
Cardozo diz que não sabe porque joga tão pouco, o que é uma resposta razoável a uma pergunta que já trazia água no bico.
Mais do que perder tempo a valorizar a resposta de um jogador insatisfeito por não jogar (sentimento normal e corriqueiro), é preferível pensar primeiro na pergunta. Cardozo até podia ter percebido a intenção e mandado o recado, mas a forma directa e pueril como respondeu diz-me que foi sobretudo ingénuo.
Há notícias que nascem de uma resposta, mas outras nascem da própria pergunta. Se lhe tivessem perguntado algo como você tem esperança de recuperar a titularidade, não teriam conseguido estalar a polémica nem Cardozo teria entornado o caldo no almoço de Natal do Benfica. Quem entornou o caldo foi o autor da pergunta – mas já estamos habituados a estas espertezas, a favor ou contra, não é? Se os resultados de uma sondagem podem ser manipulados de acordo com o tipo de questionário que se faz aos inquiridos, por que razão não haveria de acontecer o mesmo com o nosso querido jornalismo desportivo português?





























