→ 25/10/2006 @9:56

O (falso) plágio de Miguel Sousa Tavares

Notícia de última hora: autor do blogue FreedomToCopy (aqui fotografado à socapa por um paparazzi) continua à procura do seu próprio Equador.

Por esta altura, já muitos saberão que Miguel Sousa Tavares (MST) está a ser acusado num blogue (anónimo) de ter copiado para o seu livro Equador partes significativas de Esta Noite a Liberdade, de Dominique Lapierre e Larry Collins. MST passou-se dos carretos e, numa entrevista ao 24horas, ameaçou o autor da acusação com tribunal e pauladas. O problema é que ninguém sabe quem é o autor – pelo que este assunto das pauladas vai ter de ser adiado. O blogue, como é óbvio, foi criado apenas para acusar MST. Estranha Forma de Escrita é o título do único post ali existente. Transcrições de partes de Equador e do livro supostamente plagiado estão lá para que os visitantes possam fazer comparações e, supõe-se, arrear forte e feio em MST.

João Miranda, do blogue Blasfémias, foi mais esperto do que toda a gente (incluindo o próprio Miguel Sousa Tavares) e, em vez de insultar MST ou o blogger anónimo, consoante as inclinações, resolveu verificar se as transcrições do blogue acusador eram fiéis ou se a acusação de plágio não era, por si só, uma pequena farsa.

As conclusões podem ser vistas aqui e aqui.

Pelo menos duas das transcrições em que se baseia o autor anónimo para acusar Miguel Sousa Tavares de plágio não correspondem ao que está, de facto, escrito no livro, embora quem esteja a ler os dois livros afirme que sim, que MST copiou frases, parágrafos, situações e personagens. Por outro lado, existem situações e personagens históricos em Equador cujas referências bibliográficas são mencionadas por MST. Uma das obras de consulta (consulta, não plágio) que surge na lista é precisamente o livro de Dominique Lapierre e Larry Collins.
Folheei o Equador (não tenho o Esta Noite a Liberdade), 4ª Edição, e pelo menos as transcrições referidas no Blasfémias foram manipuladas de forma a servir os propósitos do anónimo covarde.

Moral da história: hoje parece que não há.

Eduardo Prado Coelho foi apontado como o autor do plágio de um texto supostamente publicado no Brasil, assinado pelo escritor João Ubaldo Ribeiro. O texto – «Precisa-se de Matéria-Prima para Construir um País» – teve um impacto considerável entre os internautas sobretudo a partir de Novembro de 2005, quando surgiu em inúmeros sites e blogues tanto na sua versão brasileira como na portuguesa. Na nossa versão, a autoria foi atribuída a Prado Coelho, que teria publicado o texto no jornal Público.
A verdade é que João Ubaldo Ribeiro e Eduardo Prado Coelho nunca tiveram nada a ver com o texto. Entrevistado a 7 de Novembro de 2005 pelo jornalista brasileiro Alceu Nader, o escritor desmentiu ter sido o autor do texto. Prado Coelho também desmentiu a publicação no Público.
Toda esta história teve origem no autor anónimo do texto brasileiro e na pessoa – igualmente não identificada – que o «traduziu» para português europeu e o adaptou à nossa realidade. O esquema de fabricação do plágio iniciou-se, então, quando esta mesma pessoa, depois de acabar o trabalhinho, resolveu apimentá-lo atribuindo a autoria do texto a Prado Coelho.
O processo que se seguiu foi o habitual: ambas as versões do texto começaram a circular na net e nos emails até que «alguém» «notou» semelhanças suspeitas entre o original brasileiro e a «cópia» portuguesa. Daí até à acusação de plágio foi só uma questão de tempo. Fonte: Blasfémias.