Não sei quando começou esta fama, mas sou conhecido como o arrebenta-boards. Não há forma de me livrar disto. O Rui Lisboa – trabalha comigo – em vez de me cumprimentar normalmente como faz com as outras pessoas, costuma perguntar-me: “Então? Tás bom? Já rebentaste alguma board hoje?”
Ora, isto é tremendamente injusto. Que eu me lembre, nos últimos oito, nove meses, só devo ter rebentado para aí com umas quatro ou cinco boards. Essa mania de me chamarem “arrebenta-boards” é um bocadinho exagerada.
A última board que arrebentei nem sequer foi culpa minha – foi um trágico acidente. Tinha acabado de montar o meu computador quando a minha mulher me pediu para despejar o lixo. Ainda não tinha fechado a caixa, os meus dois filhotes estavam na sala e fiquei na dúvida: “Hum… é melhor fechar isto tudo antes que eles se ponham a bisbilhotar” – pensei.
Fiquei ali a observá-los, avaliando a situação. Os miúdos estavam entretidos a brincar, tão sossegados num cantinho que eu mudei de ideias: “Que se lixe. Não vou estar a ter esse trabalho. O PC nem sequer está ligado à electricidade, os cabos de ligação estão guardados, e não é pelos dois ou três minutos que eu demoro a despejar o lixo que eles vão mexer aqui.”
Acabei por despejar o lixo sem fechar a caixa. Desci e subi as escadas rapidamente (moro num segundo andar). Quando voltei eles continuavam no mesmo sítio onde estavam – ou pelo menos assim parecia.
“Pois é” – pensei eu. “Eles estão tão entretidos que nem sequer deram por nada. Fiz bem em não fechar a caixa. Agora não tenho que abrir tudo outra vez, poupo tempo e trabalho, é só ligar o cabo à fonte de alimentação, ver se está tudo bem e começar a instalar o sistema operativo”.
Assim que liguei o computador deu-se a explosão. Bem, foi mais uma série de pequenas e ruidosas explosões vindas do interior da caixa, parecia que tinha rebentado uma tempestade tropical dentro do PC, com relâmpagos e trovões. Apanhei um cagaço tão grande que parecia um personagem do Matrix a dar um pulo para trás. Tive sorte em não bater com a cabeça no candeeiro. O quadro da luz, claro, foi logo abaixo.
Fiquei às escuras, completamente apardalado, sem saber o que tinha acontecido. O cheiro a queimado começou a chegar-me ao nariz.
E afinal o que aconteceu? Uma coisa muito simples: os meus lindos filhotes resolveram fazer uma exploração rápida na minha ausência e mudaram o comutador de voltagem dos 220v para os 120v. E depois voltaram a brincar como se não fosse nada com eles. Claro que apanharam um susto tão grande que nem sequer tive coragem para lhes ralhar (só tivemos uma conversa amigável umas horas mais tarde).
Se querem informática e filhos ao mesmo tempo, fechem sempre a caixa do PC!






























Um comentário
21 Fevereiro 2005 foi a data do meu “nascimento”, por isso na mesma data do nascimento do Bitaites!!!… :lol_wp:
É pois, Marco, caso para dar parabéns recíprocos, não achas?…