
Certas notícias são tão únicas e inspiradoras que fazem reviver emoções sentidas com histórias de grandes filmes que já vi – Crash, de Paul Haggis, e uma obra-prima do cinema, Magnolia, de Paul Thomas Anderson, são dois exemplos que me vêm à memória a propósito da história que vos vou contar. Tem a mesma qualidade poética e redentora, fortuna e magia.
Um jovem assalta uma loja de conveniência perto de Long Island, em Nova Iorque. Nota-se a sua inexperiência e relutância. O dono da loja, um americano de origem árabe, Mohammad Sohail, apercebe-se da hesitação do assaltante e aponta-lhe uma espingarda. O jovem, desesperado, explica que tem de roubar para dar de comer à família. Julga que as suas escolhas se esgotaram.
O dono da loja – aquele árabe genérico que muitos americanos associam ao terrorismo islâmico – não se aproveita da situação, não reage com violência nem chama a polícia: saca de 40 dólares da caixa, algum pão e diz ao jovem: «Dou-te este dinheiro se me prometeres que não voltas a roubar». Surpreendido com a inesperada escolha que o outro lhe oferece, o assaltante aceita os dólares e o pão, e foge.
Isto aconteceu em Maio deste ano e é uma história verídica: eis o vídeo do assalto.
Este mês, Mohammad Sohail recebe uma carta. Abre-a. Vê 50 dólares e uma nota de agradecimento. Percebe então que foi enviada pelo jovem que o tentara assaltar sete meses antes. Conta que tem outro filho, um emprego e nunca mais voltou a meter-se em sarilhos. E que os 50 dólares são a sua forma de agradecer. Mohammad diz que não quer o dinheiro, vai para uma obra de caridade.
Esta história faz-me lembrar o polícia parvo e ingénuo, mas profundamente paciente e bondoso, que salva o ex-puto maravilha da prisão certa no filme Magnolia. Ou o polícia racista e machista que arrisca a vida para salvar uma afro-americana presa debaixo de um carro prestes a explodir em Crash. As pessoas são o que fazem, e nem sempre fazem de acordo com o que os outros esperam ou com o que esperam de si próprias. Para o bem e o para o mal.






























11 comentários
Também acho que não faz mal nenhum ajudar os outros. Em regra nem é preciso ser herói.
grandes filmes, grande estória, grande post!
Mas a história que contas é verdadeira ou ficção?!? Fiquei sem perceber…
Jorge, se fosse inventada eu dizia. Já actualizei o post.
Há que referir também – no Crash – o polícia ‘não racista’ que mata o miúdo a quem dá boleia porque partiu do pressuposto que o miúdo (negro – convém dizê-lo) estaria a sacar de uma arma.
Preconceitos todos temos. Às vezes conscientes, outras muito bem escondidinhos e que vêm à tona num estalar de dedos.
Marco, obrigado pelo esclarecimento… mas o meu comentário talvez não tenha sido bem redigido e dado azo a uma interpretação errada.
O que eu questionava era se a história era verdadeira (já li que sim!) ou se era uma história de um filme (ficção) uma vez que fazes referência a vários filmes.
Podia ser, certo?
Offtopic: Como está a tua malta? Melhor? Já enviaste a Gripe para outro lado?
Abc
Obrigado, Jorge. A malta está melhor, sim senhor. Só falto eu e o meu filho. Ou ainda vamos apanhar nos próximos dias ou já a apanhamos sem nos apercebermos (a pensar que era uma gripe normal) e estamos imunes…
É verdade, quanto ao post: se reparares, logo no princípio do texto digo que é uma notícia.
Um abraço.
@Marco, apesar de ser uma notícia, não quer diser que não foi fabricada. desculpa o meu cepticismo, mas esta noticia parece quase irreal.
1) O tipo da loja saca duma rifle como se não existisse amanhã.
2) Os vários ângulos da câmara de vigilância (a não ser que tenha sido reconstituição, mas nesse caso isso não deviria ter sido “reportado”.
3) A “cena” da conversão hummm……
4) Não duvido da bondade das pessoas, mas esta história parece-me fabricada, é apenas uma fé que eu tenho.
rss, experimenta googlar o nome dele: Mohammad Sohail
O Magnolia ainda não vi
Mas está nas prioridades, já à algum tempo…
Mas o Crash é enorme!
muito giro