008 | Hora: 12:40
Marco:Zappa era convictamente democrata e liberal(segundo o que significa ser liberal para um norte-americano),total respeito pela liberdade individual(não a merda que por aqui tentam vender).E essa liberdade individual eu senti nos Estados-Unidos como nunca sentirei em Portugal.
Marco:um tipo que gosta de Zappa não é um português comum,e eu isso reconheço em ti e no teu blogue,por isso é que te visito regularmente e sem te conhecer de facto, “quase” te considero… como a um amigo. Sem querer alongar-me muito mais,pretendo dizer que te respeito e entre tantos blogues que leio diariamente, este é para mim seguramente, um dos melhores.
Abraço!
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Data: 6/Novembro/2008 | Hora: 14:33
Ovotas, obrigado.
Fiquei muito curioso em relação à liberdade que sentiste nos Estados Unidos. Queres partilhar um bocadinho melhor a tua experiência nos States e dares exemplos do que disseste? Um abraço!
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Data: 6/Novembro/2008 | Hora: 15:02
Ovotas …
“total respeito pela liberdade individual (nao a merda que aqui tentam vender)”???
estas a falar da liberdade dos especuladores que deixam meio mundo (inclusive americano) na miseria, ou pelo menos em muito mau estado? É esse o teu significado de liberal?
ou estas a falar de guantanamo? Iraque? É esse o total respeito pela liberdade individual?
na america, “liberal” significa o mesmo aqui, uma coisa é ser liberal do ponto de vista economico e outra coisa é ser liberal a nivel “social”(aborto, homossexualidade, drogas etc.)
no outro dia ouvi alguem comentar uma critica feita a obama pela sua proposta de redistribuir a riqueza, segundo a qual o comentador dizia o seguinte:
a teoria liberal de que o mercado deve funcionar livremente e auto regular-se no sentido de criar riqueza e emprego anda a servir de argumento há dezenas e dezenas de anos, nao so na america como na europa , mas o povo ainda nao sentiu no bolso o peso de tantas promessas, e o fosso entre pobres e ricos acentua-se cada vez mais, perante uma classe media em vias de extinçao. E é obvio que a bolha vai rebentar, provavelmente ja estara muito perto de acontecer, porque é insustentavel tamanha maioria sem possiblidades fazer o dinheiro dos ricos ter muito valor.
Para alem do facto de que os usa viveram e ainda vivem muito a custa das suas politicas externas que mais nao sao do que explorar ao maximo os recursos de certos paises, explorando pela via diplomatica ou pela via militar.
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Data: 7/Novembro/2008 | Hora: 02:58
kurtcobain(estranho”nick” para o discurso…
1º-Não pretendo fazer proselitismo pelos E.U..
2º-Não pretendia falar de política,mas já agora aqui vai a minha resposta aos pontos que foca:
“estas a falar da liberdade dos especuladores que deixam meio mundo (inclusive americano) na miseria, ou pelo menos em muito mau estado? É esse o teu significado de liberal?
ou estas a falar de guantanamo? Iraque? É esse o total respeito pela liberdade individual?”
Que eu saiba,os especuladores tanto existem nos E.U.,como no resto do mundo,pelo menos o dito capitalista.São todos feito com o mesmo barro,mesmo os da C.M.V.M..
Guantánamo é uma vergonha,ponto final.(que aliás não é a primeira,já que fizeram algo parecido com os japoneses(cidadãos americanos,ou a viverem nos e.u.)durante a 2ª guerra.
Iraque,outra vergonha,ponto final.A este respeito,para lá dos argumentos esfarrapados que os responsáveis americanos usaram(engraçado(sem graça)não foram só americanos mas também uns tipos que por aqui foram eleitos)ainda me lembro da vergonhosa execução daquele fulano,Saddam, de seu nome,foi sujeito.Vergonha maior.
Meu caro,por muito que nos desagrade,um império é um império.Se for ver,não há um único na história da humanidade que não tenha cometido atrocidades,morte e sofrimento,desde os romanos ao russo,desde o espanhol(que trucidou civilizações)ao inglês que subjugou quase toda Ásia,África e Oceania.Para não falar no pequenino império português que iniciou o comércio negreiro e esclavagista para o chamado novo mundo. Como vê de impérios estamos todos(os do chamado mundo ocidental),muito bem servidos.
Não que concorde,longe de mim…mas como diria o outro…é a vida.
Por último,e política por política…nos últimos vinte e tal anos em que votei em Portugal,nunca votei num partido “de direita”
e a minha maior concessão foi votar útil no Soares vs Freitas.
Para acabar(que já estou cansado), o que pretendi com o pequeno comentário que me saiu foi realçar os direitos civis (que estão consignados na constituição)e que de facto eram usufruídos pelo mais comum dos cidadãos.E digo eram,porque a besta simplex que ainda lá está, tratou de assassinar muitos desses direitos.
Achas que Cobain era possível em Portugal?Ou o Zappa?Ou o Morrison?
Meu caro…o António Variações…e é bom!
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Data: 7/Novembro/2008 | Hora: 15:32
Ovotas …
kurt cobain, morrison e outros existiram como mitos, porque eram figuras antípodas de um sistema muito conservador e pouco livre, da mesma forma que em portugal houve uma geraçao revolucionaria na musica pelas maos de Zeca Afonso, José Mario Branco, Vitorino; Fanhais etc. Hoje em dia, nao faria sentido a existencia desse tipo de intervenção social através desse tipo de musica.
Da mesma forma que ja nao faz sentido a irreverencia de um morrison ou cobain. No entanto nos anos 60, The Doors revolucionaram nao so o mundo musical, como a propria sociedade americana dando a entender que a liberdade nao tem limites.
Esses mitos jamais apareceram novamente, dando lugar a outros bastante diferentes na sua maneira de estar (estilo amy winehouse de uk).
Perguntas-me se acho que era possivel haver cobain em portugal. e eu digo-te que nao, da mesma forma que era muito dificil haver Saramago nos eua, porque a estupidez nao escolhe entre liberais e nao liberais (mas escolhe entre americanos dos USA e nao americanos ), e da mesma forma que apesar da má televisao portuguesa generalista, dificilmente as Oprahs , os Raws, e os doctor phill teriam sucesso em portugal.
quanto a questao dos imperios e do respeito pelos direitos civis, toda a europa foi construida a nivel social, tendo por base imperios e guerra, mas os USA que têm cerca de 2 seculos de existencia, são um dos imperios a causar mais mortos , mais destruiçao e pobreza em tao curto espaço de tempo:
Lançamento da bomba atomica, guerra no vietnam, guerra no golfo, guerra na somalia, guerra no Afeganistão , guerra no iraque.
exploração de cuba durante muitos anos e continuação de uma guerra diplomatica que dura há meio seculo e que deixa um país inteiro na miseria apenas por uma necessidade de vingança, contra um povo que apenas quer aquilo que lhe pertence. E podes dizer que faz sentido tal crueldade pelo facto do comunismo ser uma ameaça(lol), mas então faça-se embargos á china tambem, e recusem o petroleo Venezuelano.
Quanto aos especuladores, lendo as noticias e ouvindo os economistas, da-me a ideia que esta grave crise financeira começou nos usa, no sector imobiliario e devido aos especuladores.
Da-me a ideia tambem que mania de se argumentar que se deve deixar o mundo naos maos daqueles que controlam os mercados bolsistas, e deixa-los a regular o proprio mercado, esta com os dias contados.
a economia vai mudar e a forma como se olha para ela tambem, e basta ver o silencio dos neo-liberalistas para acreditar nessa mudança.
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Data: 9/Novembro/2008 | Hora: 18:53
Será que ainda ninguém se apercebeu que estamos a atravessar uma longa, profunda e complexa mudança mundial pós-guerra fria que se vai prolongar durante pelo menos mais uma década? Isto para não falar nas alterações que a economia vai sofrer.
Claro, isto de analisar a contemporaneidade é lixado.