Foi-me sugerido por vários visitantes que eu deveria fazer uma espécie de diário intitulado Os meus sete dias com o Windows Vista. Que seria giro, oportuno, afinal toda a gente está interessada em saber como é trabalhar com o Vista, por aí fora.
A ideia parece boa, mas sete dias é muito tempo. Eu gosto de blogar, tenho consciência de que do outro lado está malta a ler e, dentro de um certo limite, claro, até gosto de agradar às pessoas. Mas o que me estão a pedir é demasiado.
Sete dias, afinal de contas, são 168 horas.
Vamos admitir que aceito alegremente o papel de cobaia (ou beta tester do futuro Service Pack 1) e que consigo dormir oito descansadas horas por dia, mais 14 para comer, mais umas quantas para… – enfim, esta parte já não têm nada a ver com isso.
Admitindo que eu alinhava numa Volta ao Vista em 80 horas, vocês estariam mesmo interessados em ler um texto repleto de pragas e asneiras? Pronto, vou então fazer um esforço e descrevê-lo da maneira mais educada possível.
O Windows Vista é um deserto de areias translúcidas e gelatinosas através do qual nós, os camelos, somos forçados a caminhar. Esse deserto tem espectáculos nocturnos onde clones do Michael Jackson trocam a pele esbranquiçada pelas peles do Windows Media Player e cantam versões personalizadas de Thriller: ‘Cause this is Windows, Windows Nite..’.
Existem inúmeros oásis com tabuletas vistosas ao estilo de Las Vegas a dizer “Zona Segura”. Quando nos aproximamos, são miragens.
A areia deve ser regularmente desfragmentada para que não se torne movediça e nos afunde a todos.
Carregaremos Steve Ballmer e Bill Gates às costas enquanto escutamos promessas de campos esverdeados e sem bichos para nos picar. Não nos colocarão cenouras diante do focinho para forçar a marcha, mas cartões postais em três dimensões. Até porque somos camelos, não somos burros.
Um bocadinho delirante, admito, mas ao menos consegui chegar ao fim sem dizer nenhuma caralhada.





























