→ 08/01/2007 @16:34

Para o Infinito e mais além

Quando verifico a quantidade de comentários gerados por um post sobre impostos, mais me convenço de que publicar uma série de artigos sobre Astronomia e a busca por vida inteligente extraterrestre é a melhor forma de aborrecer muitos dos que aqui chegam. Enquanto eu ando de nariz para o ar cheirando a poeira das estrelas, muitos preferem andar com os pés assentes na terra a contar os impostos que pagam. Estes últimos têm razão.
Ainda agora falei com o Pedro sobre o assunto. Disse-lhe que até me sentia mal por continuar esta série depois de um post tão virado para problemas práticos que enfrentamos no dia-a-dia enquanto cidadãos. Eu não tenho muito jeito para resolver problemas práticos: qualquer pessoa que me tenha visto a pregar um prego é incapaz de me desmentir.
A Continuidade Conceptual do Bitaites (sim, coisas do Zappa) exigia-me que deixasse passar alguns dias, criando posts intermediários. A razão é muito simples: para um sonhador da Astronomia como eu, passar de um post sobre exploração espacial para outro em que se fala de impostos é como tropeçar na cadeira com o dedo pequenino do pé ou ser acordado por um despertador berrando as más notícias deste pálido planeta azul.
Continuo a pensar que existe algo de errado num mundo que nos obriga a pensar mais em impostos, obrigações, guerras e injustiças do que nas maravilhas da Ciência, da Arte e todos os sublimes empreendimentos que a nossa espécie é capaz de fazer – mas isso é o meu lado lunático e ingénuo a falar. Portanto, continuo.

O cangalheiro de O Padrinho acreditava na América, eu acredito em Extraterrestres. Até podia gamar ao grande Copolla o início do filme: um ecrã negro como as profundezas do Espaço e uma voz grave e solene a anunciar
- I believe in Extra-Terrestrial Life.
É pancada minha, eu sei, sobretudo porque pago impostos como toda a gente. Mas não há nada a fazer. Se tenho um blogue, e o partilho com todos, terei de aceitar que, para algumas pessoas, posso ser realmente um chato do caraças.
O gosto pela Astronomia vem desde miúdo. Enquanto a maior parte do pessoal levava revistas do Pato Donald e do Mickey para a casa de banho, eu carregava livros com fotos dos planetas, ilustrações e dados astronómicos. Isso não me fazia especial, apenas ligeiramente esquisito. Às tantas esquecia-me do que tinha vindo fazer à casa de banho e só acordava das minhas viagens quando o rabo ficava com a forma de uma tampa de sanita.
O meu enorme saber astronómico impressionava até as amigas da minha mãe. Nem era preciso sorrir ou ser muito querido, bastava recitar de cor as distâncias médias entre planetas para as deixar de boca aberta. Só tenho pena que isso não resulte agora.
Não me tornei astrónomo, claro, mas a paixão manteve-se até hoje. Com o conhecimento da incompreensível vastidão do Cosmos, veio a velha ideia antropocêntrica de procurar um desígnio obscuro que justifique a nossa existência.
O que me faz confusão nem sequer é a escala monstruosa desse vazio que nos rodeia, mas o nosso papel nisto tudo. O que me lixa é tentar perceber porque razão, sendo tão pequeninos e insignificantes, seremos os únicos capazes de compreender toda esta vastidão. Não haverá mais alguém algures a fazer as mesmas perguntas?
Não é de admirar que quando passa um documentário na televisão sobre mistérios cosmológicos ou vida extraterrestre fique logo agarrado. Não interessa se inevitavelmente me são apresentadas as mesmas formulações sem resposta: o que me prende é o ecrã negro no início, esse ecrã e a legenda das minhas falas. A penumbra e as palavras constituem o meu retiro espiritual de onde nada se vê e tudo se imagina.

Tudo isto para dizer que a Parte IV da série A Vida Receia a Solidão Cósmica – dedicada à maravilhosa aventura das sondas Voyager – sairá dentro de momentos.

Um comentário

  • 1
    filipa
    com Firefox 2.0.0.11 Firefox 2.0.0.11 em Windows XP Windows XP
    1 de Fevereiro de 2008 - 21:41 | Link permamente

    Conhece um livro chamado “O 12º Planeta”?
    Do senhor Zecharia Sitchin?

    Muito curioso!
    Se tiver curiosidade, diga, porque tenho isso no computador e envio-lhe.

    Um abraço

    Filipa