→ 16/03/2007 @20:07

O senhor do caos e da destruição é um asteróide

Quando foi descoberto, a 19 de Junho de 2004, chamaram-lhe apenas 2004 MN4 – mais um objecto lançado ao catálogo de asteróides.
Depois os cientistas calcularam a trajectória da órbita e descobriram que o 2004 MN4 seguia uma rota que o poderia levar a colidir com a Terra em 2029. Fizeram novos cálculos para ter uma ideia que tipo de objecto era e concluíram tratar-se de um pedregulho com 400 metros de diâmetro. Se colidisse com a Terra, provocaria uma libertação de energia 114 mil vezes mais intensa que Hiroshima.
Então mudaram-lhe o nome. Chamaram-lhe Apophis, o nome grego da antiga divindade egípcia Apep, ser em forma de serpente, senhor da destruição e do caos.
Seria possível um Inverno Nuclear que ameaçaria a nossa sobrevivência? Partilhar o mesmo destino dos seres que dominaram o mundo antes de nós, os dinossauros?
Cálculos matemáticos mais aprimorados foram feitos nos meses seguintes e colocaram de parte a visão apocalíptica anterior: o asteróide passaria sobre a Terra em 2029, sim, mas a 35 mil quilómetros de distância – para nós, que estamos cá em baixo, é muito longe; em termos astronómicos, porém, é um tiro de raspão.
O asteróide vai passar pela Terra em 2029, mas voltará a 13 de Abril de 2036, influenciado pela gravidade do nosso planeta. A possibilidade de um impacto directo mantém-se baixa (1 hipótese em 45,000), mas foi o primeiro objecto celeste da história a ser classificado com o nível 2 da chamada Escala de Risco de Impacto de Turim.
Este nível não implica o risco de colisão imediata, mas determina que o objecto deve ser cuidadosamente acompanhado.
O asteróide Apophis acabou por levantar outra questão: que poderíamos fazer se o objecto estivesse mesmo em rota de colisão? A ideia mais aceite é a criação de uma nave com cerca de 140 metros de comprimento. A nave aproximar-se-á do asteróide e, da combinação entre a sua massa e a necessária distância (mínima) resultará um efeito gravitacional suficiente para o desviar. A nave já foi baptizada: chama-se «tractor gravitacional». O projecto custará 300 milhões de dólares, mas poucos duvidam da sua necessidade. O que se discute agora é a quem mandar a conta. O candidato natural para pagar as despesas é a Organização das Nações Unidas.

Enquanto Apophis não vem | Can NASA learn enough about an approaching asteroid to rule out a collision in 2036?

4 comentários

  • 1
    Xavier
    com Opera 9.10 Opera 9.10 em Windows XP Windows XP
    16 de Março de 2007 - 21:41 | Link permamente

    Enquanto Aphophis não vem, em 2005 colidiu com Portugal um Político, e os Detritos que libertou com o impacto estão a provocar uma devastação pelo menos 10x maior que a “Primavera Marcelista”, antes do 25 de Abril. Chamaram-lhe Sócrates, o nome grego do antigo filósofo maníaco que nem se atrevia a chegar perto de um feijão, pois acreditava que quando se bufava perdia-se uma parte da Alma…. :rolleyes_wp:

  • 2
    com BonEcho 2.0.0.3pre BonEcho 2.0.0.3pre em Windows XP Windows XP
    17 de Março de 2007 - 00:00 | Link permamente

    Interessante comentário. Eu quando me enervo com o Sócrates costumo pensar no Marques Mendes. Fico logo mais calmo. :wink_wp:

  • 3
    Xavier
    com Opera 9.10 Opera 9.10 em Windows XP Windows XP
    17 de Março de 2007 - 18:11 | Link permamente

    Caro Marco,
    Foi uma “picadela” no (mau) Governo, não num Partido ou líder partidário. Se o Marques Mendes fosse o 1º Ministro na actual conjuntura, era ele o visado no comentário. Sou apartidário (mas não apolítico, claro.)e por isso não tenho o pensamento víciado, isto é, não penso assim só porque o meu grupo assim pensa ou tem de assim pensar. De outro modo não poderia apreciar música de Zappa (obrigado pelo Frank Zappa, descarreguei tudo, aumentei a minha coleção), escultura de Rodin, pintura de Magritte,…
    A partir de agora evitarei manifestos políticos.
    Um abraço.
    :wink_wp:

  • 4
    com BonEcho 2.0.0.3pre BonEcho 2.0.0.3pre em Windows XP Windows XP
    17 de Março de 2007 - 18:21 | Link permamente

    Xavier, interpretaste-me mal. És livre de fazer os comentários que quiseres. Eu não escrevo sobre política aqui no blogue por uma questão de opção, mais nada. Não me parece que seja um assunto muito interessante – esta política e com estes políticos.
    Por outro lado, e pegando no que disse, se Marques Mendes não me acalmar, então penso em Paulo Portas. :wink_wp: